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25 de fevereiro de 2015, 13h05

Do relator inglês do XIX à elite do hospital Einstein o medo é o mesmo

Final do Século XIX,  os temores do relator do Comitê Parlamentar da Associação Britânica para o Avanço das Ciências  saltam com uma clareza rara e ilustravam o que de fato pensava a elite britânica.

Um documento que embora tenha sido produzido no berço do Liberalismo não fazia questão alguma de disfarçar seus temores diante da possibilidade das classes inferiores serem capazes de pensar, produzir conhecimento. Nada das falsas promessas da meritocracia, hoje tão repetido pelos neoliberais que atacam sem dó políticas públicas de inclusão. Atentem, como este discurso é cristalino:

‘… mancando, um menino pobre adiantou-se para dar sua resposta. Coxo, corcunda, rosto pálido e macilento, era nítida nele toda uma história de pobreza, com suas consequências… Mas ele deu uma resposta tão lúcida e inteligente que nas pessoas brotou um Duplo sentimento: admiração face aos talentos do menino; vexame, porque em alguém da mais baixa das classes inferiores fora encontrada, quanto a assuntos de interesse geral, mais informação do que em gente que, socialmente, era de classe muito superior.
Seria uma situação nociva e perversa, esta de uma sociedade em que pessoas relativamente desprovidas das benesses da natureza fossem, quanto à capacidade intelectual, geralmente superior aos que, socialmente, estão acima delas.” Citado por GOODSON, Ivor. Currículo: teoria e história, p. 91. Petrópolis: Vozes, 1995.

A fala daquele relator do XIX me faz lembrar da elite ignara que temos hoje no Brasil. Inculta, desonesta, sem ética, sem valores republicanos, olha apenas para o seu próprio umbigo aqui ou em Miami. Esta elite do qual fazem partes juízes que se apossam de porsche apreendido em processos judiciais, ou  médicos que espalham boatos contra ex-ministro que usa o SUS, denunciam paciente que praticou aborto, mas quando a gravidez indesejada é entre os seus não tem nenhuma dor de consciência, valor moral ou religioso que a impeça de praticar aborto, ou ainda aquela que de modo fascista envergonha para todo o sempre um hospital da nata da elite econômica do país como o Hospital Israelita Alberto Einstein. Sempre esta elite ignara e inculta que se apropria da coisa pública, tenta o tempo todo destruí-la e joga o saldo do seu botim nas costas de Dilma e antes na de Lula, e antes na de Jango, e antes na de Juscelino e antes na de Getúlio. Qualquer governo trabalhista, com um mínimo de republicanismo que acha que a classe trabalhadora também tem direitos é alvo desta elite sem qualquer princípio.

Isso me faz lembrar de como esta elite de herança escravagista reage aos avanços dos indicadores sociais do Brasil promovidos pelos governos de Lula e Dilma, como o Bolsa família que tem garantido a permanência e o aprendizado de crianças antes sem direito a sentar nos bancos escolares. Isso me lembra da mudança expressiva promovida pelo PNAIC (Pacto Nacional de Alfabetização na Idade Certa) que literalmente vem mudando a cor da exclusão no mapa brasileiro e nos mostra que quando há políticas públicas sérias, recursos são alocados os índices de alfabetização e letramento do país mudam radicalmente em poucos anos, diminuindo uma desigualdade secular como a que o relator inglês fez questão de manter enquanto pode.
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Isso me lembra que se realmente tivéssemos a prática de jornalismo no país, não um monopólio criminoso de 6 famílias dominando toda a comunicação que faz política golpista diariamente, incansavelmente, todos os brasileiros com algum compromisso real com seu país teriam muitos motivos pra comemorar.

Mas voltemos ao discurso elitista e sincero do relator inglês amedrontado com o fato de um pobre ter acesso ao saber.

Ele é tão didático para os incautos que reproduzem o discurso excludente de uma elite ignara, mas que não desfrutam do banquete.

Da próxima vez que você ouvir o discurso meritocrático, lembre-se do sentimento que está por trás dele, releia o discurso do relator inglês e saiba onde a elite de fato quer o pobre e porque a elite brasileira ataca todos os dias as políticas públicas da saúde e educação que vem assegurando direitos de saúde e educação àqueles para quem esses direitos básicos sempre foram negados.

mcbrinquedo

E que os pobres do país aprendam com MC Brinquedo: Meça sua alienação, parça! Se liga, a elite que te leva a desejar o consumo com sua imensa publicidade, mas chama a polícia para impedir seu rolezinho no shopping, quer o seu sangue, não a sua libertação, parça.


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