segunda-feira, 21 set 2020
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Crítica de: Harry Potter e o Enigma do Príncipe


Muitos concordam que o livro do qual esse filme em particular foi adaptado resulta em ser o mais fraco da série de livros escrita por J.K. Rowling, devido a esse fato muitos fãs (no que eu me incluo) não esperavam maravilhas, porém receberam algo que pode ser talvez ainda melhor que a obra original. Ou essa bendita frase foi um fruto da empolgação deste fã em particular.

O sexto filme, já a partir da primeira cena, quebra a velha fórmula dos filmes de Harry Potter. Não começa na casa dos Dursley, nem na toca, sequer começa com aquela musiquinha conhecida por todos. E, ainda ao desenrolar da história é bastante perceptível o quanto a história mudou. Hogwarts como escola é pouco destacada, ela passa a ser um palco para vários acontecimentos, apenas um palco. Não é um sexto filme, é na verdade o primeiro da trilogia que fecha a saga que marcou os últimos 11 anos.

David Yates é um diretor bastante respeitável, é óbvio a melhora na atuação do trio principal, Emma Watson recuperou o controle da personagem de Hermione, fazendo mais como a original, Daniel Radcliffe está aceitável no papel de Harry Potter e Rupert Grint (talvez o melhor dos três) sofre com o roteiro de seu personagem. O diretor também acrescentou cenas, excluiu outras, sempre sendo responsável ao fazer esse tipo de coisa. É um filme sim bem diferente do livro, mas tá na hora de alguns fãs encararem a diferença entre cinema e literatura.

Vale lembrar que Harry Potter não tem mais 11 anos, e ele também já passou pela fase do primeiro beijo, o romance nesse filme está mais forte, e não é só Harry que está sofrendo de amor. Embora algumas cenas do tipo tenham sido bem piegas (aquele biquinho ainda vai ser clássico).

Na questão técnica não pode se dizer muito contra o filme, a direção de fotografia foi tão boa que me fez lembrar um certo prêmio que rola no início do ano que vem. Hogwarts não é mais um lugar ensolarado onde o trio de amigos passeiam ao redor do lago e vão visitar o amigo guarda costas, a escola assume uma postura mais gótica mas também não é muito escuro, ou seja, na medida certa.

Essa história toma lugar no início de uma guerra entre os bruxos, Voldemort e os comensais da morte estão causando morte e destruição tanto para bruxos quanto para trouxas. Nem mesmo Hogwarts é tão segura quanto antes. Dumbledore, diretor da escola, dedica seu ano a preparar Harry no combate contra Voldemort, você pode pensar que essa preparação inclui Harry aprendendo a usar magia mas não é bem isso, a ideia é que ele conheça mais do passado do seu inimigo. Para tanto é crucial a presença de Horácio Slughorn (Jim Broadment, ótimo) como professor da escola. Enquanto isso Draco Malfoy (Tom Felton, sempre o melhor dos jovens atores) está cumprindo o dever com o seu amo.

Quando se tem aula de redação você aprende o que é necessário para a construção de uma história. Um começo no cotidiano, um pré clímax, um clímax, e o retorno para o cotidiano. Esse filme vai até o clímax e é então interrompido, para saber o final espere um ano e meio, ou melhor, dois.

Por: Cesar Castanha

Cesar Castanha
Cesar Castanha
Do encanto com os créditos de abertura de "Alice no País das Maravilhas", visto religiosamente sempre que exibido nas tardes de sábado pelo SBT, veio a paixão pelo cinema como experiência estética, transformadora e expressão de uma ideia, uma história ou do próprio experimento. Por amar o cinema para além dos padrões de qualidade impostos a ele pela mídia, por outras instituições e até por uma crítica datada, veio o meu amor por conversar sobre cinema, aderi-lo, defendê-lo, apropriar-me dele. O Milos Morpha é uma conversa sobre cinema. Aqui, o texto nunca é certo e definitivo. O cinema não é uma fórmula para que cada cineasta se aproxime da solução mais correta, é um conjunto de experiências artísticas que já dura mais de 100 anos, é dessa forma que criticamente percebemos e experimentamos o cinema no Milos Morpha.