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11 de julho de 2019, 11h43

Que novos Paulos de conversas afiadíssimas ocupem esse enorme vazio deixado por ele

Paulo nunca foi petista, apesar de ser alvo de uma extrema-direita fascista. Ele era trabalhista, admirador de Getúlio e brizolista de coração, daí sua afinidade em pontos onde os governos petistas se aproximaram do trabalhismo

Paulo Henrique Amorim, em seu estúdio do Conversa Afiada (Reprodução)

Ontem estava no meio do mato, sem internet. Ao entrar num café em Serro, MG, pergunto se tem wifi e descubro a triste notícia que Paulo Henrique não estava mais entre nós.

Conheci Paulo Henrique Amorim na infância, pela televisão. Descobri depois em pesquisas escolares que ele foi o primeiro jornalista brasileiro a falar do ebola, na década de 1970.

Muito tempo se passou e Paulo Henrique era para mim o repórter internacional famoso da televisão. Na rede era voraz leitora do Conversa Afiada e blogueira do Maria Frô.

Não sei se 2008 ou 2009 estava jantando com Azenha e encontramos Paulo e Geórgia, fomos apresentados e conversamos rapidamente. Em 2010 estávamos trabalhando lado a lado para a organização de um encontro nacional de blogueiros, onde nasceria o blogprog nas mesas do Sujinho e todas as nossas batalhas no Centro de Estudo de Mídias Alternativas Barão de Itararé.

Paulo era divertido, tinha tiradas ótimas, sarcástico, sem paciência com a burrice humana. Não perdia tempo, nunca. Era daqueles de colocar vassoura atrás da porta para visita aborrecida ir embora. Seus jantares eram fantásticos, sempre generoso, sempre honrando jornalistas honrados.

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Lembro-me que foi eu a apresentar a ele o twitter e a ensiná-lo a usar a ferramenta de modo a divulgar melhor seu trabalho. Foi um aluno exemplar, em pouquíssimo tempo ele bombava com seus piados afiados.

Divulgador da expressão PIG (criada pelo deputado pernambucano do PT, Fernando Ferro) Paulo Henrique foi um bastião da resistência de uma imprensa combativa, num país onde a mídia é mais concentrada que a terra. Seus textos e vídeos no Conversa Afiada lhe renderam ao menos uma centena de processos. Por isso Paulo sempre dizia: a liberdade de expressão no Brasil custa muito alto. É cara. E ele pagou o preço para sempre dizer o que pensava e nunca se calou.

Paulo nunca foi petista, apesar de ser alvo de uma extrema-direita fascista. Ele era trabalhista, admirador de Getúlio e brizolista de coração, daí sua afinidade em pontos onde os governos petistas se aproximaram do trabalhismo.

Paulo fará uma imensa falta aos amigos, eu, Miro, Azenha, Rodrigo, Eduardo Guimarães, Renato Rovai, Conceição Lemes, Nassif, Leandro Fortes que com ele criamos o BlogProg passamos o dia de ontem numa tristeza sem fim. Sua ausência é uma perda imensa para a democratização da comunicação no Brasil. Sua pena afiadíssima nesses tempos de fascismo absoluto, de ataques a direitos sociais, civis, ambientais e trabalhistas era mais que necessária. Os escrotos, sem coragem, sem caráter celebravam ontem sua morte, isso mostra a grandeza de Paulo Henrique Amorim diante da pequenez de seus inimigos.

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Que Paulo tenha inspirado a juventude em suas tantas palestras para jovens de luta, para que novos Paulos de conversas afiadíssimas ocupem esse enorme vazio deixado por ele.

Um beijo solidário a Georgia. Descanse em paz, meu amigo.

Frô


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