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29 de novembro de 2019, 11h13

A Black Friday de Bolsonaro para o Brasil

A Black Friday da família Bolsonaro tem como objetivo entregar o país com metade da sua competitividade, metade da sua grandiosidade e metade da dignidade aos cidadãos brasileiros

Bolsonaro em reunião com agentes do sistema financeiro nos EUA (Arquivo/Alan Santos/PR)

Na verdade, o melhor termo seria Black Year, mas deixaremos o inglês para os ingleses.

Desde a criação do Plano Real, nunca um ano foi tão severo para as classes mais humildes no país. Bolsonaro promove uma verdadeira Black Friday invertida e no lugar de descontos, impõe taxas e desemprego aos trabalhadores. Descontos generosos apenas aos empresários e aos mais abastados.

O governo Bolsonaro adora cobrar imposto dos pobres! Estado mínimo só para quem tem CNPJ. Para quem não tem é estado máximo. Como todo bom liberal, o governo estuda cobrar imposto da cesta básica. Em São Paulo o preço subiria 23%.

Em novembro o governo Jair Bolsonaro também anunciou que vai COBRAR 7,5% do SEGURO DESEMPREGO e sabe o motivo disso?

Esse dinheiro vai ser usado para COMPENSAR o que o governo DEIXA DE ARRECADAR DAS EMPRESAS.

A ideia é aliviar a folha de pagamento de empresas que contratarem jovens no novo plano de emprego do governo, que exclui de maneira sumária pessoas acima dos 30 anos de idade. Com isso (fiquem chocados) a horda de desempregados que se avoluma deverá ainda ser a responsável por arcar com os custos do plano mirabolante do governo, que só encolhe ainda mais o poder de compra do brasileiro.

Levando-se em consideração também os bilhões que a previdência deixa de arrecadar com empresas devedoras é possível montar um panorama simples, com uma espécie de taxação das grandes pobrezas. Não preciso nem dizer que isso não vai dar certo, né?

Em um país em cenário de crise, com um exército de milhões de desempregados, ainda teremos a redução do poder de compra, que já está severamente comprometido. Isso fará a roda da economia girar? Não vejo como a redução sistemática do consumo poderia ser benéfica em curto ou longo prazo. As coisas vão piorar.

O preço da arroba do boi gordo também teve em São Paulo um aumento real de 35%. Segundo a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, não vai mais retornar ao patamar anterior.

Segundo ela, dois pontos foram determinantes para essa alta não só em São Paulo, mas em todo o país:

– Alta das exportações para a China

– A carne era vendida muito barata antes

Questionada se continua a consumir carne vermelha, a ministra decidiu fazer brincadeira com a segurança alimentar de milhões de brasileiros: “Estou comendo frango. Agora, só galinhas.”

Uma verdadeira Maria Antonieta tupiniquim dos tempos modernos! “Se não há carne, que comam galinhas”.

Ainda ano passado, um relatório da CONTRAF BRASIL mostrou que dados do Censo Agropecuário de 2017, levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), demonstram o colapso da segurança alimentar e nutricional do país.

Ou seja, Bolsonaro está determinado a agravar uma situação que já se mostrava preocupante.

E se já não bastasse isso, ainda temos a Black Friday dos direitos civis, metade dos direitos em metade do tempo!

As insistentes declarações de membros do governo sobre um possível AI-5 contra eventuais protestos (protesto para quê?), mostram uma incapacidade do governo de conviver com a democracia e segue à tradição da escola de liberais latinos, que gostam de democracia em outros países, mas em nós, países latinos, gostam é de ditadura: congresso e sindicatos fechados, censura e violência contra o trabalhador.

Além disso, Jair Bolsonaro declarou que possui interesse em tentar passar no Congresso o excludente de ilicitude em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e que a medida teria como objetivo evitar protestos e manifestações. Ou seja, o presidente da República tem interesse em coibir manifestações contrárias ao seu governo se valendo de uma licença para matar! Vejam só que democrático.

O pacote anticrime do ministro Sergio Moro faz parte desta campanha, que tem como objetivo tolher as liberdades e causar insegurança na população periférica. Deixo uma explicação e comentário sobre assunto aqui.

E na área ambiental, a coisa é ainda mais grave. Dados do Inpe divulgados hoje mostram que o desmatamento em terras indígenas cresceu de 2018 para 2019, com mais de 10 mil quilômetros quadrados de florestas queimadas no período – que representa aumento de 74%. Foram tantas as queimadas, que cidades do sudeste brasileiro chegaram a ficar com o céu encoberto de cinzas e fuligem provenientes do norte do país.

Isso sem falar do óleo nas praias brasileiras, que se espalhou por 30 dias até o governo e o ministro do meio ambiente Ricardo Salles (NOVO) tomarem alguma ação.

Tudo isso em um ano onde o Congresso Brasileiro aprovou a Reforma da Previdência que torna ainda mais distante a possibilidade do Brasileiro se aposentar, principalmente com o aumento do trabalho informal no país.

E ainda temos que aguentar Eduardo Bolsonaro no Twitter, dando chiliques típicos de um adolescente mimado afirmando que a imprensa não mostra as coisas boas que acontecem no governo. Me pergunto, onde estão estas coisas boas?

A Black Friday da família Bolsonaro tem como objetivo entregar o país com metade da sua competitividade, metade da sua grandiosidade e metade da dignidade aos cidadãos brasileiros.

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