sábado, 19 set 2020
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Milos Morpha comenta… A Metamorfose

A chegada do século XX foi cenário de uma bruta ruptura nas artes. Na Europa (e posteriormente no resto do mundo) diversas vanguardas mudavam o modo com o qual as pessoas viam o mundo. Aos poucos novas interpretações dos sentidos foram se expressando na arte de forma cada vez mais chocante e inovadora. Uma dessas novas correntes de pensamento foi o expressionismo, na qual as cores se confundem com as emoções, ambas se tornam exageradas, é a quebra definitiva do contraste. Na literatura, o expressionismo teve como representante Franz Kafka, é dele a obra A Metamorfose, a qual eu tive o prazer de ler recentemente e, consequentemente, comentá-la no blog.
“Ao acordar daquela noite de sonhos pertubadores, Gregor Samsa viu-se transformado”
E assim começa o livro, a terrível trajetória de Gregor Samsa como um horrendo inseto passa a ser narrada de forma detalhada e agonizante. Um homem bom, caxeiro viajante, trabalhava para o sustento de sua família e com o sonho de mandar sua irmã Grete para o conservatório. Mas a metamorfose vira a vida de Gregor de cabeça pra baixo, incapacitado de continuar no emprego, não deixa à sua família outra opção se não voltarem todos a trabalhar. A desumanização gradual sofrida por Samsa causa aos seus pais uma torrente diversa de sentimentos, primeiro medo, depois pena e, por fim, repugnância e nojo. Poderia falar aqui sobre como eu acho que o livro é uma metáfora social e etc, etc. Mas a pura verdade é: Não entendi a mensagem, se é que há uma, pretendida por Kafka, vou reler Carta ao Pai com o objetivo de encontrar a resposta para a minha pergunta. Tenho, porém, a triste suspeita de ser A Metamorfose uma das maneiras que Kafka exergava a si mesmo.

Cesar Castanha
Cesar Castanha
Do encanto com os créditos de abertura de "Alice no País das Maravilhas", visto religiosamente sempre que exibido nas tardes de sábado pelo SBT, veio a paixão pelo cinema como experiência estética, transformadora e expressão de uma ideia, uma história ou do próprio experimento. Por amar o cinema para além dos padrões de qualidade impostos a ele pela mídia, por outras instituições e até por uma crítica datada, veio o meu amor por conversar sobre cinema, aderi-lo, defendê-lo, apropriar-me dele. O Milos Morpha é uma conversa sobre cinema. Aqui, o texto nunca é certo e definitivo. O cinema não é uma fórmula para que cada cineasta se aproxime da solução mais correta, é um conjunto de experiências artísticas que já dura mais de 100 anos, é dessa forma que criticamente percebemos e experimentamos o cinema no Milos Morpha.