Blog da Maria Frô

ativismo é por aqui

Entrevista exclusiva com Lula
15 de maio de 2013, 17h41

Paulistana com filho estuda menos e tem salário menor

Paulistana com filho estuda menos e tem salário menor

Via Agência Patrícia Galvão

12/05/2013

Das mães que vivem em SP, 43% têm apenas ensino fundamental e renda é de R$ 1.006; já entre mulheres sem filho, 22% possuem a mesma escolaridade e rendimento é quase o dobro

(O Estado de S. Paulo) Ser mãe em São Paulo não é fácil. Levantamento inédito feito pelo Ibope com base nos dados do Censo 2010 mostra que as paulistanas que já tiveram filhos têm pior escolaridade e ganham menos que as que nunca deram à luz. Essa diferença, segundo especialistas, representa uma das principais angústias que as mães modernas têm de enfrentar não apenas hoje, Dia das Mães.

Fruto de uma parceria entre o Ibope e o Estadão Dados, o levantamento foi feito com métodos estatísticos e de georreferenciamento para associar respostas relativas a maiores de 16 anos do questionário estendido do Censo 2010 aos 96 distritos paulistanos. Ele faz parte da série 96xSP, que traz reportagens detalhadas sobre a cidade e temas como migração, deslocamento e religião na capital.

Os dados mostram que, enquanto 43% das mães paulistanas a partir dessa idade têm apenas o ensino fundamental ou menos, apenas 22% das mulheres sem filhos apresentam o mesmo grau de escolaridade. Na outra ponta, a porcentagem de mães com ensino superior completo (22%) é cerca de metade da das mulheres que nunca tiveram filhos (42%).

Diferenças similares são observadas na renda das trabalhadoras. Em todas as faixas etárias, as mulheres com filhos têm rendimento mensal menor que as sem. A maior diferença existe na faixa etária de 25 a 29 anos – as mães ganham R$ 1.006 e as sem filhos, quase o dobro: R$ 1.905.

“Ser mãe desequilibra”, afirma o psicólogo e professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP) Ailton Amélio da Silva. “A mulher é que carrega o fardo de cuidar do filho, por mais que o pai viva junto. A relação é desigual”, explica. Para o psicólogo, a pressão existente no mundo atual em relação ao sucesso profissional acaba sendo uma grande fonte de sofrimento para as mães. “Na geração anterior, quando a mãe era a rainha do lar e o pai, o provedor, ela tinha menos liberdade, mas não sofria essa cobrança extra. As mães atuais têm de lidar com os dois problemas.” Ele diz que o ideal é que o pai seja atuante e assuma também as tarefas de criar o filho. “Não há nada mais nobre.”

Pressão. A assessora de comunicação Fabíola Capalbo, de 35 anos, sabe bem o que é essa pressão. Sem fazer planos e sem namorado fixo, ela se tornou mãe de Gabriel em 2012, quando trabalhava como assessora na Câmara Municipal. Foi dispensada pouco depois de voltar da licença-maternidade e buscou emprego por seis meses até conseguir se recolocar.

Ela diz que sentiu que havia encontrado o local apropriado para trabalhar no processo de seleção. No dia da entrevista de emprego, a pessoa que ficaria com o filho dela faltou. Fabíola ligou para remarcar, mas as donas da empresa autorizaram que ela levasse o filho. “A empresa era de mulheres. Uma estava grávida e me senti bem aceita.”

Os pais não lhe deram apoio no início e Fabíola chegou a se mudar. No fim da gestação, a família voltou a apoiá-la. “Ainda existe um forte moralismo na sociedade, mas a maternidade também dá forças e a gente aprende a lidar com isso.”


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum