terça-feira, 22 set 2020
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Séries de Segunda – “United States of Tara”

Se você é daqueles que não curtem séries politicamente incorretas (californication, dexter, weeds, six feet under, etc.), então passe longe de United States of Tara, série que estreou ano passado no controverso canal Showtime, e já está no meio da segunda temporada.

Com a excelente Toni Collette no papel (ou seria “nos papéis?”) principal, a comédia narra a vida de Tara Gregson, uma dona-de-casa e mãe de dois adolescentes (o excêntrico Marshall e a despretensiosa Kate), que sofre de uma doença mental chamada Transtorno Dissociativo de Personalidade – ou seja, a qualquer momento, em qualquer lugar, se submetida a uma situação de stress, ela pode “se transformar” em uma de suas múltiplas personalidades. Apesar de conseguir manter sua condição sob controle enquanto está medicada, Tara resolve, com apoio do marido Max e de sua familia, parar com os remédios e descobrir, explorando a fundo, as reais causas de sua patologia, buscando uma chance de tentar conviver com a sua doença. Na contra-mão disso tudo, sua irmã Charmaine é contra este “leap of faith” de Tara, e por vezes questiona se a irmã está realmente doente…
Em vários aspectos, USoT nos lembra outra “cria famosa” de Diablo Cody, Juno: ambas contam histórias de mulheres que provocam ânsia de vômito na sociedade tradicional, mas enquanto juno recebeu críticas por tratar um tema sério como a gravidez na adolescência com humor, o mesmo pode ser dito da maneira como a doença mental de Tara é abordada na série, já que é aí onde ela se apóia. Entretanto, parte da habilidade de Cody é também de amenizar assuntos tabus para que possam ser discutidos de uma maneira mais leve entre os protagonistas, e assim também há espaço para enredos secundários, como o de Marshall, o filho gay que está saindo do armário mas ainda não é 100% certo de suas escolhas, ou a própria Charmaine, que parece invejar a relação de Tara e Max, e está sempre à “caça” de um potencial bom marido.
Sendo assim, acredito que Cody conseguiu criar uma premissa interessante para a série, mas vamos precisar ver mais do que simplesmente a luta pela “integração” de Tara :para nos manter interessados a criadora da série precisará trabalhar também estes personagens secundários, construindo e desenvolvendo sua complexidade na trama. Com um elenco incrível e com produção do Steven Spielberg, United States of Tara tem tudo para fazer sucesso e ter muita audiência, mas ainda é cedo pra dizer se este potencial será correspondido.

BÔNUS: +FAVORITOS!

Ontem eu estava ocupado pensando num novo layout pro blog (que já está no ar!) e não deu – mais uma vez – pra escrever a +Favoritos no dia certo. De qualquer forma, revoluciono e deixo, ao invés de uma sugestão de filme/série, uma banda, Tinted Windows: formada em 2009 pelo guitarrista James Lha (ex smashing pumpkins), o vocalista Taylor Hanson (Hanson), o baixista Adam Schlesinger (Fountains of Wayne) e o baterista Bun E. Carlos (cheap trick). Assistam o clipe de “Kind of a Girl” – clique aqui -, música de trabalho do cd que leva o mesmo nome da banda.

Cesar Castanha
Cesar Castanha
Do encanto com os créditos de abertura de "Alice no País das Maravilhas", visto religiosamente sempre que exibido nas tardes de sábado pelo SBT, veio a paixão pelo cinema como experiência estética, transformadora e expressão de uma ideia, uma história ou do próprio experimento. Por amar o cinema para além dos padrões de qualidade impostos a ele pela mídia, por outras instituições e até por uma crítica datada, veio o meu amor por conversar sobre cinema, aderi-lo, defendê-lo, apropriar-me dele. O Milos Morpha é uma conversa sobre cinema. Aqui, o texto nunca é certo e definitivo. O cinema não é uma fórmula para que cada cineasta se aproxime da solução mais correta, é um conjunto de experiências artísticas que já dura mais de 100 anos, é dessa forma que criticamente percebemos e experimentamos o cinema no Milos Morpha.