o colunista

por Cleber Lourenço

Fórum Educação
27 de fevereiro de 2020, 13h56

Seis vezes em que o jornalismo da Record mostrou ter como fonte um grupão de WhatsApp

Recebendo gordas verbas do governo federal, a TV Record se consolidou com a principal beneficiária do governo Jair Bolsonaro

Emissora foi beneficiada financeiramente após posse de Bolsonaro (Reprodução)

Recebendo gordas verbas do governo federal, a TV Record se consolidou com a principal beneficiária do governo Jair Bolsonaro.

Por isso nada mais correto de lembrarmos que tipo de jornalismo o governo está financiando.

1 – Represa de Nova Friburgo

Em 2011, a temporada de chuvas na região serrana do Rio de Janeiro deixou mais de 500 mortos em 4 cidades, se tornando a maior tragédia climática do país.

Se não bastasse isso, uma das cidades afetadas, Nova Friburgo, na região serrana fluminense, foi vitima de um boato que levou pânico e correria às ruas da cidade.

Na ocasião, até mesmo fuzileiros navais que atuavam na cidade abandonaram o hospital de campanha e orientavam a população a procurar lugares altos, para evitar que fossem levadas por uma suposta enxurrada que seria causada pelo rompimento de uma barragem.

A prefeitura chegou a desmentir o boato, mas já era tarde demais, pessoas tentaram evacuar a cidade de carro gerando um engarrafamento, corriam desesperadas pelas ruas e o jornalismo da emissora do bispo  Edir Macedo, que anos antes seria flagrado rindo de vítimas de suicídio por conta do plano Collor, não perdeu tempo em entrar para os anais do jornalismo brasileiro com as cenas memoráveis.

2 – Morte de Amin Khader

Definitivamente 2011 não foi um bom ano para a Record, já que o humorista Amin Khader foi “sepultado” pelo jornalismo da emissora evangélica, que acreditou em publicações do humorista e promoter David Brazil no Twitter. A publicação afirmava que Amin teria morrido após sofrer um ataque cardíaco, porém Amin foi visto mais tarde numa praia do Rio de Janeiro pelo próprio David.

3 – Grávida de Taubaté

Em 2012 as coisas também foram difíceis para a emissora que emplacou mais um”web hit” com a grávida de Taubaté.

A pedagoga Maria Verônica Aparecida César Santos andava pela cidade com uma imensa barriga de silicone afirmando  que estava grávida de quadrigêmeos. Maria chegou a exibir um ultrassom falso copiado da internet.

O tamanho desproporcional da barriga acabou chamando a atenção da população local e por fim da emissora que fez uma série de reportagens sobre o caso.

4 – ET Bilú

Esse caso dispensa comentários. Em 2010, o jornalismo “investigativo” da Record decidiu exibir no horário nobre da emissora uma matéria sobre um instituto ufológico que afirmava realizar sessões de “conversa” com um extraterrestre com a simpática alcunha de “et bilú”.

A matéria da emissora  tratou de lidar com o assunto de maneira séria, com trilha sonora para criar um clima de tensão e até mesmo um repórter que aparentemente estava com medo de estar presente naquela situação, pedindo enfaticamente que não fosse tocado pelo “extraterrestre”.

A farsa toda foi capitaneada por Urandir Fernandes de Oliveira, que anos mais tarde seria homenageado pela Assembleia de Legislativa do Mato Grosso do Sul,  recebendo uma Moção de Congratulação das mãos dos deputados.

Os deputados do MS gastaram dinheiro público e tempo que poderia ser usado para aprovação de matérias importantes para a população sob o pretexto de que Urandir  teria realizado contribuições em diversas áreas, como Matemática, Física, Biologia, Geografia, Paleontologia e Astronomia.O que ninguém mencionou é que o ufólogo é um fervoroso defensor da Teoria da Terra Plana e que seus estudos trabalham em prol de “provar” essa ideia.

5 – Record vs The Intercept

Este ano, após Edir Macedo declarar apoio a Jair Bolsonaro nas eleições, jornalistas da própria emissora denunciaram que a igreja estaria pressionando a redação para fazer militância em prol do candidato de extrema direita.

 A crise culminou com a saída da chefe de redação de longa data do principal programa de notícias da TV Record, Luciana Barcellos, que pediu demissão.

Um dos principais denunciantes das falcatruas da emissora foi o portal independente The Intercept que rapidamente se tornou alvo de uma reportagem cheia de falhas listadas pelo próprio The Intercept.

Glenn Greenwald foi acusado de ser dono do portal, mesmo sem ter qualquer participação societária.

Além disso afirmou que o site seria um veículo estrangeiro que existe para interferir na política brasileira, atacando Bolsonaro e promovendo os interesses do partido do marido de Gleen Greenwald, o PSOL. o que contrasta com o fato de os artigos sobre o Brasil publicados no Intercept serem apurados e escritos principalmente por jornalistas brasileiros, que também publicaram numerosos artigos criticando todos os partidos de esquerda – incluindo o PSOL, que foi alvo de uma crítica mordaz em 2016, de autoria do próprio Gleen.

E apesar de o portal ter enviado respostas para as perguntas solicitadas pela Record antes do fechamento da matéria nenhum comentário do Intercept foi incluída (dois de seus comentários foram adicionados horas após a publicação).

6 – Videogame foi confundido com teste para motorista

Em 2017 a produção do programa Balanço Geral exibiu uma gameplay do jogo Forza 6 para Xbox One em uma reportagem sobre a escolha do motorista de Donald Trump.

A reportagem original chegou a ser publicada no perfil oficial do Balanço Geral no YouTube. Mas, após virar chacota, foi tirada do ar.

Este artigo não reflete necessariamente a posição da Revista Fórum


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