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10 de março de 2015, 23h14

O raio gourmetizador de protestos reacionários da mídia e sua tentativa de minar o 13 de março

Mereceria um estudo de especialistas a dobradinha mídia monopolista e classe média analfabeta política no caso da cópia do cacerolazo chileno e argentino. Vamos a ela:

1) No domingo passo o dia todo fora do Facebook. Não saberia da existência da panelinha gourmet porque não moro em Ipanema, Leblon, Higienópolis, Jardins se não fosse a mídia monopolista que tentou desesperadamente ‘bombar’ este mico gourmet.

2) Foi a minha rede e não a direita que trouxe o tema até mim. Estranhei, abri a Folha e vi o papel vergonhoso deste jornaleco que assassina o jornalismo diariamente.

3) Comentei em minha rede que na minha perifa, as pessoas que não estão com a vida ganha não passam o dia inteiro no Facebook em campanha (não recebem um milhão de mega empresário pra ficar disputando 3º turno inexistente) usam as panelas pra fazer comida e domingão é dia de panela cheia de macarronada com a família.

4) Imediatamente centenas de pessoas curtiram o comentário e comentaram que onde viviam não teve panelaço algum.

5) Minha hipótese é de que a esquerda fez mais barulho nas redes sobre o factoide do que o batuque desafinado nas panelas das varandas gourmet dos jardins produziram mesmo amplificados pelos megafones midiáticos que a reaçaria sempre pode contar no Brasil.

6) Claro que a esquerda falou criticando, ironizando, colocando o piti mimado em seu devido lugar. Mas neste sentido, nas redes, foi a esquerda que acabou dando atenção a um protesto pífio que deveria ter zero de atenção.

7) Esta dinâmica da esquerda em reagir desta maneira às infantilidades desta elite descerebrada faz a gente perder o foco.

8) Eu acabei escrevendo sobre isso de um ponto de vista no campo da psicologia, dada a infantilização deste grupo reacionário, mas nem isso deveria ter feito.

9) Mas que tal voltar às nossas pautas? Criança mimada que recebe muita atenção às suas provocações ganha mais poder sobre os adultos.

10) A esquerda precisa disputar suas próprias pautas, mesmo só tendo o megafone da mídia bandida para criminalizar as lutas reais e que importam.

11) Vamos continuar permitindo que a direita, esta mídia bandida continue nos pautando? 

12) A mídia monopolista derrotada nas eleições continua desinformando de modo irresponsável. Esta matéria de O Globo que já virou boataria na redes é um exemplo do quanto podem ser baixos. Depois dela eu tenho certeza que a mobilização da CUT e dos movimentos sociais está além de certa, vai ser expressiva. O Globo não se daria o trabalho de tentar melar a mobilização se não estivesse acompanhando de perto a organização para o ato.

 cabresto

Ontem estive na coletiva no Centro de Estudos Barão de Itararé com mais de uma dezena de jornalistas e blogueiros. 
Entrevistamos o Ministro Miguel Rossetto em nenhum momento da entrevista ele disse qualquer coisa sobre o governo 
estar com medo do ATO do dia 13 ou que o governo teria pedido pra CUT cancelar o ato. Acabei de falar com a secretária
de comunicação da CUT, Rosane Bertotti ela negou qualquer ideia relacionada ao cancelamento do ato. Portanto, é uma
manchete mentirosa, feita apenas pra confundir aqueles que estão mobilizados para o dia 13.

13) O meu foco e espero que o de vocês nesta semana nas redes e nas ruas é o dia 13 em defesa do que é central ao Brasil: Reforma Política, Soberania nacional, a luta pela Democratização das Comunicações e a defesa do Estado de Direito e da Democracia.

O RAIO GOURMETIZADOR DE PROTESTOS

Por Lelê Teles

8 de março de 2015, dia internacional da mulher. Um dia histórico. Nas redes sociais, poemas, flores, elegias, elogios, declarações e quetais.

Nos shoppings, compras: sapatos, colares, anéis, flores, presentes.

Nas escolas, redações alusivas às mamães e às professoras.

Tudo como dantes.

Até que caiu a noite e a presidenta Dilma Rousseff, a primeira e única mulher eleita pelo povo para governar o Brasil – e por duas vezes – fez um pronunciamento em cadeia nacional.

Das varandas de alguns luxuosos apartamentos ouviu-se gritos, urros, bater de panelas e xingamentos: vaca, puta, filha da puta…

As crianças ainda não tinham ido pra cama. Atentai bem.
Moro na praia, daqui não ouvi nada, soube do disparate pela televisão. Apesar de mostrarem poucas luzes a piscar em alguns poucos apartamentos, os jornalistas diziam se tratar de um panelaço.

É o raio gourmetizador de protestos.

Pra mim, pra ser aço tem que ser grande. Costumamos usar o –aço como sufixo, da mesma forma como os índios do tronco tupi usam o –açú. Só que o nosso -aço é uma corruptela do espanhol –azo, el panelazo argentino e el Maracanazo uruguaio.

Portanto, só é golaço se tiver chapéu dentro da área ou se for gol de bicicleta. Dez apartamentos piscando em um condomínio de três torres não pode ser chamado de panelaço.

Foi o que costumamos chamar de panelinha, coisa feita por um grupinho seleto.

O mesmo grupo, a mesma panelinha, que mandou a presidenta tomar no cu na abertura da Copa do Mundo, pro mundo inteiro ouvir. Como se vê, um vergonhoso e reincidente ódio de gênero.

É o mesmo grupo, a mesma panelinha, que luta contra as cotas raciais nas universidades e no serviço público, são os mesmos que protestaram contra a formalização dos empregos domésticos, os que xingaram o governo porque tinha gente demais andando de avião, porque o Bolsa Família impedia que crianças morressem de fome e de inanição, as mesmíssimas personas que gritaram contra o programa Mais Médicos, a mesma panelinha que ignora o fato de o Brasil viver o pleno emprego enquanto a Europa desemprega e empobrece, os mesmos que babam ódio ao ver um garçom ou um porteiro chegando ao trabalho em um carro um ponto zero, zerinho.

Trata-se de um ódio de classe patológico.
Dito isto, digo mais.

Essa gente gritava durante o pronunciamento, o que significa que estavam pouco se lixando para o que a presidenta dizia, eles queriam era ser ouvidos, aos berros e xingando.

O diabo é que com isso eles também impediam que os seus vizinhos ouvissem o que dizia a mandatária, mesmo que estivessem dentro de casa.

E eles se dizem democratas.

São os revoltados Online, ativistas de sofás, de camarotes e agora de varandas. Nas redes sociais, a panelinha pede a volta do regime militar. Sobre o que protestam? Dizem que é contra a corrupção, contra o petrolão. Mas lá no petróleo, 32 cabras citados pelo doleiro delinquente são do PP. Mas a turma do camarote está a bater panelas contra o PT somente.

Os presidentes da Câmara e do Senado também foram arrolados, mas a turma da varanda berra contra o PT somente. Anastasia, tucano apadrinhado por Aécio, está lá, citado pelo escroque, mas o problema é o PT.

Milhares de brasileiros, entre eles artistas, políticos, empresários, médicos… foram flagrados a camuflar grana nas estranjas, no suspeitíssimo HSBC. A sigla do banco já o põe em suspeição.

Fernando Rodrigues tem a lista com os nomes, se tivesse um petista lá já teria vazado. Como não tem petista metido na maracutaia, a turma da varanda gourmet não se interessa.

Vaca, puta, filha da puta.

É uma turma de malucos, já foram liderados por Lobão, o lunático licantropo, agora seguem um tal Marcello Reis, igualmente oligofrênico e lunático. Reis afirmou cheio de empáfia sobre o xingamento da panelinha “é importante frisar que a iniciativa partiu da gente.”

Eles estão nas redes sociais a berrar vaca, puta e filha da puta, e a dizer que Lulinha comprou uma pirâmide no Egito, que Dilma quer fazer do Brasil uma mini Cuba, que a Forbes diz que Lula é muito mais rico do que Eike Batista fora um dia, que o governo vai dar bolsa para quem for preso, para prostitutas e que os nordestinos são todos ignorantes.

Querem o impeachment da presidenta, mesmo ouvindo do Ministério Público e da Procuradoria Geral da República que não há nenhum crime atribuído à chefe da nação.
Querem porque querem, ora.

Querem o impeachment, mesmo sabendo que os presidentes das casas do Congresso estão sem moral para moralismos e que os próprios líderes políticos que eles defendem, os do bico grande, sejam contra o impedimento da mandatária.

Querem levar no grito.

Embora essa gente diferenciada viva a gritar e a berrar o tempo todo e o que querem, juram que vivem numa ditadura.

Roberto Freire e a tucanagem dizem que vão subir à varanda e se juntar a essa gente, no dia 15 de março. Vai ser vergonhoso ver um líder sindical, e uma dezena de líderes políticos, marchando nas ruas ao lado de umas madames bem alimentadas, bem vestidas e cheias de ódio, mostrando o dedo médio e xingando palavrões.

Todos eles brancos, todos eles ricos, todos eles nunca foram à cozinha ou às panelas. Mas estarão nas ruas com frigideiras na mão, protestando contra as conquistas das cozinheiras e de seus filhos, quase todos eles pretos.

Palavra da salvação.

Leia também:

Dilma: a turma do 3º turno não tem compromisso com o país


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