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Entrevista exclusiva com Lula
11 de maio de 2010, 11h18

Nova África está chegando ao final, mas fez história na televisão brasileira

Sou testemunha da quantidade e qualidade de e-mails, comentários em diferentes blogs, mensagens no twitter, facebook, orkut e demais redes sociais que a equipe do Nova África/Baboon Filmes recebe mensalmente elogiando os episódios e solicitando cópia dos programas para utilizarem como material didático.

Em diferentes áreas e diferentes níveis escolares do ensino superior à educação básica, professores, técnicos, pesquisadores, coordenadores de cursos acadêmicos ou diretores nos escrevem solicitando os dvds da série, pois desejam implementar as experiências, os projetos, as soluções encontradas pelos africanos que nossos cinegrafistas capturaram em imagens e nossos editores e montadores foram capazes de revelar em cada episódio do Nova África.

Fomos alvo de uma campanha insidiosa e caluniosa que buscavam desqualificar a nós e à tv pública brasileira. Seguimos em frente, porque o continente africano merece ser conhecido pelos brasileiros na voz dos próprios africanos. Nosso trabalho na Série Nova África fala por si e as mensagens valiosas que recebemos mostram que a TV pública desempenhou seu papel cidadão.

Entre a Craig’s List e a mídia perecível, os professores da PUC

por Luiz Carlos Azenha,  no Viomundo

A revolução da internet ainda não chegou de fato ao Brasil. Chegará se a Telebrás, de fato, implantar uma rede nacional de banda larga que torne a rede acessível a todos os brasileiros. Não por motivos políticos, mas acima de tudo econômicos: num país continental como o nosso a interconexão entre pessoas, empresas e entes públicos tem o potencial de aumentar a produtividade, reduzir os custos com transporte e permitir a troca de conhecimento entre professores, estudantes e pesquisadores que estejam fisicamente distantes.

As equipes da Baboon que produzem o programa Nova África já deram três exemplos de como países relativamente menos desenvolvidos que o Brasil deram saltos importantes usando as tecnologias de informação.

No Quênia, ausente uma rede bancária de penetração nacional, a telefonia celular ocupou o espaço. As pessoas pagam quase tudo — inclusive passagem de ônibus — usando dinheiro eletrônico. As consequências para a economia como um todo foram consideráveis. Num país que depende da produção agrícola, os agricultores agora podem cotejar eletronicamente os diferentes preços oferecidos pelos compradores. Não saem mais de suas propriedades na zona rural com a produção perecível, não são mais reféns de um único intermediário. Melhores preços, no campo, refletem em mais consumo de gêneros de primeira necessidade e estimulam a economia como um todo.

Trechos da chamada do programa:

Revolução do Celular from Baboon Filmes on Vimeo.

Na África do Sul, uma escola de cinema, a Big Fish, se dedica a ensinar mais que o “modo de fazer”: incentiva os estudantes a filmar e refletir sobre a realidade que os cerca, rompendo com modelos importados de cultura e informação.

Um trecho:

Big Fish from Baboon Filmes on Vimeo.

Em Cabo Verde, o governo oferece conexão wireless em 14 praças públicas do arquipélago. E está interconectando todas as repartições do governo, começando pelas escolas e os hospitais. Um sistema de monitoramento de uma epidemia de dengue, em tempo real e online, permitiu calibrar a resposta do governo: o combate ao mosquito foi focado nas áreas onde era maior o surgimento de novos casos.

O Plano Nacional de Banda Larga brasileiro é, portanto, muito mais que uma forma de democratizar a produção de conteúdo e o acesso à informação.

Não há dúvida, no entanto, de que representa uma ameaça àqueles que estão acostumados a pensar dentro do quadrado, ou seja, dos que ainda estão grudados a modelos políticos, econômicos e tecnológicos do século 20 — ou os que defendem o controle de duas dúzias de famílias sobre o setor.

Dentre os novos desafios para os jornalões, por exemplo, figurará a perda de bases de financiamento tradicionais, como os classificados e os anúncios do mercado imobiliário.

Estou certo de que não demorará a surgir uma versão brasileira da Craig’s List. A Craig’s List nasceu informalmente, nos Estados Unidos, como um serviço para dar a volta nas taxas de aluguel cobradas pelas imobiliárias. Em Nova York, por exemplo, é comum o corretor cobrar um mês de aluguel como taxa no fechamento do contrato. Através da internet, os proprietários e locatários estabeleceram um canal de comunicação direta. Hoje, a Craig’s List tem ofertas de imóveis do mundo todo, inclusive aqui mesmo em São Paulo.

A migração desses dois tipos de anunciantes — dos classificados e do mercado imobiliário — para a internet, aliás, foi um das causas da profunda crise enfrentada pela mídia tradicional nos Estados Unidos.

Não há nenhum motivo para acreditar que o mesmo não está em vias de acontecer no Brasil.

Nos Estados Unidos, as saídas encontradas pelas empresas tradicionais de mídia foram múltiplas.

A Washington Post Co., por exemplo, decidiu focar seus investimentos na produção de conteúdo educativo, mais ou menos como a Abril fez no Brasil, com livros didáticos, revistas e apostilas. No caso brasileiro, nascem disso as tentativas da Abril, através de seu principal braço jornalístico, a revista Veja, de desqualificar as escolas públicas, os cursinhos, os livros didáticos ou os profissionais de educação que, literalmente, não rezem por suas cartilhas.

O NaMaria News explica isso melhor, ao tratar da venda de revistas sem concorrência pública

O New York Times se prepara para lançar um modelo híbrido na internet: parte do conteúdo produzido será pago, parte será gratuito. O grande dilema dos formuladores do modelo é que o Times não pode deixar de ser referência na internet. A internet é uma rede colaborativa e horizontal, que tromba com o modelo verticalizado, tradicional. Ser citado por alguém, na internet, como referência, é essencial para sustentar o tráfego de leitores, que agrega valor aos anúncios publicados nas páginas digitais do Times.

Depois de trombar com a parede do conteúdo pago algumas vezes o internauta geralmente se desinteressa. O Times considera oferecer todo seu conteúdo, absolutamente grátis, para blogs ou sites: seriam milhares de portas de entrada espalhadas pelo mundo, multiplicando exponencialmente o potencial de captura de novos leitores para o conteúdo exclusivo.

É um erro acreditar, portanto, que a expansão da banda larga represente um golpe de morte na mídia tradicional. Pelo contrário, o potencial econômico de uma sociedade verdadeiramente midiatizada é enorme, ainda que haja muitos desafios à frente.

Como competir com emissoras que oferecem todo o seu conteúdo online, em tempo real, na internet, como acaba de fazer a TV Brasil? Qual o impacto que isso terá no custo da propaganda? Investir em conteúdo perecível ou em documentários mais caros mas com maior potencial de reapresentação? Gastar em novelas datadas ou em seriados que possam ser vendidos mais tarde em DVD, como faz a HBO?

São todas questões pertinentes e é a resposta a elas que vai determinar o futuro dos grupos tradicionais de mídia.

Mas o potencial, como eu dizia acima, é enorme.

Quando escrevemos, na Baboon, o projeto editorial da revista Nova África, por exemplo, consideramos que por se tratar de uma emissora pública deveríamos ter compromisso com o interesse público e educativo. Levamos em conta o potencial didático da série. E buscamos uma unidade editorial entre os diversos episódios. Mais que um mosaico, um conjunto que tocasse em questões essenciais da África contemporânea: num continente eminentemente agrícola, a disputa pela terra e pelos recursos naturais como origem dos mais diversos conflitos locais; num continente marcado pelo colonialismo europeu, o resgate das culturas e idiomas, um processo que está em andamento e é fascinante; num continente marcado pela carência de infraestrutura, os saltos tornados possíveis pelas novas tecnologias.

Do lado de cá, encontramos muita gente ávida por informação de qualidade, sem os filtros que nos relegaram ao papel de consumir TV de segunda mão, via Nova York, Lisboa ou Paris ou via brasileiros cuja mente colonizada continua sustentando nossa subordinação informativa e cultural.

Por iniciativa da Baboon Filmes, todos os professores que requisitaram cópias dos programas foram atendidos. Registro, aqui, uma das mensagens recebidas de volta:

Venho agradecer sua atenção ao nos enviar os filmes sobre a África, em especial sobre Moçambique. Ficamos encantadas com a qualidade dos filmes, com o conteúdo das reportagens e com beleza das imagens.

Alunas do curso de Fonoaudiologia da PUC, assistindo o programa Nova África.

No próximo mês estaremos inciando um curso de especialização em fonoaudiologia para um grupo de profissionais de Moçambique e a possibilidade de conhecer um pouco mais sobre seu país de origem, com certeza nos ajudará muito. Em nome do IEAA e de todos os professores do nosso instituto, cumprimento a sua equipe pela produção de um material de tão alta qualidade.

Atenciosamente, Profa. Dra. Teresa Momensohn, Fonoaudióloga, Professora da PUC São Paulo, Diretora do IEAA – Instituto da Audição

Um trechinho de um dos programas a que ela se refere está aqui:

O curioso é que os que não sabem fazer ou não aceitam competir atacam justamente o modelo de concorrência pública ou de pitching adotado pela TV Brasil, quando 99,9% dos programas de rádio e TV no país são resultado de contratação direta, em decisões às vezes marcadas pelo compadrio ou pelo uso de um bem público para promover amigos e nanoamigos — na forma de espaço em programas, promoção de livros e outros favores do gênero. É o século 20, resistindo firme em pleno século 21.


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