sexta-feira, 25 set 2020
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UPPs, embora criticadas, reduziram a letalidade da polícia do RJ em mais de 30%

O Brasil responde por 11% dos homicídios ocorridos no planeta. A polícia mata 6 pessoas por dia no Brasil!

Em cinco anos (2009  a 2013) a polícia brasileira matou 11.197, isso é mais que a polícia dos Estados Unidos matou em 30 anos, lembrando que os Estados Unidos tem mais de 100 milhões de habitantes que o Brasil, aqui 200 milhões, lá 319 milhões.

As que mais matam são as polícias paulista e fluminense. Mas por incrível que possa parecer a polícia fluminense diminuiu sua letalidade com a instalação das tão criticadas UPPs. Em 2009 a polícia do Rio matou 1.048 pessoas sendo responsável por  54% de todas as mortes praticadas pela polícia de todos estados brasileiros. Em 2013 este número caiu para 419 mortes praticada pela polícia do Rio e representou 20% das mortes provocadas pela polícia no restante do país. No mesmo ano a polícia paulista matou mais: 583 pessoas.

Em São Paulo a polícia não descansa nem quando está de folga: 40% das mortes provocadas por policiais foram praticadas quando estes estavam fora de serviço.

A violência custa caro. Ela representa mais de 5% do PIB do país: em 2013 foram gastos com R$ 39 milhões com contratação de serviços de segurança privada, R$ 36 milhões com seguros contra roubos e furtos e R$ 3 bilhões com o sistema público de saúde, R$ 4,9 bilhões para manter as prisões e unidades de cumprimento de medidas socioeducativas, fora os investimentos governamentais de R$ 61,1 bilhões em segurança pública. Além disso entram no cálculo do custo da violência social o número de vidas perdidas, ‘capital humano’: R$ 114 bilhões, sem contar a força de trabalho que se perde com invalidez, a violência social no Brasil custou  258 bilhões em 2013.

Quantos hospitais, escolas universidades poderiam ser construídos com esta fortuna se ao invés de matar, as polícias fizessem efetiva segurança pública? Quanto o país economizaria se os estados investissem na formação de polícias mais preparadas e melhor remuneradas que não se envolvessem com tráfico, jogos ilícitos e outros crimes?

Os dados estatísticos foram levantados  pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, publicados no Anuário Brasileiro de Segurança,  divulgados nesta segunda-feira(10). Na publicação também há uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas que mostra que  57% dos entrevistados acreditam ser possível desobedecer as leis e  81% dizem que sempre é possível “dar um jeitinho” para não cumprir as leis.  Quanto maior a renda maior, maior a sensação de impunidade. E é em Brasília que está a maior parte das pessoas que acham que é possível dar um jeitinho.

Com informações de G1 e Folha

Maria Frô
Maria Frô
Historiadora, pedagoga, educadora, formadora, blogueira, autora de coleções didáticas e séries para a televisão.