Milos Morpha

por Cesar Castanha

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14 de junho de 2010, 21h20

Quem Vigia os Vigilantes? (ou…Milos Morpha comenta…Watchmen)

Primeiro de tudo, precisa-se ser compreendido a importância de Watchmen para toda a história dos quadrinhos. Tal obra de Alan Moore tem tamanha relevância diante da literatura norte-americana de forma geral a ponto de ser incluída como obrigatória em diversos cursos de qualquer universidade dos Estados Unidos. Em segundo lugar é preciso explicar o porquê da importância, o porquê de Watchmen ser considerado a bíblia dos quadrinhos. O fato: a HQ foi escrita em 1987, nos momentos finais da Guerra Fria, e ela chega a retratar muito abertamente (para a época) o conflito URSS x EUA. Questiona também de forma severa o livre arbítrio e os direitos humanos. O que é certo? O que é ética? Deve-se esconder a verdade por um bem maior? Os fins justificam os meios? E a mais questionada na obra: Quem vigia os vigilantes (em inglês, Watchmen)?

Eis o enredo: Rorschach investiga o assassinato de se antigo colega, o comediante. Este foi jogado de seu apartamento em Nova York, no qual há sinais de luta. Acontece que ambos eram parte de um grupo super-heróis chamado Watchmen, mas no momento o grupo estava aposentado,  o que aconteceu devido a pressão vinda da população norte-americana, que os acusaram de serem responsáveis pela morte de Kennedy e pichavam a frase “Who Watches the Watchmen?” (“Quem vigia os vigilantes?”) em muros. Toda essa história e diversas outras são contadas em flashback a partir da investigação de Rorschach. O livro envereda pela mente dos personagens com profundas análises psicológicas, tornando impossível acolher ou condenar qualquer um deles em sua própia cabeça. O filho da putismo do Comediante se confronta com sua fragilidade. A ordinariedade do Coruja se confronta com sua inocência. O fato de que Dr. Manhattan vê todos os humanos como insignificantes se antagoniza com seu passado penoso. O narcisismo ególatra de Ozymandias talvez seja compensado por sua maligna tentativa de salvar a humanidade.

E no fim você não entende, definitivamente não é feliz, mas porque haveria de ser triste? Alan Moore demonstrou por A+B que poderia ser pior… bem pior.

(da esquerda para a direita: Comediante, Espectral, Dr. Manhattan, Ozymandias, Coruja e Rorschach)


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