quinta-feira, 24 set 2020
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Post “Combo”

Não tive tempo de postar nos últimos dias, por isso hoje temos um post “combo” unindo as Séries de Segunda e o +Favoritos!

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Séries de Segunda – Being Human

John Mitchell: I’ve got this friend. He says the human condition, the human nature, ‘being human’ – is to be cold and alone. Like someone lost in the woods. It’s safe to say he’s a ‘glass-is-half-empty’ kind of guy. And I see nature differently. I see the ancient machinery of the world. Elegant and ferocious, neither good nor bad, it’s full of beautiful things, unspeakable things. The trick is to keep them hidden – until the right moment.

Being Human é uma série britânica de 2008 que em apenas duas temporadas já mostra pra que veio: com uma narrativa cativante, ótimas atuações e equilibrando a dose certa de drama, humor e horror, tornou-se uma das mais populares series a ser exibidas pelo canal BBC3.


A história é a seguinte: Mitchell, George e Annie são três jovens que dividem uma casa e tentam viver uma vida normal, apesar de serem um vampiro, um lobisomem e uma fantasma, respectivamente. Tudo começa com Mitchell e George se mudam pra uma nova casa, buscando recomeçar e deixar de lado toda a violencia e o drama do passado – George foi atacado e transformado há 2 anos, quando teve que abandonar sua familia e noiva, e Mitchell foi transformado em vampiro decadas atras, mas acabou de tomar a decisao mais dificil de sua não-vida: parar de beber sangue. O que eles não sabiam é que a casa que eles escolheram para morar tinha recentemente sido palco de um brutal assassinato, e era assombrada pelo espírito de Annie.
A partir daí, a série se foca tanto nas relações entre os moradores da casa, sua convivencia, e como um acaba ajudando o outro a não perder o que lhe resta de humanidade, quanto nas relaçoes deles com resto do mundo, e sua busca em acreditar que é possivel coexistir “normalmente” com os humanos normais. A cada novo episódio (a primeira temporada, com seis, a segunda já com oito – vamos torcer pra pelo menos doze na terceira?) nos deparamos com um novo dilema na vida dos outcasts: o vampiro abstinente que luta contra a sua sede de sangue, o lobisomem fooofo que perde o controle na lua cheia e a obstinada fantasma que busca saber a verdade sobre sua morte, para assim “descansar em paz”.
Tecnicamente, Being Human não deixa a desejar nos efeitos especiais e make up: toda a produção é caprichosa tanto com o sangue falso, lentes de contato e presas dos vampiros, quanto com a fantasia de lobisomem (nada digital, ainda bem!). Além disso, os efeitos “fantasmáticos” de Annie são simples mas muito eficientes. A única coisa que pode incomodar um pouco é o fato de que os vampiros não tem problema em andar de dia, e que a fantasminha as vezes consegue “interagir” demais com o ambiente, numa vibe meio “ghost” – fora isso, tudo é muito bem explicado e amarrado, e desenvolve-se equilibradamente, sem deixar aquela sensação de “ei, esqueceram do meu personagem favorito neste episódio!”.
A serie consegue trazer temas como relacionamentos, perda, auto-aceitação e amizade de forma excepcional e, de maneira geral, being human consegue ao mesmo tempo, divertir e levar a uma reflexão sobre como conviver com as diferenças (x-men, alguém?) de uma maneira leve e despretenciosa, sem soar piegas ou cafona.

George: We meet people and fall in love and when we part they leave marks for us to remember them by. Our lovers sculpt us, they define us, for better or worse. Like a pinball, we slam into them and rebound in our different directions propelled by the contact and after the parting we might be scared, stronger or more fragile, or needy, or angry, or guilty, but never unchanged. Our lovers linger inside us, like ghosts, haunting the corridors and deserted rooms, sometimes whispering, sometimes screaming, but always there waiting…

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+Favoritos: Aeon Flux – A Série Animada

Muitos podem conhecer o – péssimo – “Aeon Flux” de 2005, com a – ótima mas não suficiente pra salvar o filme – Charlize Theron. Não é deste desatre finematográfico que quero falar: o Aeon Flux do qual sou fã é a série animada de ficção produzida por Peter Chung (também responsável pelo ótimo “matriculated”, curta presente no dvd Animatrix, citado no post anterior) para a MTV americana, em 1991.


O cenário é um mundo distópico e futurista: no ano 2415, quando a raça humana foi totalmente dizimada por um vírus mortal, restaram apenas duas cidades vizinhas: Monica e Bregna. Aeon Flux, é uma agente secreta imoral, misteriosa e sensual de Monica, um estado anárquico. Seus motivos e história não são explicados, assim como também são misteriosos os de seu antagonista – e amante secreto – Trevor Goodchild, governante de Bregna. A missão de Aeon é se infiltrar em Bregna – uma sociedade tecnológica, centralizada e planejada, uma cidade-fortaleza aparentemente perfeita: muito organizada, limpa, de construções grandiosas e de incrível beleza – e descobrir o porquê de tantas pessoas sumirem inexplicavelmente naquele local: para isto, ela se utiliza de diversas técnicas acrobáticas, muuuitas armas e se mostra uma assassina fria que não mede esforços para remover os obstaculos do seu caminho até sua meta.
Peter Chung inova ao aceitar o projeto desafiador desta série que foi exibida pela primeira vez na Liquid Television, um programa que exibia curtas na madrugada da MTV gringa: Aeon Flux tem uma animação e traço extremamente peculiar, não tem absolutamente nenhuma continuidade, e teve uma temporada inteira onde os unicos dialogos inteligiveis foram: “No!” e “plop!”. É psicodelia do começo ao fim – fim este no qual com frequencia, Aeon morre – seja por azar ou pela sua incompetencia em realizar a missão. Além disso, diversas referencias eróticas e sado-masoquistas permeiam a série, não só no visual sadomasô das vestimentas, mas também claramente da relacão de “powerplay” entre Flux e Goodchild.
Isso tudo misturado torna Aeon Flux uma das séries animadas de ficção mais cult dos anos 90 e que nao apenas tornaram minhas madrugadas de “geração coca-cola” assistindo MTV até altas horas muito mais divertidas (sem a necessidade de uso de psicotrópicos ou alucinogenos) como também garante, ainda hoje, horas de entretenimento nonsense garantido!

Trevor Goodchild: The unobserved state is a fog of probabilities, a window of and for error. The watcher observes, the fog collapses, an event resolves. A theory becomes a fact… What is the truth? Tell me, if you know. And I will not believe you. Things are never what they seem. Clean gloves hide dirty hands – and mine are dirtier than most… Without truth, there can be no justice. Justice will be done!
Cesar Castanha
Cesar Castanha
Do encanto com os créditos de abertura de "Alice no País das Maravilhas", visto religiosamente sempre que exibido nas tardes de sábado pelo SBT, veio a paixão pelo cinema como experiência estética, transformadora e expressão de uma ideia, uma história ou do próprio experimento. Por amar o cinema para além dos padrões de qualidade impostos a ele pela mídia, por outras instituições e até por uma crítica datada, veio o meu amor por conversar sobre cinema, aderi-lo, defendê-lo, apropriar-me dele. O Milos Morpha é uma conversa sobre cinema. Aqui, o texto nunca é certo e definitivo. O cinema não é uma fórmula para que cada cineasta se aproxime da solução mais correta, é um conjunto de experiências artísticas que já dura mais de 100 anos, é dessa forma que criticamente percebemos e experimentamos o cinema no Milos Morpha.