domingo, 27 set 2020
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Vigília Oscar 2012: Toda Forma de Amor

Toda Forma de Amor é realmente aquilo que implica o seu título original: um filme sobre iniciantes (Beginners). Nele nós acompanhamos três momentos da vida de Olive (Ewan McGregor) que se misturam no curto tempo de projeção. Sua infância ao lado da frígida mãe, sua relação com pai, Hal (Christopher Plummer), quando este aos 70 anos assume ser gay e seu caso amoroso com a atriz Anna (Melaine Laurant) logo após a morte do pai. São três núcleos que misturados desenvolvem o protagonista da infância a idade adulta num conto sobre recomeço.
O resultado é um filme bastante delicado no melhor sentido. A dor do luto de Olive está presente em todos os momentos, até mesmo nas memórias. O modo como ele desenvolve a relação com o pai e com Anna estão sutilmente ligados. O auge da trama é quando após a já anunciada morte de Hal a tela se enche em cores que mudam de acordo com a narração de Olive. Vida. Cura. Luz. Natureza. Harmonia. Espírito. Sexo. Arte. São todos elementos presentes no filme, e com a passagem das cores você sente cada uma dessas palavras.
Para o alcance de tais emoções o trabalho do elenco foi primordial. McGregor em um dos melhores papéis de sua longa carreira. Laurant entrega a personagem em cada sorriso. E o que dizer de Plummer? Tão delicado, tão sofisticado, tão tocante e ainda tão cômico. Toda Forma de Amor é um belo filme de lindas lições, gostaria que se produzisse pelo menos um desses por ano.
Toda Forma de Amor recebeu 1 indicação ao Oscar: Melhor Ator Coadjuvante (Christopher Plummer)
Cesar Castanha
Cesar Castanha
Do encanto com os créditos de abertura de "Alice no País das Maravilhas", visto religiosamente sempre que exibido nas tardes de sábado pelo SBT, veio a paixão pelo cinema como experiência estética, transformadora e expressão de uma ideia, uma história ou do próprio experimento. Por amar o cinema para além dos padrões de qualidade impostos a ele pela mídia, por outras instituições e até por uma crítica datada, veio o meu amor por conversar sobre cinema, aderi-lo, defendê-lo, apropriar-me dele. O Milos Morpha é uma conversa sobre cinema. Aqui, o texto nunca é certo e definitivo. O cinema não é uma fórmula para que cada cineasta se aproxime da solução mais correta, é um conjunto de experiências artísticas que já dura mais de 100 anos, é dessa forma que criticamente percebemos e experimentamos o cinema no Milos Morpha.