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16 de dezembro de 2010, 13h29

Segundo Marcelo Nery: Nova Classe média Brasileira é mais feminina, negra e nordestina

A confiar na precisão do relato abaixo, confesso que os economistas e sociólogos mais me confundem que me esclarecem.

Como é que a luta por diminuição na jornada de trabalho pode servir às elites? Por que  a melhoria do transporte público que deve ser obviamente melhorado deve ser posta como alternativa para não se diminuir a jornada de trabalho? E mais como é que  uma tese desta pode ser defendida por uma economista mulher? As mulheres sofrem sistematicamente de jornadas duplas, triplas….

Essas são algumas das questões que surgiram ao ler este post dos desenvolvimentistas, além do ‘ralé’ que foi duríssimo de engolir e outras cositas mais…..

Diálogos Desenvolvimentistas: Classe média

Por: Diálogos Desenvolvimentistas

15/12/2010

Mulheres, afrodescendentes, com taxa de crescimento de 9% ao ano entre 2003 e 2009, tendo o nordeste enquanto seu celeiro e registrando crescimento de 2% acima da média nacional, ao ano. Esse é o perfil básico da Classe média brasileira, apresentado pelo Professor Marcelo Nery, epsecialista da FGV.

A idéia foi apresentada na ultima quarta feira, em seminário organizado pelo professor da Harvard Law School e ex-ministro de Assuntos Estratégicos Mangabeira Unger, na Escola de Direito da FGV-Rio. Além do Professor Mangabeira Unger, ex-Ministrdo da Secretaria de Assuntos Estratégicos, outros dois especialistas estavam presentes no seminário: Márcio Pochmann, presidente do IPEA, e Marcelo Nery, especialista da FGV. Rudá Ricci, também participante do seminário, contribuiu com suas observações pessoais para as reflexões dos Desenvolvimentistas.

Rudá Ricci observou que o economista Márcio Pochmann não acredita em uma mudança na estrutura de classe brasileira, ou, mas sim em mera mobilidade social, ou seja, os brasileiros transitando entre os estratos de classe. “Essa mobilidade social é o charme do capitalismo brasileiro.” Pochmann destacou ainda que nossa estrutura fiscal regressiva penaliza os mais pobres, além de chamar atenção para o esgotamento do modelo de transferência de renda, e Ricci considerou-se mais próximo à leitura do presidente do IPEA.

Já o Professor Mangabeira Unger sugeriu uma nova divisão de classes no país. São quatro, de acordo com o relato de Ricci:
– a classe média tradicional, branca, que sugere cópia do modelo europeu ou norte-americano de sociedade, agente política decisivo para a história do país, baseada no emprego público e profissões liberais;
– classe média emergente: negra ou parda, que sustenta a auto-salvação individualista, empreendora, baseada no mercado formal e também informal;
– massa pobre: “ralé”, cuja maioria é composta por mulheres;
– os “batalhadores”: pobres e empreendedores, que possuem dois ou três empregos, subjetivamente vinculada à classe média emergente e objetivamente vivendo como ralé.

Essa divisão foi questionada por Ricci, que considerou que a expressão política das classes médias (tradicional e emergente) é absolutamente individualista e ressentida. “Não há expressão de empreendedorismo, mas de manutenção do status adquirido.” O relato de Ricci sobre o seminário se encerrou com um comentário sobre a exposição de Marcelo Neri. fez uma exposição baseada no Critério Brasil e na PNAD. Rudá diz que “O que me pareceu insólito foi sua sugestão de entender a nova classe média como um ‘estado de espírito’, fundada na intenção de subir na vida. E, a partir daí, sugeriu a adoção do índice de felicidade futura como indicador importante de medida do desenvolvimento. Fiquei surpreso com a proposta.”

A visão do presidente do IPEA foi bem recebida entre os Desenvolvimentistas. Mauro Patrão concordou com Pochmann ao reconhecer avanços do governo Lula, mas destacar também “o distante horizonte de uma sociedade brasileira mais justa socialmente e mais emancipada politicamente”, nas palavras do analista. Mauro lembrou que Pochmann defende mudanças no regime trabalhista, como a redução progressiva da jornada de trabalho e uma idade mínima para entrada no mercado de trabalho, 20 anos. Mudanças estruturais na sociedade e no funcionamento do capitalismo também são condições necessárias para alçar uma alteração nesta distribuição de classes. Mauro Patrão destacou quatro delas: a democratização do Judiciário, como eleições diretas para ministros dos tribunais superiores. Democratizar também a ciência, que “deveria se iniciar já no sistema educacional básico, com professores mais críticos e bem informados de como se dá de fato a construção do conhecimento científico e tecnológico”, explica Mauro.  Ele defende também a democratização do serviço público e das empresas privadas.

A economista Ceci Juruá junta-se ao coro da democratização, mas discorda, por exemplo, da redução da jornada de trabalho. “Para mim a redução do tempo de trabalho é mais uma medida que só favorece elites. Se, ao invés disso, melhorássemos o sistema de transporte urbano, poderíamos reduzir de 5-6 horas para 2-3 horas o tempo de deslocamento de todos os trabalhadores. Seria uma medida de caráter universal, democrática. E olhem que não é tão dificil assim, custaria muito menos que a redução de horário”, defende a economista.

Ainda na tônica da democratização, Paulo Metri destaca a comunicação de massas. ” ‘Democratização’ vem acompanhada da idéia do povo expressando sua vontade. Mas, povo que vota desinformado pode votar contra seus próprios interesses – e o marketing eleitoral serve principalmente para isso”. Metri lembra o esforço de Fábio Konder Comparato, partidário da democracia direta, com iniciativas como plebiscitos e referendos.Será que não merecia existir um plebiscito sobre a construção de usinas nucleares? Ou a permissão para empresas estrangeiras atuarem no pré-sal? Ou o aborto? Ou a definição da maioridade? Obviamente, com reais campanhas de esclarecimento antes das votações.” Explicou Metri. Mauro Patrão considerou, ainda, que é preciso ter objetivos ousados, mas com estratégias adequadas. “Por isso afirmei que a condição básica para os futuros avanços são as reformas da Comunicação (incluindo o plano de banda larga) e a reforma Macro-econômica (incluindo a queda da taxa de juros).As condições políticas para a realização dessas reformas foram gestadas pelo governo Lula. Cabe ao governo Dilma o trabalho de parto!”


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