Milos Morpha

por Cesar Castanha

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29 de janeiro de 2012, 12h27

Vigília Oscar 2012: Tudo Pelo Poder

Não vou resistir em comparar a coragem do cinema e da televisão americana com a covardia desses meios no Brasil. Neste mês a Rede Globo lançou a minissérie “O Brado Retumbante”, uma pretensa crítica a Brasília atual que mais parece uma piada da direita. Apesar da produção global ser clara em relação a suas posições, ela mantem a antiga política da emissora de não citar partido ou lado (direita e/ou esquerda). Não sei o que é pior, ter uma mídia que não se assume, ou a necessidade de que ela não se assuma pelo poder de influência na população que ela detem.
Pois George Clooney dirigiu e estrelou um filme cuja intensão lembra a minissérie em certo sentido. Mostrar que a política é podre é simplesmente atestar o óbvio, mas é na forma como se mostra que diferencia Clooney da família Marinho. E ele não tem receios em citar partido. Melhor, a história foca nas esperanças e decepções em torno dos democratas, ao qual o astro defende em entrevistas sempre que pode.
O longa remete em seu título original (The Ides of March ou As Conspirações de Março) ao assassinato de Julio Cesar na Roma Antiga como também à época na qual as eleições primarias americanas (cenário deste filme) pegam fogo. Stephen Meyers (Ryan Gosling) é o chefe da campanha de Mike Morris (Clooney), pré candidato a presidência dos Estados Unidos. Apesar de Meyers ter uma carreira longa o bastante para estar familiarizado com o jogo político, ele acredita verdadeiramente em Morris como a melhor opção para o cargo. Até descobrir acidentalmente algumas roupas sujas do governador. A trama então sofre uma boa reviravolta e se desenrola até o confronto entre os dois personagens no qual o protagonista solta a máxima que define o filme e todos os anos de política norte americana: “Você pode mentir, você pode trapacear, você pode começar uma guerra, você pode mergulhar o país em uma crise econômica, mas você não pode transar com a estagiária. Eles vão te pegar por isso.” 
Tudo Pelo Poder tem uma lista de qualidades, quase todas passam pela direção firme de Clooney. O seu futuro como diretor se mostrou promissor desde “Boa Noite, Boa Sorte” e além. Seu elenco (todo excelente) parece sempre saber suas funções nas cenas. Engraçado como o modo do diretor de dirigir seus atores pode ser avaliado sempre pelo nível da atuação de Evan Rachel Wood. Clooney parece sempre saber o lugar certo para colocar a câmera, isto as vezes incomoda, deixa uma falta de unidade para a fotografia do filme.
No fim, um longa que merece aplausos. Dos mais fortes e mais corajosos de 2011.
Tudo pelo Poder recebeu uma indicação ao Oscar: Melhor Roteiro Adaptado

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