sexta-feira, 25 set 2020
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Milos Morpha Comenta… O nome do jogo

O crescimento do capitalismo industrial e bancário, em meados do século XIX, transformou completamente o modo de viver da alta classe média dos mais diversos países. O nome das familias ganhou ainda mais importância, era o surgimento da nobreza do capitalismo. Casamentos arranjados, sobrenomes usados como principal arma para fugir da falência, conflitos e traições. Esse é o cenário da obra “O Nome do Jogo” de Will Eisner, o Shakeaspeare dos quadrinhos.
O livro retrata três gerações da família judáica Arnheim. 1ª geração: o patriarca Isidore, grande nome da indústria de espartilhos na América, sua esposa Alva e seus dois filhos, o mimado Conrad e o tímido e escanteado Alex. 2ª geração: Conrad assume a empresa depois da morte do pai, mas sem a determinação do mesmo, o primogênito nunca abandona suas raízes de filhinho de papai. Conrad ignora a esposa Lilly e dirige a empresa na base da chantagem e de falcatruas. Ele fecha a empresa e se estabelece no ramo da corretoria de títulos e ações. Lembrem, estamos em Nova York década de 20, em alguns anos Conrad e sua família seriam atingidos pela quebra da bolsa. Porém, mais uma vez, é salvo pelo nome. 3ª geração: A segunda filha de Conrad, Rosie, se torna uma mulher independente e decidida, se apaixona por um poeta e decide se casar com ele, deixando bem claro ao pai que isso não dependerá da aprovação dele.

O desfecho final é tristemente real, é a repetição constante dos fatos, como previam Karl Marx e Elis Regina, o nome da família mantém a importância que tinha séculos atrás. E casamento… é o nome do jogo.

Cesar Castanha
Cesar Castanha
Do encanto com os créditos de abertura de "Alice no País das Maravilhas", visto religiosamente sempre que exibido nas tardes de sábado pelo SBT, veio a paixão pelo cinema como experiência estética, transformadora e expressão de uma ideia, uma história ou do próprio experimento. Por amar o cinema para além dos padrões de qualidade impostos a ele pela mídia, por outras instituições e até por uma crítica datada, veio o meu amor por conversar sobre cinema, aderi-lo, defendê-lo, apropriar-me dele. O Milos Morpha é uma conversa sobre cinema. Aqui, o texto nunca é certo e definitivo. O cinema não é uma fórmula para que cada cineasta se aproxime da solução mais correta, é um conjunto de experiências artísticas que já dura mais de 100 anos, é dessa forma que criticamente percebemos e experimentamos o cinema no Milos Morpha.