Milos Morpha

por Cesar Castanha

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15 de abril de 2010, 17h57

Filmes de Quinta – “Chico Xavier”

Olá! Hoje vou falar sobre algo que assisti ontem: “Chico Xavier”, a versão extendida de um episódio do Globo Repórter que foi editado, transformado em filme e lançado nos cinemas de todo o Brasil. “Chico” (nao confunda com o Buarque!) é a videobiografia do psicógrafo mutante, médium e líder dos X-píritas, Francisco Cândido Xavier – também conhecido como Chico Xavier, Professor Xavier, Professor X. O filme foi dirigido por Daniel Filho (se eu fosse você 1, 2 e um monte de novelas) e estrelado por vários atores e atrizes globais que estão na geladeira esperando sair uma novela nova do Manoel Carlos (ou do próprio Daniel Filho).
A película narra (em duas longas horas) a história de como o menininho sofrido do interior de Minas Gerais cresceu pra se tornar um dos mais poderosos e influentes psíquicos do universo – e certamente o mais poderoso do planeta. O Professor X, devido as suas capacidades psicográficas, pode ver e ouvir, espíritos, receber e enviar torpedos para o além, além de ser também mentor e fundador dos X-píritas no Brasil. Xavier foi o primeiro a tomar como missão de vida o sonho de “convivência pacífica entre humanos e espíritos”, sonho este que tem influenciado quase todos os heróis X-píritas de hoje.
Então vamos lá: O primeiro bloco do programa começa mostrando como sofreu o pobre garotinho Chico Xavier: Desde o ventre materno, teve que lutar contra o terrível Mummundrai – parasitas sem corpo que tentam consumir o feto – e Xavier institivamente o detém psiônicamente em seu primeiro ato consciente. Sua mãe morreu cedo, o pai não tinha condições de criá-lo, sendo assim foi deixado aos cuidados da Madrinha, megera safada e fanática que fazia-o lamber feridas e furava-lhe o bucho com um garfo quando Chico demonstrava algum tipo de poder telepático, chamando-o de “filho do capeta”. Entrementes, Chico gostava de bater um papo com sua mãe morta e encontrar-se com o Padre Quevedo, que tentava em vão convencê-lo de fantasmas “no eqzisten” – e que ele sofria de um severo caso de psicose infantil, envolvendo alucinações visuais e auditivas.
O segundo bloco do Globo Reporter mostra que já muito cedo, Xavier fez contato com uma entidade de pura energia espiritual derivada da Fênix, conhecida na Terra como Emmanuel, (e nos outros universos como Dr. Manhattan – vide “Watchmen”) que amplificou 10x seu poder psicográfico e guiou-o em quase todas as suas decisoes ao longo de seus 92 anos de vida – infelizmente, Emmanuel não podia opinar sobre a peruca que Xavier resolveu usar depois de ter ficado careca com 17 anos.
No terceiro bloco do programa, descobrimos que auxiliado por Emmanuel, Xavier luta contra tudo e todos para construir seu império glorioso em defesa dos x-píritos, criaturas mais inteligentes, mais legais e mais santas que os humanos normais (eles precisam de defesa?). Immanuel instrui Xavier a contactar autores famosos, psicografando seus livros e revertendo os direitos autorais para a luta da causa mutante, que começa a tomar fôlego na década de 60 – logo após o inicio de uma publicação semanal de circulação mundial (psicografada por Xavier) que ficou conhecida como “Os X-Píritas” – publicada em formato de quadrinhos para facilitar o entendimento de temas tão superiores e místicos para criaturas limitadas como os seres humanos.
No quarto e ultimo bloco descobrimos finalmente que o papel de Tony Ramos no filme não é só de mostrar o que se passa nos bastidores de uma cabine de edição de TV, mas sim de fazer aquele velho approach do publico com a história, de ser o clifhanger onde vamos “pendurar” nossa esperança de que vai sair algo mais legal que um roteiro reciclado do Malu Mulher (que por sinal, tb ja foi dirigida por Daniel Filho) e menos tendencioso e limitado que um documentário da vida do nosso querido Xavier. Não funcionou. Parece que a história de Tony e a manha de “eu nao acredito que foi meu filho que escreveu esta carta porque ela é tão generica que parece que foi downloadeada de um site de modelos na internet” foi colada ali, de ultima hora, pra dar uma credibilidade maior a história mostrada (mas nao é uma biografia?) e uma sensação de temporalidade e atualidade mas… não.
No final, o que vemos é só mais uma grande demonstração vaidosa e egocêntrica do poder do narcisista Xavier, que escreve a carta, narra detalhes e massacra o casal com a ressignificação da morte do filho. Mais uma vez, a cena final (com o tribunal onde o morto absolve o réu) poderia ter ficado de fora. De qualquer forma, mesmo tendo sido deturpada de maneira a ficar mais “globo friendly”, a história do filme não é ruim – mas que um documentário cairia bem melhor, ah… cairia! Se eu fosse o Chico, mandava Emmanuel azucrinar o Daniel Filho e os responsáveis por esse filme por uns 30 anos, cantando um mantra mutante no ouvido deles…

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