sábado, 19 set 2020
Publicidade

Post do Forrest

Olá, meu nome é Forrest, Forrest Gump. Fiquei famoso nos anos 90, quando foi lançada minha cinebiografia. Quem assistiu sabe que eu muito vi e vivi, tive vários empregos, soldado, jogador de futebol americano, pescador, corredor olímpico e empresário. Essa última foi um sonho de valsa, pois se não tivesse conquistado essa condição de prestígio e riqueza teria sofrido o mal de passar horas na fila do INSS, coisa que já não me é mais necessária. Hoje, com minha condição de vida favorável, me resta ser blogueiro.
Para início de tudo, é preciso rever a famosa frase de minha mãe, acrescentar um detalhe. “A vida é como uma caixa de chocolates… garoto, você nunca sabe o que vai encontrar, mas na maioria das vezes, é ruim.” E é assim que eu vivo, quando boto a mão dentro da caixa da vida, geralmente tudo o que consigo são babanas caribes, torrones e moons. Jane se foi, morreu de Aids, foi chokito, quero dizer, chocante, não tenho mais a quem fazer serenatas de amor, não é mais como no filme, eu não vou reencontrá-la a cada meia hora de projeção.
Outro que desandou na vida foi o meu querido diretor, Steven Sodebergh. Ganhou tanto dinheiro a minha custa que terminou por gastá-lo em filmes de alta tecnologia que custam milhões e cujo a bilheteria não rende 10% dos gastos.
Não vou me prolongar muito, eu mudei, aprendi quando trabalhei na McDonalds, agora é na base do fast food, pois é, virei adepto de Gus Van Sant (aproveitei pra pegar carona com o sucesso de Milk Bar, opa, Milk) e ele aceitou editar minha vida, incluindo minhas novas experiências, e reduzir o filme para 70 minutos. Em breve “F. Gump” (ou “Monkey”, ele quer esse título, não me pergunte o porquê, ele tenta me explicar aprofundadamente e eu continuo sem entender) estará nos cinemas, a estimativa é que lançe no mesmo ano de Kill Bill 3, pra tirar o oscar de Quentin, só mais uma vez.

Cesar Castanha
Cesar Castanha
Do encanto com os créditos de abertura de "Alice no País das Maravilhas", visto religiosamente sempre que exibido nas tardes de sábado pelo SBT, veio a paixão pelo cinema como experiência estética, transformadora e expressão de uma ideia, uma história ou do próprio experimento. Por amar o cinema para além dos padrões de qualidade impostos a ele pela mídia, por outras instituições e até por uma crítica datada, veio o meu amor por conversar sobre cinema, aderi-lo, defendê-lo, apropriar-me dele. O Milos Morpha é uma conversa sobre cinema. Aqui, o texto nunca é certo e definitivo. O cinema não é uma fórmula para que cada cineasta se aproxime da solução mais correta, é um conjunto de experiências artísticas que já dura mais de 100 anos, é dessa forma que criticamente percebemos e experimentamos o cinema no Milos Morpha.