sábado, 19 set 2020
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Os Fantasmas de Scrooge

Todos conhecem à obra “Um Conto de Natal” de Charles Dickens, seja a versão do Mickey ou a dos Muppets, a história vem sendo repetida em todas as gerações. A espinha central da história é sempre a mesma. Se tornando assim quase como um conto de fadas como os clássicos dos Irmãos Grimm.

Só que uma das diferenças mais notáveis dessa versão com as outras é a tecnologia, caracteristica central dessa nova geração em que o filme foi feito. Robert Zemeckis já mostrou o quanto gosta da técnica da captura de movimentos desde que fez o primeiro filme completamente nesse estilo, Expresso Polar era o experimento, em seguida ele conseguiu aperfeiçoá-la em A Lenda de Beowulf, porém é somente em Os Fantasmas de Scrooge que ele provou o quanto a técnica pode render com tudo que ela tem a oferecer.

A história, para os poucos que a não a conhecem fala sobre Scrooge (Jim Carrey), um velho avarento que explora seu empregado (Gary Oldman, fantástico). No natal ele recebe a visita de três fantasmas, os fantasmas dos natais passado, presente e futuro.

O filme se torna por vários momentos um legítimo clássico Disney, tanto pela história já famosa quanto pela narrativa em alguns momentos crua em meio a um mundo de fantasia. Quanto a Jim Carrey nada a comentar, coube bem ao personagem porém sempre que lembramos de “O Show de Truman” e “O Brilho Eterno…” ficamos com a sensação de que ele poderia entregar muito mais.

O fato é que Charles Dickens não escreveu “Um Conto de Natal” para crianças, porém mesmo assim o conto vem sendo adaptado para esse público alvo de forma respeitável em todo esse tempo. Talvez Zemeckis tenha subestimado as crianças ao achar que para que elas gostassem do filme era preciso ter cenas estúpidas como por exemplo Jim Carrey versão mini fazendo voz fina, ou Jim Carrey fazendo carretas, ou Jim Carrey em sua totalidade.

Cesar Castanha
Cesar Castanha
Do encanto com os créditos de abertura de "Alice no País das Maravilhas", visto religiosamente sempre que exibido nas tardes de sábado pelo SBT, veio a paixão pelo cinema como experiência estética, transformadora e expressão de uma ideia, uma história ou do próprio experimento. Por amar o cinema para além dos padrões de qualidade impostos a ele pela mídia, por outras instituições e até por uma crítica datada, veio o meu amor por conversar sobre cinema, aderi-lo, defendê-lo, apropriar-me dele. O Milos Morpha é uma conversa sobre cinema. Aqui, o texto nunca é certo e definitivo. O cinema não é uma fórmula para que cada cineasta se aproxime da solução mais correta, é um conjunto de experiências artísticas que já dura mais de 100 anos, é dessa forma que criticamente percebemos e experimentamos o cinema no Milos Morpha.