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18 de março de 2020, 18h14

Coronavirus reumaniza o planeta automatizado pelo capitalismo

O coronavírus veio nos reumanizar e quem ainda não entendeu isso, vai ficar odiando sozinho.

Um outro mundo é possível. Foto: Reprodução

O velho Marx estava correto. A direita no mundo todo estatiza hospitais, defende a saúde pública, fecha shoppings e reconhece que é o trabalhador que gera a riqueza do mundo. Se desespera vendo o trabalhador cruzar os braços.

O deus Consumo foi posto à prova numa velocidade estonteante.

Quem diria que gotículas salivares fossem capazes de cerrar fronteiras e derrubar o deus Mercado.

Quem diria que a sisuda Poli-USP colocaria seus professores lecionando de suas casas e descobrindo que podem fazer uso do hangout e dar boas aulas com politécnicos em suas salas, ou deitados na cama interagindo entre si e com o professor. É mais uma vez o coronavírus ressignificando uma instituição que desde o século XVI permanece imutável.

Quem diria que todos rapidamente descobriríamos que a vida merece respeito e seu valor é inestimável e que a minha vida depende dos seus cuidados em evitar o contato social e a sua depende que eu faça o mesmo.

A velocidade automatizada do Capital recebeu freios do governante mais liberal que existe no planeta. (Um parênteses: Bolsonaro não conta, é um idiota que não tem a menor ideia do que faz na presidência.)

A arte que traz reflexão

No meio à pandemia que aterroriza o mundo, a arte é ressuscitada e está longe de ser o pum de talco do palhaço de Regina Duarte. É arte crítica, é Bella Ciao cantada e tocada nas varandas italianas contra os fascistas do século XXI e seu ultraneoliberalismo nefasto. É a poesia da colombiana Edna Rueda Abrahams que invade os grupos de whatsapp. É Fábio Assunção declamando generosamente Zélia Duncan para os que estão de quarentena em seu instagram. É Pavarotti cantando Nessun Dorma enquanto a esquadrilha da fumaça italiana desenha a bandeira nacional. É carta poema do coronavírus para a humanidade e uma infinidade de expressões artísticas com lirismo, humor, crítica, humanização, ressaltando os valores que realmente importam.

O coronavírus veio nos reumanizar e quem ainda não entendeu isso, vai ficar odiando sozinho.

Apreciem:

 
 
 
 
 
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Álbum Acesso. 1998. #CulturaEmCasa #FiqueEmCasaSePuder #Solidariedade #CoronaVirus

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“E assim, um dia, o mundo se encheu da desastrosa promessa de um apocalipse viral e, de repente, as fronteiras que foram tão defendidas com guerras se quebraram com gotículas de saliva, houve equidade no contágio que foi distribuído igualmente aos ricos e pobres, as potências que se sentiam infalíveis viram como se pode cair ante um beijo, ante um abraço. E nos demos conta do que era importante, e então uma enfermeira se tornou mais indispensável que um jogador de futebol, e um hospital se tornou mais urgente que um míssil. As luzes foram apagadas nos estádios, os filmes pararam de ser filmados, as missas e os encontros em massa. E então, no mundo, houve tempo para refletir sozinho, e esperar em casa que todos chegassem para se reunirem em frente as fogueiras, mesas, cadeiras de balanço, redes e contar histórias quase esquecidas. Três gotículas de ranho no ar nos levaram a cuidar dos nossos anciões, a valorizar a ciência acima da economia, nos disseram que não apenas os indigentes trazem pragas, que nossa pirâmide de valores estava invertida, que a vida sempre veio primeiro e que as outras coisas eram acessórios. Não há lugar seguro, na mente de todos nós cabem todos, e começamos a desejar o bem ao próximo, precisamos que se mantenha seguro, que não fique doente, que viva muito, que seja feliz, e junto com uma paranóia fervida em desinfetante, nos damos conta que se eu tenho água e ele de mais distante não, minha vida está em risco. Voltamos a ser uma aldeia, a solidariedade se tinge de medo e com o risco de nos perdermos isoladamente, há apenas uma alternativa: sermos melhores juntos.” #coronavirus #ForaBolsonaro

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