Milos Morpha

por Cesar Castanha

23 de março de 2011, 14h25

Fantasia e o cinema parnasiano

Recentemente tive o prazer de acrescentar à minha coleção de dvds as animações Fantasia e Fantasia 2000. Os filmes são uma compilação de curtas metragens que prezam a animação acompanhada por música clássica, fazendo uma interessante relação de som e imagem.

O objetivo de Walt Disney em 1940 era refazer Fantasia a cada década, mantendo um ou dois curtas favoritos da edição anterior e principalmente criando novos. Seria uma maravilhosa forma de acompanharmos o progresso na música e nas animações. Infelizmente o primeiro filme foi um fracasso de crítica e bilheteria. Logo depois a Disney mergulhou numa séria crise. Como consequência, estava impossibilitada de lançar novos longas metragens (só foi voltar a fazê-lo em 1950 com Cinderela), lançando apenas curtas que eram feitos com um orçamento menor. O projeto Fantasia foi então deixado de lado, porém, com o passar do tempo o filme foi reconhecido e aclamado como um clássico, sendo, portanto, relançado diversas vezes nos cinemas. A ideia de Walt Disney só foi se realizar 60 anos depois, em 2000, quando foi lançada a 2ª edição de fantasia.

Há momentos em ambas edições em que a beleza dos curtas de animação e o acompanhamento musical parecem não ter objetivo além da beleza em si. É o famoso arte-pela-arte defendido pelos parnasianos. Podemos chamar então de parnasianismo cinematográfico? Sim. E Fantasia não é o único exemplo deste fenômeno.

É comum professoras de história da arte exibirem filmes como “Blow-Up: Depois Daquele Beijo” ou “2001: uma odisséia no espaço”, estes são dois perfeitos exemplos do parnasianismo cinematográfico. O primeiro não tem uma história bem definida, os elementos se confundem, no final os acontecimentos do filme não são o que permanecem na cabeça daquele que o assiste. A fotografia do filme, no entanto, deixa uma marca forte, tornando as cenas extremamente memoráveis (e soníferas).

O cinema parnasiano perdeu sua força com as gerações seguintes, nós exigimos filmes com uma história para acompanharmos e deliciarmos. Mas o gênero não desapareceu por completo, Sangue Negro (filme de 2007 indicado ao oscar) é um bom exemplo recente, porém mesmo este teve de se adaptar aos novos tempos, acrescentando no roteiro memoráveis diálogos.


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