quarta-feira, 23 set 2020
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Milos Morpha comenta O Curioso Caso de Benjamim Button

Belo, tocante e profundo, são apenas algumas das palavras que definem este filme. “O Curioso Caso de Benjamin Button” foi bastante criticado por não o ser o marjoritariamente esperado. A pergunta seria: O que se esperava? Seria exigida uma explicação para os estranhos acontecimentos do filme? Seria esperado algo mais direto que as quase 3 horas de duração do filme?
Não, o filme não é perfeito (alias, que filme é?). Seria, de fato, bem vinda uma séria redução na parte do furacão Katrina e Daisy já bastante idosa. Poderiam ter limitado no estilo Titanic a participação dos contadores da história (no filme de Cameron eles apenas aparecem no início e no final). E há momentos monótonos na vida de Benjamin, assim como há momentos monótonos na vida de todos.

O fato é: “Benjamin Button” sofreu diversos preconceitos. É como se os pseudo-intelectuais não aceitassem David Fincher dirigindo algo além de severas críticas ao consumismo exarcebado (Clube da Luta) ou de complexos thrillers que inovam o gênero policial (Se7en e Zodiaco). NÃO, a história do homem que nasce velho e rejuvenesce não é complexa, não é uma crítica a sociedade atual, não lhe obriga a pensar enquanto assiste o filme. Em relação a isso é um filme simples, uma profunda história de amor impossível, entre Benjamin Button e Daisy uma bailarina normal. Essa palavra, normal, parece causar aversão aos votantes da academia. Cate Blanchett nos entrega uma esplendida atuação que foi ignorada por diversos prêmios por não se tratar de nenhuma personagem esquizofrenica ou psicopata ou nazista ou mulher que lida com complicações familiares/religiosas/políticas. Pode não parecer, mas é mais fácil atuar um personagem complicado que um personagem simples. Blanchett nos entregou a simplicidade com profundidade, só isso já a faz uma das melhores atrizes dos dias de hoje.

Cesar Castanha
Cesar Castanha
Do encanto com os créditos de abertura de "Alice no País das Maravilhas", visto religiosamente sempre que exibido nas tardes de sábado pelo SBT, veio a paixão pelo cinema como experiência estética, transformadora e expressão de uma ideia, uma história ou do próprio experimento. Por amar o cinema para além dos padrões de qualidade impostos a ele pela mídia, por outras instituições e até por uma crítica datada, veio o meu amor por conversar sobre cinema, aderi-lo, defendê-lo, apropriar-me dele. O Milos Morpha é uma conversa sobre cinema. Aqui, o texto nunca é certo e definitivo. O cinema não é uma fórmula para que cada cineasta se aproxime da solução mais correta, é um conjunto de experiências artísticas que já dura mais de 100 anos, é dessa forma que criticamente percebemos e experimentamos o cinema no Milos Morpha.