o colunista

por Cleber Lourenço

O que o brasileiro pensa?
21 de janeiro de 2020, 20h46

A campanha dos súditos do eixo começou

Em seu novo artigo, Cleber Lourenço diz que “Bolsonaro e suas figuras de bastidores já deixaram claro qual será a meta para este ano: promover de forma subliminar a radicalização do país por meio da Cultura e a banalização do nazismo”

Roberto Alvim - Foto: Reprodução

O país sobreviveu ao primeiro ano dos descalabros e desgoverno da extrema direita, mas essa sobrevivência teve um custo altíssimo. Desde a segurança pública, até a qualidade de vida dos brasileiros, ou preciso lembrá-los sobre o reajuste do salário mínimo abaixo da inflação?

Triste. Mas nada que não possa piorar no primeiro mês de 2020. Janeiro já nos dá uma prova do que virá no resto do ano. A cereja do bolo foi o ex-secretário da Cultura fazendo uma verdadeira ode ao nazismo.

Infelizmente, isso é apenas mais uma etapa do projeto de barbarização da sociedade e banalização do ódio.

O portal The Intercept revelou um e-mail confidencial, enviado na última terça-feira a diretores de entidades como a Agência Nacional do Cinema (Ancine) e Fundação Nacional das Artes (Funarte).

O texto, enviado pelo assessor José Paulo Martins em nome do secretário especial de Cultura, foi disparado dois dias antes do vídeo que cita frases de Goebbels e reafirma os valores nazistas.

Segue o texto na íntegra:

“Há o interesse precípuo em promover o renascimento no cenário cultural e artístico, fortalecidos por princípios e valores da nossa civilização, onde a Pátria, a Família, a determinação e, em especial, a nossa profunda ligação com Deus, norteie o que nos propomos a realizar. Que o nosso trabalho tenha as virtudes da fé, da lealdade, da coragem e da luta contra o que degenera; e que estas virtudes sejam alcançadas ao território sagrado das obras de arte. Uma Cultura com obras que configurem toda a importância para a harmonia dos brasileiros com a sua terra e sua natureza, elevando a nação acima de interesses particulares”.

É interessante ver valores como “pátria” e “família” no alucinado texto. Tais valores são dois dos três que regem também o fascismo brasileiro, aqui conhecido como Integralismo, a mesma ideologia que serviu para estimular o ataque terrorista na sede da produtora Porta dos Fundos.

É claro que, por trás de Jair Bolsonaro, há um pungente projeto para reavivar a suástica e os súditos do eixo, não pelas mãos de Bolsonaro, já que este é totalmente desprovido de qualquer capacidade de articulação política mais consistente ou complexa. Porém, há quem se aproveite do presidente simpatizante e militante da extrema direita para impor uma agenda perversa ao Brasil e que vá na mais completa contramão dos valores promulgados e defendidos há décadas pelo país.

Jair Bolsonaro e suas figuras de bastidores já deixaram claro qual será a meta para este ano: promover de forma subliminar a radicalização do país por meio da cultura, banalização do nazismo, promoção do discurso de ódio e um cenário de crise econômica vão criar um caldeirão oportuno, tal qual como foi na Alemanha de 1930. A diferença é que os comunistas, infelizmente, não possuem sequer um terço da relevância e força que tinham na ocasião.

Regina Duarte, favorita para assumir a pasta da Cultura, ainda não falou nada sobre o Prêmio das Artes, que vai financiar óperas, peças de teatro, exposições de pintura, CDs de música e histórias em quadrinhos ideologicamente alinhados ao governo e que por trás do dinheiro esconde a censura.

Queima de livros?

Noite dos cristais?

Vamos aguardar.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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