quarta-feira, 23 set 2020
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Anos 80: Síntese de uma batalha

Os anos 70 foram considerados o renascimento hollywoodiano, os diretores sairam de tras das asas do estúdio e passaram a fazer filmes por eles mesmo, sem aceitar os dedos dos financiadores maculando seu sagrado projeto. Dessa revolução surgiram: Poderoso Chefão, Bonnie e Clyde, Laranja Mecânica, Chinatown, entre outros clássicos.
Os anos 80 é a síntese da disputa de produtores vs. diretores, agora os filmes embora ainda fossem dirigido de forma independente, havia o comprometimento por parte da direção de gerar dinheiro. Eis alguns dos filmes mais vistos dos anos 80:

Ovelha negra dos chamados “moleques de hollywood” (Coppola, Scorcesse, Altman, etc), Steven Spilberg sempre teve um gênero voltado para o comercial. Foi dele o primeiro grande blockbuster (Tubarão). Com E.T. Spilberg amadurece e concilia seu senso comercial e criativo. O filme é uma obra de arte da narrativa cinematográfica, clássica história sobre aceitar o desconhecido (previamente rejeitado em “Tubarão”). Um dos melhores elencos infantis do cinema fazem de E.T. inesquecível.

A saga “Star Wars” começa nos nos anos 70, mas tem seu clímax tempos depois em 1983. George Lucas teve a capacidade de criar uma infinidade de personagens que são até hoje ícones da cultura pop. Darth Vader, Princesa Léia, Luke Skywalker, Han Solo e os simpáticos robôs R2D2 e C3PO. Talvez pela falta de boa parte desta coletânea de personagens eternos a 2ª parte da saga (lançada nos anos 2000) não deu certo.

O que acontece quando os dois maiores criadores de aventuras se juntam para fazer um longa metragem?
Resposta: Um filme pipoca de primeira! Misturando aventura, ação e fantasia, “Caçadores da arca perdida” e todas as continuações com o arqueólogo Indiana Jones fizeram um estrondoso sucesso nos anos 80. Não é de se surpreender! Como não se encantar com o carisma do Professor Jones e não perder o fôlego com cada cena de perseguição, seja por uma pedra ou por nazistas. Indiana Jones é o símbolo dos anos 80 e o que ele tem de melhor.

Quase um filme B (estilo de filme exibido em cinemas trashs nos EUA), porém ainda um dos mais importantes do gênero. A vitória de Batman de Tim Burton nas bilheterias abriu as portas para outros filmes de super-heróis chegarem aos cinemas. Não adianta comparar Jack Nicholson e Heath Ledger, os dois coringas são personagens extremamente diferentes (mais sobre isso no post: Batman, psicologia do morcego). O filme pode ter envelhecido mal, mas ainda merece uma segunda conferida.

Uma de minhas aventuras preferida, “De volta para o futuro” é definitivamente o melhor filme do gênero viagens no tempo. Marty McFly e sua máquina responsável por lhe trazer de volta a sua origem em 1955 representam a infância de muita gente nascida nos anos 80/90. O filme é parte de uma trilogia que incluiu o ótimo “De volta para o futuro 2” e o fraco “De volta para o futuro 3”. Mesmo com seus maus momentos, ainda não se fez filme similar até hoje.

Cesar Castanha
Cesar Castanha
Do encanto com os créditos de abertura de "Alice no País das Maravilhas", visto religiosamente sempre que exibido nas tardes de sábado pelo SBT, veio a paixão pelo cinema como experiência estética, transformadora e expressão de uma ideia, uma história ou do próprio experimento. Por amar o cinema para além dos padrões de qualidade impostos a ele pela mídia, por outras instituições e até por uma crítica datada, veio o meu amor por conversar sobre cinema, aderi-lo, defendê-lo, apropriar-me dele. O Milos Morpha é uma conversa sobre cinema. Aqui, o texto nunca é certo e definitivo. O cinema não é uma fórmula para que cada cineasta se aproxime da solução mais correta, é um conjunto de experiências artísticas que já dura mais de 100 anos, é dessa forma que criticamente percebemos e experimentamos o cinema no Milos Morpha.