terça-feira, 22 set 2020
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Vigília Oscar 2012: Árvore da Vida

Sobre a vigília: Dia 26 de fevereiro teremos mais uma edição do prêmio de maior prestígio da crítica americana. Mesmo tendo algumas várias ressalvas quanto as indicações, pretendo fazer nesse blog uma vigília de (vou tentar) duas resenhas por dia de todos os filmes que figuram esta edição do Oscar. Assim, quase todos, não terá resenhas de Transformers 3, Gigantes de Ferro e W.E. (mais conhecido como o filme da Madonna), ainda não sou pago pra escrever, portanto não sou também obrigado a assistir tais porcarias.


Estou cada vez mais convencido: O olhar de Deus passa pelas câmeras de Terrence Malick.  É uma teoria a ser considerada desde que vi “Além da Linha Vermelha” e se confirma depois de uma seção de “Árvore da Vida” no cinema. Esta sim, Maurício Saldanha, é uma verdadeira experiência cinematográfica. Pra começar pela grandiosidade do tema: a origem e o sentido da vida no planeta Terra. Com longas passagens que percorrem momentos como o Big Bang, a origem dos microorganismos e os dinossauros até chegar ao foco maior do filme, a família.
Neste momento Macro e Micro se confundem. O que é maior e menor sob os olhos divinos? O quão pesa a natureza? O quão pesa o homem? Qual a relevância para o universo do nascimento de um filho? De uma semente de árvore plantada? Responde Malick através de sua lente: Toda. É a grandeza de todas as pequenas coisas da vida e um estudo de sentimentos como amor, medo e dor.
Como? Através dos sentidos. Malick e Emmanuel Lubezki (o brilhante cinegrafista) vão além do audiovisual ao fazer você apalpar o luto e mergulhar no filme de boca e nariz. Repito, é a visão de Deus do nosso planeta, nela o passado, presente e futuro se misturam. Misturam-se os ângulos. Misturam-se os personagens. Misturam-se as dimensões. Aqui o trabalho importantíssimo do ator parece menor diante da visão universal de quem está na poltrona, engano, o elenco é chave para construir a grandiosa pequeninice do ser humano. E assim o faz muito bem, tanto Pitt e Chastain quanto o elenco infantil parecem viver cada expressão em seus rostos.
Ontem o longa recebeu 3 indicações ao Oscar. Pouco importa, pois diante da obra o prêmio se torna impotente. Não é Malick que precisa ser premiado, é a crítica americana que precisa de um Malick para premiar.




Árvore da Vida recebeu 3 indicações ao Oscar. Nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor (Terrence Malick) e Melhor Fotografia (Emmanuel Lubezki)
Cesar Castanha
Cesar Castanha
Do encanto com os créditos de abertura de "Alice no País das Maravilhas", visto religiosamente sempre que exibido nas tardes de sábado pelo SBT, veio a paixão pelo cinema como experiência estética, transformadora e expressão de uma ideia, uma história ou do próprio experimento. Por amar o cinema para além dos padrões de qualidade impostos a ele pela mídia, por outras instituições e até por uma crítica datada, veio o meu amor por conversar sobre cinema, aderi-lo, defendê-lo, apropriar-me dele. O Milos Morpha é uma conversa sobre cinema. Aqui, o texto nunca é certo e definitivo. O cinema não é uma fórmula para que cada cineasta se aproxime da solução mais correta, é um conjunto de experiências artísticas que já dura mais de 100 anos, é dessa forma que criticamente percebemos e experimentamos o cinema no Milos Morpha.