Milos Morpha

por Cesar Castanha

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05 de setembro de 2009, 19h28

Crítica: Up – Altas Aventuras


No início do ano fomos avisados de que o próximo filme da parceria Disney*Pixar, Up – Altas Aventuras, teria sua estréia no Brasil adiada em 5 meses, em vez de maio, só viriamos a assistir o filme em setembro, quando o mesmo já lançava em DVD lá fora. E sinceramente, valeu a espera.

Um ano atrás a Pixar nos mostrou o que parecia ser o ápice de sua genialidade, a melhor animação de todos os tempos. Wall-e, o filme sobre um robô com sentimentos sozinho na Terra era uma obra prima do cinema. E apenas em um único ano, já no seu filme seguinte, um mísero ano depois, o mesmo estúdio se supera mostrando a história de um velho solitário em busca de realizar o sonho de sua falecida e amada esposa.

Agora, enquanto escrevo essas linhas penso comigo mesmo se a Pixar vai continuar assim, sem limites para realizar essas obras fantásticas em constante superação. Ao lembrar até mesmo do trailer de Toy Story 3, visto no cinema, chega a reflexão de que talvez nos anos seguintes animações cada vez melhores cheguem aos cinemas trazidas pela Pixar animation studios.

Tenho que dar meus parabéns a John Lassester, que pela terceira vez ignorou o que diziam os acionistas sobre os possíveis fracassos de bilheteria de seus filmes sobre ratos cozinheiros, robôs apaixonados e velhinhos solitários. Na opinião desses homens, magnatas da animação, o estúdio devia voltar a se focar em filmes de super-heróis e carros ultra velozes (sem desprezar Os Incríveis e Carros). Mal sabem eles que a idéia de repetir seus filmes é abobinante para Lassester, que se torna cada vez mais o senhor da originalidade. A única continuação da Pixar (Toy Story 2) teve um roteiro completamente original e ainda superior ao filme de origem.

E mesmo vivendo nesse mercado que anseia por robôs gigantes, e filmes com muitos efeitos especiais que lucram 400 milhões em uma semana, Lassester entrega um filme inocente, infantil e emocionante que conta a história de um homem que aos seus 78 anos decide realizar o sonho de infância da sua falecida esposa, viajar para as grandes cachoeiras na América do Sul. Para a surpresa de Carl (maravilhosamente dublado por Chico Anysio) ele está sendo acompanhado por um irreverente escoteiro de 8 anos.

Os diretores do filme, Pete Docter e Bob Peterson, escreveram um roteiro com uma dose de emoção forte o bastante para lhe conectar inteiramente ao personagem principal com dois minutos de filme. Impossível conter as lágrimas ao ver passar na tela a história de Carl e Elle, ou quando Carl decide finalmente passar pelas páginas que antes estavam em branco no diário da esposa. Uma dose de emoção que lembra antigos clássicos da disney, filmes que marcaram nossa infância como “Oliver, e seus amigos”, “O Rei Leão” e “O Corcunda de Notre-Dame”.

Repito, o filme é uma obra prima do cinema, isso é comprovado pela sua emocionante introdução, pelas cenas longas em que uma música de fundo e a angústia expressa na face do personagem principal nos diziam mais que palavras. Momentos que deixariam o mestre Charles Chaplin satisfeito em seu túmulo

E é assim mesmo, sem palavras, que a Pixar vem conquistando nossos corações nos últimos anos, e que continue assim, e talvez filmes como Tempos Modernos e personagens como O Vagabundo possam voltar a ser vistos no cinema.


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