Milos Morpha

por Cesar Castanha

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22 de abril de 2010, 17h14

Filmes de Quinta – “sweeney todd”

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Sweeney Todd: They all deserve to die. Tell you why, Mrs. Lovett, tell you why! Because in all of the whole human race, Mrs. Lovett, there are two kinds of men and only two. There’s the one staying put in his proper place and one with his foot in the other one’s face.

Sweeney Todd (2007) é, antes de qualquer coisa, um filme do Tim Burton. E um filme do Burton, até quando é ruim, é bom. É como o Tarantino ou o Shyamalan: no meu conceito, eles serão sempre bons, não importa o quanto eles façam porcarias – mas isto aqui não é o +favoritos. Este é mais um filme onde Tim trabalha com o gênero musical (depois de “O estranho mundo de Jack”, “Noiva Cadáver” e “A Fantástica Fábrica de Chocolate”), e mais uma parceria entre ele e o Johnny nas telonas.


“O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet” conta a história de Benjamin Barker, um barbeiro que é casado com Lucy, e que juntos têm uma filha, Johanna. A beleza de Lucy desperta a cobiça do Juiz Turpin, que acusa Barker falsamente de um crime. O barbeiro é sentenciado a 15 anos de exílio na Austrália, enquanto o Juiz corrupto fica livre para abusar de Lucy e roubar a filha do casal. Depois de cumprir sua sentença, Barker retorna disfarçado, buscando vingança: assume a nova alcunha de Sweeney Todd, e descobre, através da Srta. Lovett, que sua esposa cometeu suicídio anos atrás e sua filha está sob a guarda de Turpin. Todd então reabre sua barbearia sobre a loja de tortas da Srta. Lovett e começa a por em prática seu plano de vingança sobre aquele que destruiu sua família e sua vida.

Apesar da dobradinha Burton-Depp por si só já garantir excelência na execução e capricho nos detalhes, parece que dessa vez Burton pesou um pouco a mão: enérgico, soturno, vitoriano, violento… Aparentemente, ele não conseguiu muita empatia do público na maneira que resolveu contar esta história – entretanto, é inegável a qualidade e superioridade técnica da produção em relação as outras da mesma época: Apesar de seguir um todas as regras básicas presentes em um musical, Sweeney Todd se destaca, tendo inclusive conquistado uma estatueta da academia na categoria de Direção de Arte. E isto justifica aquilo que já sabíamos, que é nisto que Burton é bom: o desconcertante, diferente, repugnante, obscuro – é neste terreno que o diretor consegue justapor perfeitamente horror e inocência.

E ele explora suas marcas visuais “registradas” com bravura em Sweeney Todd -a maquiagem, figurino, fotografia… os contrastes que compoem visualmente a linha da narrativa: não importa o quão “dark” Londres pode parecer, seus moradores são ainda mais obscuros. E para alcançar este objetivo, ninguem melhor que Depp, que consegue como ninguém ilustrar estas nuances do pai de familia que é destruído pela imoralidade e corrupção do mundo, apoiando-se somente na vingança, sem duvida, uma excelente performance por parte dele, mas não menos excelente é a participação da esposa do diretor, Helena Bonham Carter, que convence enquanto a”torteira” que explora e se aproveita do homem em seu momento mais frágil.

É claro que, em alguns momentos, pode ser um pouco chato ouvir pela 2983467 vez TODOS os homens do filme chamando por Johanna, mas este pesadelo musical tem um ritmo particular e muito bem ajustado, que justifica inclusive esta fixação: é a pureza perdida de toda a Londres, concentrada em apenas uma personagem.

Sweeney Todd pode não ter agradado a todos, mas é, sem dúvida, um musical impecável que merece ser visto: ganha pontos por fazer parte do “conjunto da obra” de Depp e Burton, mas por si só é uma grande realização que também prova: toda unanimidade é burra.

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Sweeney Todd: At last! My arm is complete again!


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