sábado, 26 set 2020
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Post da Velma

É com muito atraso que escrevo este pequeno post. Fui à fama em 2002, hoje poucos se lembram de mim ou do meu filme. A culpa do fato, é claro, não se deve a minha pessoa, pois tenho talento e charme o bastante para permear eternamente na história do cinema. A responsabilidade deve ser atribuida à atriz que me encarnou, por fazer as escolhas de projetos pós-oscar mais patéticas possíveis. Eu bem sei que não se encarna uma veddete criminosa e, nos anos seguintes, a namorada do Zorro ou uma protagonista de comédia romântica meia boca. Não é assim que a banda toca, meu bem, eu sei que o cachê foi bom, porém a estratégia certa é mantê-lo bom, e se continuar assim Caty Z Jones não vai conseguir por muito tempo.
Acho interessante o estilo de vida nesse século XXI. É bem verdade que, para mim, teria sido muito mais simples viver nesta época. Essa ideia genial de não envelhecer e ficar sempre se rejuvenescendo com cirurgias plásticas seria a solução para as vedetes em fim de carreira, um receio a menos, derruba completamente a carga dramática da minha música “Nowadays”. Progamas de auditório e telenovelas também são outras das coisas que faziam falta na minha época, hoje, por meio da mídia, somos muito mais compreendidas, já fui selecionada pra falar no próximo capítulo de “Viver a Vida”: “Matei meu marido e minha irmã, tudo porque fui traída, mas hoje eu sou feliz”. Na atualidade eu não sofreria procurando uma parceira de dança, hoje todo mundo quer saber fazer alguma coisa que lhe garanta 30 segundos no “Domingão do Faustão”.
Mas, nenhuma dessas vantagens acima compensa o fato de que as vedetes hoje são muito mal vistas, na minha época, era coisa de classe, hoje é sinônimo de amoral. E desse desabafo me despeço, deixando para outro a missão de entender esses tempos ambíguos.


By Velma Kelly

Cesar Castanha
Cesar Castanha
Do encanto com os créditos de abertura de "Alice no País das Maravilhas", visto religiosamente sempre que exibido nas tardes de sábado pelo SBT, veio a paixão pelo cinema como experiência estética, transformadora e expressão de uma ideia, uma história ou do próprio experimento. Por amar o cinema para além dos padrões de qualidade impostos a ele pela mídia, por outras instituições e até por uma crítica datada, veio o meu amor por conversar sobre cinema, aderi-lo, defendê-lo, apropriar-me dele. O Milos Morpha é uma conversa sobre cinema. Aqui, o texto nunca é certo e definitivo. O cinema não é uma fórmula para que cada cineasta se aproxime da solução mais correta, é um conjunto de experiências artísticas que já dura mais de 100 anos, é dessa forma que criticamente percebemos e experimentamos o cinema no Milos Morpha.