Milos Morpha

por Cesar Castanha

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23 de março de 2011, 15h24

Milos Morpha comenta… Johnny Guitar

Vienna é dona de um bar numa cidade do oeste dos Estados Unidos, ela é também a protagonista de um faroeste. Incomum no gênero, Johnny Guitar retrata o embate entre duas mulheres, a segura e independente Vienna (eternizada por Joan Crawford) e a invejosa e gananciosa Emma (Mercedes McCambridge, excelente). Essa é a proposta principal do filme, trazer a disputa da feminilidade em meio ao ambiente bruto e masculino do faroeste. São duas poderosas personagens, ambas conquistaram sua posição de respeito em meio aos homens, estes no filme estão sempre por tras, protegidos ou submissos ao sexo feminino.
Vienna é uma amável estrangeira vinda de uma ferida história de amor. Chegando na cidade, construiu seu bar assim como reconstruia sua vida. Fez amigos fiéis, teve amantes aos quais sempre teve medo de se apegar, de sofrer de novo como sofrera outrora. Os homens na sua vida eram apenas amigos ou objetos usados como estratégia de Vienna para que jamais se machucasse. Intimidadora, na primeira cena ela segura uma arma e se põe a frente de 30 homens (também armados), ninguém tem coragem de avançar. O mundo de aparente independência de Vienna desaba com a chegada do antigo amante: Johnny Guitar. Por ele aquela mulher forte seria capaz de enfraquecer, era seu calcanhar de aquiles. Foi do amor de Guitar que tanto fugiu, contra tanto lutou. Pois era a única forma de domar a indomável. Mas ela não é mais a mesma mulher. Recusa diversas vezes as ideias antigas de seu amado, se mantendo íntegra na nova mulher criada por si mesma. A submissão do amor não existia mais, o sentimento se torna saudável e infinito.
Emma é o lado oposto da mesma moeda. Igualmente insegura, fria e com medo de demonstrar seus afetos. Nao aceita a submissão feminina, bate de frente com os homens da cidade. Faz deles, até do mais poderoso,  capachos e empregados para seus desejos invejosos e gananciosos. Odeia Vienna pelo respeito que a rival recebe dos homens. Tem um modo diferente de lidar com os amados, enquanto Vienna os ignora e subestima, Emma vai além. Pretende matá-los, vê nisso a única forma de lidar com o amor que sente e que luta tão ardualmente pra controlá-la e diminuí-la diante desse universo brutal do velho oeste. Ela não sabe lidar com a feminilidade em si e portanto pretende esmagá-la para que nunca mais a pertube. Há um momento no qual os homens negam o pedido de Emma de conduzí-los armada, liderar oficialmente o bando. O “não” que recebe dos companheiros não é aceito, ela vai sim liderar as tropas. Se há uma coisa com a qual nunca se conformou foi com a necessidade de pedir permissão aos homens antes de agir. No seu momento final ela não pergunta nem espera um “sim”, ela aje por si e sofre as consequências de uma ato completamente seu.

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