Sader: A elite aristocrática paulista odeia pobres, trabalhadores, imigrantes e negros, mestiços, caboclos

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Agora à noite três dos candidatos à presidência estão debatendo e o debate foi transmitido pelas emissoras afiliadas ao SBT no Nordeste.

Marina na olhadela que vi do debate morno defendeu a liberdade de imprensa como se esta estivesse em risco. Que jornais anda lendo Marina?  Com que olhos Marina lê as notícias?

Fiz um pequena provocação no twitter sobre uma fala preconceituosa e infeliz de Serra nas eleições de 2006 quando disputava o cargo para o governo de São Paulo. À época, Serra afirmou que o baixo desempenho nas avaliações dos alunos das escolas públicas em São Paulo era 'devido à migração'.

Houve uma grande reação às declarações de José Serra. Algumas podem ser lidas aqui.

À época, o professor Emir Sader escreveu um belo artigo em seu blog que transcrevo a seguir. Antes um detalhe: a realidade descrita pelo professor Emir Sader, felizmente, mudou, não devido à atuação de Serra no governo do estado de São Paulo, pois a educação na gestão Serra piorou e a relação de Serra com os professores de todos os níveis foi truculenta como foi com todos os movimentos sociais. Mudou devido às ações e políticas públicas do governo Lula, sintetizadas com propriedade por André Singer e que podem ser já medidas pelas novas pesquisas demográficas.

A "escória" do mundo

Por: Emir Sader, em seu Blog

20/08/2006

Há um tema – na Europa, nos EUA ou na América Latina – em que a divisão entre direita e esquerda permanece fortemente: o dos imigrantes. Discriminados, excluídos, criminalizados – são a nova “escória” do mundo.

Eles sintetizam algumas coisas diabolizadas no mundo contemporâneo: são trabalhadores, sem qualificação profissional, são pobres e são de etnias não-brancas. Nenhuma síntese poderia sintetizar tantas qualificações infelizes como essas.

Direita e esquerda podem estar embaralhadas em muitas coisas. Discute-se se continua a haver linhas demarcatórias entre elas. Mas em um ponto a sensibilidade da direita e da esquerda se diferenciam: a execração ou a solidariedade com os trabalhadores imigrantes.

Trabalhadores imigrantes – porque disso se trata: se emigra para buscar trabalho, quando o neoliberalismo concentra, mais do que nunca na história da humanidade, as possibilidades de sobrevivência. Vivem muito mal, discriminados, excluídos em São Paulo, os nordestinos. Vivem muito mal, discriminados, excluídos nos EUA, os mexicanos. Mas ainda assim estão melhores do que nos seus lugares de origem – o que por si só condena as condições de vida nesses seus lugares de origem.

Como são imigrantes, são os “outros”, aspecto reforçado pelas etnias distintas que costumam caracterizá-los: chicanos nos EUA, africanos na Europa, caboclos no centro-sul do Brasil. Uma civilização construída sob os pilares do racismo – da consigna “civilização ou barbárie”, em que civilizados são os brancos, anglo-saxões, protestantes ou católicos. Bárbaros são todos os “outros”. O “orientalismo”, concepção desenvolvida pelo palestino Edward Said, revela como o ocidente amalgama tudo o que não é “ocidental”, nessa categoria que designa o seu “outro”.

Trabalho, pobreza, etnia – uma síntese desses três elementos desqualificados pelo capitalismo neoliberal constitui as determinações essenciais dos imigrantes. A esses se agrega sua origem na periferia do capitalismo, no “atraso”.

Quando alguém atribui aos imigrantes a responsabilidade por algum problema numa sociedade – a violência, o desemprego, o mau desempenho do sistema educacional -, está expressando o pensamento conservador, o pensamento de direita, que exorciza os problemas dessa sociedade num bode expiatório. Para isso busca um “outro” sobre o qual recaia a culpa dos problemas gerados por essa própria sociedade.

O candidato tucano a governador de São Paulo tentou justificar o péssimo sistema educacional do estado usando os imigrantes como bode expiatório, depois de tantos anos em que governaram o estado contra a educação e os imigrantes. Um direitista se deixa trair neste tema. A elite aristocrática paulista odeia pobres, trabalhadores, imigrantes e mulatos/negros/mestiços/caboclos. Sabem que é a outra cara - antagônica - da Daslu e da sua insaciável riqueza.