“Estou depressivo”, diz Nego do Borel após ser expulso da Fazenda

Em vídeo postado nas redes sociais, o artista afirma que é inocente das acusações de tentativa de estupro contra a modelo Dayane Mello

O cantor Nego do Borel postou um vídeo em suas redes sociais na noite deste domingo (26) onde afirma que é inocente das acusações de estupro contra Dayane Mello dentro do reality show A Fazenda, exibido na Rede Record.

O artista foi expulso do programa após ser acusado de estudo de vulnerável contra a modelo Dayane Mello.

Após uma festa, onde a modelo aparece claramente alcoolizada, Nego do Borel tenta ficar com a modelo e chega a dormir com ela.

“Eu dormi do lado de uma pessoa, sim, alcoolizada. Eu tava querendo ficar com ela, e ela querendo ficar comigo”, justifica o artista.

Em seguida, ele afirma que a história dele com Dayane já vinha de antes.

“Isso não era dali (do programa), já tinha uma história. Vocês podem ver que depois da noite, na piscina, ela fala que quer dormir comigo de novo”.

Posteriormente, Nego do Borel ameaça tirar a própria vida.

“Eu não estou entendendo. Vou acabar tirando a minha vida, não estou blefando, estou falando do fundo meu coração. Estou querendo saber o que fiz para merecer tanto ódio, estou sendo chamado de bandido. Amigos me abandonaram, não quiseram me escutar”, revela o cantor.

Nego do Borel afirma que está sofrendo um pré-julgamento. “Estou sofrendo um pré-julgamento. Vamos esperar a polícia apurar tudo. Não sei mais o que fazer da minha vida”.

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Para o artista, trata-se de racismo.

“A minha palavra não tem relevância, já venho sofrendo com isso há um tempo. Esse é o racismo na cara da sociedade. É por que eu sou preto? É por que eu vim da favela? É por que eu sou funkeiro? É muita covardia o que estão fazendo. Vocês vão acabar tirando a minha vida, estou depressivo, triste, magoado, mal, quebrado por dentro. Não sou o monstro que as pessoas estão falando”.

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Assessoria da modelo Dayane Mello publica nota de repúdio contra a Record

A assessoria da modelo Dayane Mello publicou uma nota de repúdio contra a Record e à produção de A Fazenda 13.

No comunicado, eles afirmam que a maneira como foram contados os fatos que resultaram na expulsão de Nego do Borel, sob suspeita de ter estuprado Dayane, foi feita de forma banal e “colocaram a vítima como vilã”.

“Segundo o programa exibido, o resumo da noite da vítima foi correr atrás do homem que a violentou, dando indícios e sinais afirmativos para que o mesmo se sentisse livre para praticar o ato”, diz o comunicado.

Em seguida, a nota afirma que a edição do programa mostra uma narrativa “na qual colocam a vítima do abuso como alguém que buscou se colocar naquela situação, alé de romantizarem todo o ocorrido”.

“Esconderam dos olhos do público as diversas vezes que Dayane disse para parar, que não podia e não queria. Não mostraram as falas repugnantes do participante falando que precisava de concentração para o seu órgão íntimo ficar rígido o suficiente para praticar atos sexuais” critica a nota.

Entenda o caso

O cantor Nego do Borel foi expulso da 13ª edição do reality show ‘A Fazenda’, da Record TV. A saída precoce do participante foi provocada por uma acusação de estupro.

Na madrugada deste sábado (25), Nego foi para um dos quarto da casa com a modelo Dayane Mello, que estava visivelmente embriagada. Após ser advertido por outros participantes sobre a falta de consciência da colega, o cantor deitou-se com ela e foi flagrado pelas câmeras em atitudes que, segundo espectadores, forçavam uma relação sexual sem consentimento, uma vez que Dayane teria dito para o acusado cessar as investidas.

O caso tornou-se um escândalo desde as primeiras da manhã e a assessoria da modelo informou que advogados dela e policiais civis haviam se deslocado até o estúdio onde o reality ocorre, no município de Itapecerica da Serra, na Região Metropolitana de São Paulo, para que todo o trâmite legal tivesse início por parte das autoridades.

No início da tarde, os cinco principais patrocinadores do programa exigiram da direção da emissora a expulsão imediata de Nego do Borel, temerosos de que o comportamento alegadamente criminoso do participante fosse associado às marcas.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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