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28 de novembro de 2019, 15h46

Família Padilha vence a Veja por 3 x 0 em segunda instância

O Blog da Maria Frô, que acompanha o caso desde o início, registra a derrota da revista na Justiça, depois de matéria com fake news

Foto: Rafael Mendonça

Como a Fórum noticiou na última terça-feira (26/11), Padilha obteve mais uma vitória contra Veja na ação que moveu contra a revista e o jornalista Felipe Moura Brasil por calúnia e difamação.

Em fevereiro de 2015, o Maria Frô foi o primeiro blog a denunciar a fake news produzida por Veja contra o atual deputado federal Alexandre Padilha, à época Secretário da Saúde de São Paulo.

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Sem nunca ter conversado com o casal ou com os profissionais do Hospital Municipal Vila Nova Cachoeirinha, Veja publicou uma matéria caluniosa sem nenhuma fonte, sem nenhuma checagem, na qual Felipe Moura Brasil acusava Alexandre Padilha de turbinar o referido hospital, assim como fazer uso de corpo clínico privado para fazer o parto de sua esposa, a jornalista Thássia Alves.

Para pessoas como Felipe Moura, o SUS é como castigo, pois saúde é mercadoria e não é direito fundamental. Assim, na visão do “jornalista” era impossível que um ex-ministro da Saúde pudesse ser usuário do SUS e permitir que sua filha nascesse num equipamento público de saúde. (Entenda toda a calúnia lendo aqui).

Em junho de 2018, novamente o Maria Frô noticiou em primeira mão a vitória do casal Alexandre Padilha e Thássia Alves contra a Veja nos tribunais de primeira instância. (Recorde aqui).

Thássia foi, possivelmente, a pessoa que mais sofreu com a fake news de Veja. À época, sua filha nasceu prematura, passou 28 dias internada no hospital e a jornalista teve de lidar ainda com a calúnia de Veja e suas consequências. Em 2016, quando entraram com o processo contra a revista muitas pessoas desestimularam o casal: “Nós sabíamos que era uma luta entre Davi e Golias. Ao processar um veículo de comunicação imenso, as chances de vencer eram pequenas”, argumenta.

Por isso, ela comemorou a vitória em primeira instância e ficou aliviada com o fato de a decisão ter sido mantida em segunda instância. Entretanto, Thássia não esquece dos danos que sofreram. Ela lembra que, além de sua própria família, os profissionais do hospital de Vila Nova Cachoeirinha foram atingidos com a fake news, com grande visibilidade no site da revista Veja. Assim, nunca haverá uma reparação, em absoluto: “Sinto que é uma vitória importante, porque não podemos deixar de perseguir a verdade, essa era a intenção do processo desde o início”, argumenta a jornalista.

Foram três votos a zero no julgamento de segunda instância: “Essa decisão em segunda instância reconhece que a verdade estava do nosso lado, de que o que a Veja fez não foi jornalismo, foi publicar uma mentira, caracterizada como fake news”.

Ela prossegue: “Tem dois lados neste processo que são importantes: um é justamente por conta do momento que estamos vivendo, onde a mentira é tão potente. Assim, vencer um processo como esse significa que temos de perseguir a verdade, não podemos nos calar, nos intimidar. Do ponto de vista familiar, é extremamente importante para a história da minha filha. Daqui a alguns anos, quando ela quiser saber onde nasceu, como ela nasceu, ela não pode ter nenhuma dúvida sobre o que aconteceu”.

Por isso, para que a verdade possa prevalecer, Thássia é incansável e promete ir até o fim nesta batalha contra Golias.

Depois do episódio que viveu, o interesse pelo tema aumentou. Thássia está acompanhando a CPI das Fake News no Congresso e ressalta: “As instituições precisam se posicionar urgentemente sobre este tema. Ano que vem é eleitoral, as regras precisam ser claras, precisam estar colocadas ao lado da verdade. Precisa haver prejuízo para quem mente buscando alterar o jogo. Precisa haver punição para quem produz e espalha notícias falsas com a intenção de difamar, destruir reputações, causar nebulosidade sobre qualquer ponto da verdade”.

Mesmo diante do governo Bolsonaro, que corta recursos em áreas fundamentais como a saúde, e que mudou inclusive o modelo de financiamento do SUS, a família continua a fazer uso dos equipamentos públicos de saúde. Quando o assunto entra em pauta Thássia sem hesitar responde: “Somos 100% SUS”.

A vitória em segunda instância não traz mudanças no processo. Os valores da indenização e a decisão de tirar do ar a matéria caluniosa de Felipe Moura Brasil permanecem. Este blog tem profundo interesse no desenrolar desta história, porque é escrito por uma ativista em defesa da democratização das comunicações. Assim, continuaremos a acompanhar o caso.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

 


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