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25 de julho de 2011, 10h37

Mídia Ocidental, que estereotipa mundo árabe, está apavorada com seus próprios monstros

Mario Lobato me chama a atenção para matéria de O Globo, na verdade uma tradução de um artigo do New York Times.

É bastante curioso assistirmos a mídia ocidental apavorada com os monstros que ela mesmo ajudou a criar. Uma pena não podermos dizer a esta mesma mídia irresponsável: Quem pariu Matheus que o embale, na medida em que a ação desses assassinos tem alcance imenso e toda a sociedade global deve se preocupar.

Mas será que depois de um ‘cidadão de bem’ – ariano de olhos azuis/cristão/europeu – chacinar mais de 90 cidadãos europeus/arianos a mídia ocidental tomará mais cuidado e evitará a construção de seus estereótipos medonhos contra o mundo árabe? Acompanhemos.

Tragédia na Noruega revela perigo do crescimento da extrema-direita no continente

Do ‘New York Times’, via O Globo

24/07/2011

BERLIM – Os ataques a Oslo e à ilha de Utoeya na sexta-feira chamaram a atenção para os extremistas de direita, não só na Noruega como também no resto da Europa, onde a oposição a imigrantes muçulmanos, à globalização, ao poder da União Europeia e à tendência para o multiculturalismo tem se mostrado uma potente força política e, em alguns casos, um estímulo à violência. O sucesso dos partidos populistas que apelam para um sentimento de perda da identidade nacional trouxe críticas a minorias, imigrantes e, em particular, a muçulmanos. Tudo isso turbinado pela crise econômica, que infla os números de desempregados e aumenta a frustração. Enquanto os próprios partidos não costumam tolerar a violência, alguns especialistas dizem que um clima de ódio no discurso político tem encorajado indivíduos violentos.

– Não me surpreendo quando coisas como a explosão na Noruega acontecem, porque você sempre vai encontrar pessoas que acreditam que meios mais radicais são necessários – disse Joerg Forbrig, um analista do German Marshall Fund, em Berlim, que vem estudando estas questões na Europa. – Isso literalmente é algo que pode acontecer em vários lugares, e existem problemas maiores por trás.

Em novembro, um homem sueco foi preso na cidade de Malmö, ligado a uma dúzia de tiroteios não solucionados envolvendo imigrantes e incluindo uma morte. Os ataques a tiros – nove deles entre junho e outubro de 2010 – pareceram ser obra de um caso isolado. De forma mais ampla na Suécia, porém, os Democratas Suecos, de extrema-direita, vêm obtendo sucesso nas pesquisas. O partido entrou no Parlamento pela primeira vez após conseguir 5,7% dos votos na eleição de setembro.

A explosão e os tiroteios em Oslo servem como alerta para os serviços de segurança na Europa e nos Estados Unidos que, nos últimos anos, ficaram tão focados nos terroristas islâmicos que talvez tenham subestimado a ameaça de radicais locais, incluindo aqueles que se aborrecem com o que veem como influência do Islã.
A possibilidade de o atentado a bomba e a chacina na Noruega serem obra de um ou mais militantes da ultradireita faz a Europa enfrentar o fantasma de uma nova ameaça paramilitar, uma década após os atentados da al-Qaeda no 11 de Setembro. Vários analistas qualificaram os ataques na Noruega como um possível “momento Oklahoma City” da Europa, uma referência ao militante de direita Timothy McVeigh que, em 1995, detonou um carro-bomba em frente a um edifício do governo federal em Oklahoma City, matando 168 pessoas.

Nesse contexto, as forças policiais de muitos países da Europa Ocidental estão preocupadas com o crescimento da extrema-direita, alimentado por uma mistura tóxica de intolerância anti-islâmica e pela profunda crise econômica que o continente vem atravessando desde 2008. A combinação do aumento da migração vinda de outros países com o amplamente irrestrito movimento de pessoas numa União Europeia ampliada ajudou a estabelecer as bases para um renascimento nacionalista.

Grupos vêm ganhando força da Hungria até a Itália, mas é particularmente evidente nos países do Norte da Europa, que há muito têm tido políticas de imigração liberais. A chegada de refugiados – gente que busca asilo e migrantes econômicos, muitos deles muçulmanos – levou a uma significativa vantagem em países como a Dinamarca, onde o Partido do Povo Dinamarquês tem 25 dos 179 assentos no parlamento, e na Holanda, onde o Partido da Liberdade de Geert Wilders venceu 15,5% dos votos na eleição geral de 2010. Wilders já comparou o Alcorão, o livro sagrado do Islã, a “Minha luta”, de Adolf Hitler.

– Ao confirmarem que Anders Behring Breivik é culpado, seria muito revelador ver um ataque de extrema-direita na Europa, mais ainda na Escandinávia, algo sem precedentes – disse Hagai Segal, especialista em segurança da New York University.

Os avanços da extrema-direita se refletiram no discurso da direita tradicional.

Angela Merkel, chanceler federal da Alemanha, Nicolas Sarkozy, presidente da França, e David Cameron, o primeiro-ministro britânico, declararam recentemente o fim do multiculturalismo. O multiculturalismo “falhou completamente”, disse Merkel aos Democratas-Cristãos em outubro, mas frisando que imigrantes são bem-vindos na Alemanha. Na França, Sarkozy levantou um debate em toda a nação sobre a “identidade nacional” no ano passado e, no começo deste ano, baniu véus muçulmanos em público. Isso não fez com que a Frente Nacional, de extrema-direita e agora comandada por Marine Le Pen, a filha de seu fundador, parasse de aparecer em pesquisas de opinião, com algumas previsões de que ela deve entrar na corrida presidencial no ano que vem. Marine deprecia completamente a União Europeia e o euro.

Um informe da Europol, a agência de polícia europeia, sobre a questão da segurança em 2010, mostra que, no ano passado, não foram registradas atividades terroristas de extrema-direita. Mas o documento ainda dizia que estes grupos estavam se profissionalizando, com a produção de propaganda para a internet de natureza antissemita e xenófoba, e que tinham cada vez mais atividade nas redes sociais.

– Os grupos de extrema-direita noruegueses sempre foram desorganizados, nunca tiveram líderes carismáticos ou grupos bem-organizados com apoio financeiro, como você vê na Suécia – disse Kari Helene Partapuoli, diretor do Centro Norueguês Contra o Racismo. – Mas nos últimos dois ou três anos nossa organização e outras redes antifascistas têm avisado sobre a elevada temperatura do debate, e que grupos violentos têm se estabelecido.
*Com agências internacionais

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