Blog da Maria Frô

ativismo é por aqui

19 de março de 2010, 12h52

Palavras da Maria Frô, aos novos e antigos leitores e também aos detratores

Caros, antes de mais nada, gostaria de dar as boas-vindas aos novos leitores. A casa é de vocês, sejam realmente bem-vindos! Se aprocheguem, visitem as dependências, façam um passeio pelas páginas anteriores.

O Mariafro mudou muito recentemente para cá (graças ao querido @gutocarvalho) e aqui permanecerá, pois este é um domínio próprio. Antes disso o blog  já havia passado por uma mudança de plataforma e de endereço (de Blogger para WordPress). Cada vez que mudamos de casa, os endereços antigos ficam expostos nos sites amigos, os leitores se perdem, os acessos despencam e a gente tem de começar tudo de novo.

Há três dias trolleiros ‘profissionais’ iniciaram no twitter ataques contra mim e Azenha. Demorei para entender os motivos gratuitos das insinuações vendidas como ‘denúncias graves’. Eles começaram a fazer sentido quando Nassif publicou um post, que repliquei aqui, revelando que esta guerra virtual era estratégia de campanha de agências a serviço do PSDB.

Para infelicidade dos trolleiros este caso nonsense serviu para divulgar o novo endereço do mariafro. Depois que fui incluída no ‘eixo do mal’, o blog ‘bombou’: os acessos subiram mais de 600%. Confesso que além de achar engraçada toda esta notoriedade repentina do Mariafro por ter sido associado ao ‘eixo do mal’, tal ligação muito me honrou, porque, cá pra nós, é  um grande mérito uma blogueira como eu ser incluída neste time de jornalistas feras.

Confesso a vocês que custo acreditar que meu nome tenha sido mencionado na tal reunião que Nassif relatou e, se ela de fato ocorreu e eu fui apontada como ‘inimigo a ser combatido’, a música tema da campanha dos plumados deveria ser um funk: ‘Eles estão descontrolados‘.

Mas, diz o ditado popular: ‘há males que vêm para o bem’. Toda esta história me permitiu brincar no twitter, perguntando a amigos e trolleiros supostamente pagos para onde eu deveria mandar meu cartão de agradecimentos, tinha dúvidas se para o Serra ou se para os trolleiros  que além de supostamente receberem para detratar, têm preguiça de pesquisar dados públicos. O fato é que, seja pela incompetência e/ou má-fé, eles criaram factóides do estilo ‘grampo no Senado’ , ‘presidente estuprador’ contra mim e Azenha, visando atingir a tevê pública — TV Brasil –, atacar o governo Lula e usar o factóide por eles inventado, como instrumento de campanha eleitoral.

Esses senhores pelo visto odeiam a democracia, a pluralidade, alguns deles são publicamente favoráveis ao AI5 digital, suponho que pelo fato de não suportarem a idéia de não controlar mais a comunicação; de não conseguirem conviver com a existência de uma política de comunicação voltada para a cidadania, que não criminaliza os movimentos sociais, que abre espaço para que  o povo brasileiro se veja representado na tela da tevê.

Mas, como mentira tem pernas curtas, com menos de 140 caracteres e um link eles são facilmente desmascarados. Eu própria forneci o link do edital da EBC, pois eu e Azenha nunca escondemos o fato de que prestamos serviços para a Baboon Filmes, produtora vencedora de concorrência pública para a produção da série Nova África, exibida pela TV Brasil toda sexta-feira às 22 horas e com reprise na segunda-feira às 20 horas.

Nossa melhor resposta a essa gente desclassificada e desinformada é o nosso trabalho.

À época que assinei contrato de prestação de serviços com a produtora Baboon Filmes recusei uma proposta de trabalho para assumir o cargo de editora assistente em uma grande editora didática que além dos benefícios no mundo corporativo me pagaria o dobro do que ganho com os serviços de consultoria  e produção prestados à Baboon. Na mesma época recusei um convite para assumir a Diretoria de Educação de um município  paulista.

Não me arrependo de minhas escolhas, tenho imenso orgulho do trabalho que realizo e da equipe da qual faço parte: gente séria, talentosa e comprometida com a produção de programas de qualidade.

Na minha humilde opinião e  na de historiadores, antropólogos e sociólogos especialistas em África, escravidão e relações étnico-raciais no Brasil que vêm acompanhando a série, assim como na dos professores que nos escrevem elogiando o trabalho e solicitando os dvds da série Nova África para usarem nos seus cursos, essa produção além de necessária no combate aos estereótipos construídos sobre os africanos e sobre o continente africano é feita com seriedade e qualidade.

A série Nova África está em consonância com os princípios da Declaração de Durban assinada em 2001 pelo governo brasileiro na gestão FHC. Sendo um dos países signatários, o Brasil se comprometeu a desenvolver ações, materiais educativos e incentivar pesquisas que reconstruam a importância do continente africano na história mundial, combata o racismo e todas as formas de discriminação.

A série Nova África também é uma contribuição para a implementação da Lei 10639/03, cuja aprovação se deu no primeiro ato do governo Lula, em 09/01/2003, que reconheceu uma luta de longa duração dos educadores e ativistas comprometidos com o combate ao racismo no país e pela implementação de uma educação para a igualdade racial.

A série, que hoje completa seu 17º episódio e cujas informações vocês podem obter visitando o blog Nova África, dá voz aos africanos; já realizou entrevistas com grandes nomes da historiografia brasileira e internacional  do nível do africanista  Alberto da Costa e Silva,  antropólogos como o professor congolês, radicado no Brasil, Kabengele Munanga e também o antropólogo e escritor português, naturalizado angolano, Ruy Duarte,  escritores premiados como Mia Couto, artistas do mundo da música como os rappers moçambicanos Azagaia e Iveth, o artista plástico moçambicano Naguib e muitos outros…  Enfim, o continente africano que se desenha em cada episódio da série Nova África, vem chamando a atenção do público brasileiro para a riqueza, originalidade, criatividade e resistência dos africanos, contribuindo para desconstruir uma série de estereótipos e preconceitos por meio de jornalismo feito com seriedade.

Desde o início da produção da série contamos com uma infinidade de colaboradores espalhados em quatro continentes que nos fornecem imagens, documentos, materiais de apoio, mostrando que a produção do conhecimento deve e pode ser feita de modo colaborativo. Futuramente disponibilizaremos a íntegra de várias entrevistas como já fizemos com a de Mia Couto que certamente contribuirão para o trabalho de professores e especialistas em África, além de outros materiais de pesquisa como livros esgotados e artigos que recebemos autorização dos autores para publicar no blog.

Por último, um recado aos detratores que atacam a mim e Azenha no twitter e em seus blogs, lembrando que  o número de per(seguidores) trolleiros no meu perfil do twitter subiu nas alturas: eu não tenho tempo.

As acusações falaciosas que fizeram a mim além do primarismo não resistem à confrontação com a verdade dos fatos. Dizer que meu trabalho na série Nova África é devido ao meu ‘petismo’, ignorando uma concorrência pública,  transparente, cujo edital e todo processo está disponível na rede é o mesmo que ser acusada por petistas de fazer parte do time dos blogueiros de Veja ou da tchurma do Millenium, porque minhas duas coleções didáticas publicadas pelas editoras Ática e Scipione pertencem ao Grupo Abril Educação. É dizer também que os prêmios Jabuti que elas receberam foram mérito do Roberto Civita ou ainda atribuir as aprovações consecutivas que elas obtiveram em todas as avaliações do PNLD, inclusive durante o governo FHC, ao Zé da esquina. Seria também dizer que o trabalho de produção de material didático para inclusão digital realizado na Escola do Futuro/USP para o programa Acessa São Paulo é devido a favorecimento do Alckmin!

As acusações sem fundamento partem a meu ver de pessoas despreparadas, cheias de rancores e cujos preconceitos de classe e étnico-raciais são visíveis. Algumas para destruir toda e qualquer ação vinda ou não do governo Lula, esquecem-se de que parte de políticas públicas atuais dão continuidade de ações iniciadas no governo FHC, como as ações afirmativas, os compromissos em Durban-2001 ou os Planos Nacionais de Direitos Humanos, sob coordenação de Paulo Sérgio Pinheiro. Eu diria que eles não são apenas desinformados, eles têm a mente deformada por uma ideologia reacionária. Minha mãe  diria: é um ‘bando de desclassificados’ (não os do ouro de Laura de Mello e Souza, infelizmente), mas de gente sem educação mesmo:  alguns são agressivos, ferozes, com uma escrita lamentável (e depois Lula é o ‘analfabeto’) e um nível de letramento e leitura nas condições de temperatura e pressão do estado da educação em São Paulo que os professores paulistas em greve denunciam.

Mas enfim, além das informações anteriores e dos posts esclarecedores escritos pelo Azenha que podem ser lidos aqui e aqui, gostaria que lessem ainda este e este posts.  Isso evita que eu gaste meu tempo, pois ao contrário dos trolleiros pagos para atacar esta blogueira ativista que vos fala, tenho  muito o que fazer o dia inteiro e se tem algo que não posso me dar ao luxo é perder tempo com bobagens.

E para encerrar, gostaria de agradecer a todos aqueles que aqui no blog e no twitter têm me enviado mensagens de apoio e carinho, eu espero ter conseguido (embora ache que não precisava) esclarecer todas as acusações a mim imputadas e na linha do pegue os limões e faça limonada, aproveito para convidá-los a ver hoje o belíssimo episódio da série Nova África, gravado em Lalibela, Etiópia. Assistam e ajudem a divulgar a série Nova África, eu garanto, essa assim vale a pena!

Veja também:  Projeto que obriga o agressor a ressarcir SUS é aprovado na Câmara

Você pode fazer o jornalismo da Fórum ser cada vez melhor

A Fórum nunca foi tão lida como atualmente. Ao mesmo tempo nunca publicou tanto conteúdo original e trabalhou com tantos colaboradores e colunistas. Ou seja, nossos recordes mensais de audiência são frutos de um enorme esforço para fazer um jornalismo posicionado a favor dos direitos, da democracia e dos movimentos sociais, mas que não seja panfletário e de baixa qualidade. Prezamos nossa credibilidade. Mesmo com todo esse sucesso não estamos satisfeitos.

Queremos melhorar nossa qualidade editorial e alcançar cada vez mais gente. Para isso precisamos de um número maior de sócios, que é a forma que encontramos para bancar parte do nosso projeto. Sócios já recebem uma newsletter exclusiva todas as manhãs e em julho terão uma área exclusiva.

Fique sócio e faça parte desta caminhada para que ela se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie a Fórum