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14 de outubro de 2016, 17h40

Santiago Monteiro: Reflexões sobre o Ranking do Enem e a PEC do Teto de Gastos

Reflexões sobre o Ranking do Enem e a PEC do Teto de Gastos

Por: Santiago Castigio e Monteiro* (especial para o Maria Frô)

Cria-se um CNPJ para uma sala em que somente estão inscritos os melhores alunos: eis a fórmula que muitas escolas particulares vêm colocando em prática para figurarem como as melhores do Brasil e merecerem, dessa maneira, os investimentos dos pais, preocupadíssimos, com a formação e o futuro de seus respectivos filhos.

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Fonte: Educação Estadão

Quanto a isto, olhando primeiramente os dados do Ranking por Escola do Enem 2015, oficialmente disponibilizado pelo MEC:

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Fonte: Infográfico Estadão

Agora, considerando os Institutos Federais, que são os colégios públicos que pagam bem os professores e que foram, arbitrariamente, excluídos desse primeiro ranking oficial:

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Fonte: Estadão

Verifica-se que o “Objetivo Colégio Integrado”, que ocupa a primeira colocação geral, obteve 751 pontos na prova objetiva, enquanto o Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) alcançou 700 pontos. Na redação, o primeiro colocado entre as privadas foi o “Instituto Educacional São José unidade Mocambinho”, escola privada de Teresina/PI, já entre as públicas temos o “Colégio Aplicação da UFPE”, que obtiveram, respectivamente, 920 pontos e 851 pontos.

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Fonte: Mundo das Tribos

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Fonte: Último Segundo

No ano de 2011, conforme notícias acima mencionadas, a mensalidade dos colégios privados, que obtiveram melhor desempenho no Enem, custava em média R$ 2.000,00, o que contabilizaria um gasto R$ 24000,00 ao ano. Enquanto que, em 2009, a média de custo do aluno dos Institutos Federais girava em torno de R$ 7.200,00 ao ano, ou seja, R$ 600,00 ao mês. Assim sendo, parece-nos que a rede privada de ensino está indo muito mal, já que o custo de seu aluno gira em torno de 333% a mais que o custo do aluno na rede pública de ensino, porém a diferença de desempenho entre os primeiros colocados de ambas as redes no último Enem perfazem uma diferença de somente 7%. Essas diferenças de valores e desempenho acabam por garantir o sucesso de, ao menos, uma das partes da relação educacional: o empresário, pois este arrecada três vezes mais, entregando um serviço infimamente melhor.

O mais irônico é identificarmos que, além de pagar caríssimo por esse ensino particular medíocre, a população que faz uso deste serviço não cogita investir esse montante astronômico na escola pública de seus respectivos bairros, afinal, basta de impostos: “NÃO VAMOS PAGAR O PATO!”. Não, o melhor a se fazer é parar de investir na educação pública, uma vez que ela não funciona, vide PEC 241/2016.

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Fonte: Carta Capital

Na lógica do governo atual o melhor mesmo é matricularmos nossos filhos em colégios particulares, pois estes, sim, “entregam qualidade”. E, como o setor público não dá conta de gerir a educação de forma “eficiente”, privatizá-lo-emos.

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Fonte: The Intercept

Não há dúvida, o melhor mesmo para os homens de “bens” é destinar os recursos públicos aos militares e ao setor do agronegócio:

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Fonte: Rede Brasil Atual

Oremos: Ordem e Progresso, amém!!!

Bora trabalhar!!!

*Santiago Castigio e Monteiro é advogado, especialista em direito educacional e mestrando no Programa de Pós-graduação em Planejamento e Análise de Políticas Públicas da UNESP/Franca. Contato: castigio.adv@gmail.com


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