o colunista

por Cleber Lourenço

Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
14 de fevereiro de 2020, 15h21

A conta não fecha: Bolsonaro agora tem um PC Farias para chamar de seu

Não é difícil, nem impossível, traçar um paralelo entre o caso PC Farias e Adriano Magalhães, homens que sabiam demais e que levaram para o túmulo tudo que sabiam

Jair e Flávio Bolsonaro e Adriano da Nóbrega (Foto: Montagem)

Quem me acompanha neste blog sabe o quão me incomoda a lista de coincidências que envolvem a família presidencial e os grupos criminosos conhecidos como milícias.

Tudo que direi abaixo deste parágrafo são fatos, não especulações ou suposições. Jogarei apenas os fatos, deixarei o julgamento para você junto com uma pergunta: é normal tantas coincidências?

Em um Brasil onde tantas coisas acontecem, acredito que seja fundamental não desviarmos a atenção deste emblemático episódio: a morte de Adriano Magalhães de Nóbrega.

Afinal de contas quem sairia ganhando com a morte do miliciano se não um dos filhos do presidente, que empregou mãe e (na ocasião) esposa do criminoso. Vale lembrar que, além disso, Flávio condecorou o criminoso duas vezes! Em uma delas Adriano já estava inclusive preso!

É claro que tudo isso é apenas mais um capítulo dos mais de dezesseis anos que a família possui de proximidade com as milícias. Aão desde elogios à criminosos até incentivo para a formação destes grupos, tudo isso dentro de casas legislativas do Estado Brasileiro, com dinheiro de brasileiros honestos e que em nenhum momento compactuam os com a delinquência, a violência ou a celebração da barbaridade. Pagamos o pato.

A farra da família que vive de cargos públicos deveria ter parado ali, ainda nos primórdios dos anos 2000. É claro, se fossemos um país sério. Infelizmente não somos.

Mas agora as coisas mudam de patamar. Pela proximidade que Adriano tinha de Flávio e de Fabrício Queiroz é óbvio que o cadáver do miliciano caiu para a conta da família.

Não é difícil, nem impossível, traçar um paralelo entre o caso PC Farias e Adriano Magalhães, homens que sabiam demais e que levaram para o túmulo tudo que sabiam. Homens próximos do Palácio do Planalto.

E as coincidências não param por aí, no mesmo final de semana em que a desastrada e atrapalhada (talvez até mesmo mal intencionada) ação que matou a caixa-preta do Escritório do Crime, a quatro horas da cidade de Esplanada, estava Eduardo Bolsonaro em Salvador. Chegou na sexta-feira e por lá ficou, inclusive cancelou a agenda que teria no nordeste.

Tudo embalado pelo indecoroso silêncio do Ministro da Justiça Sérgio Moro, que na ocasião reservou-se ao direito de falar sobre programas matinais infantis dos anos 80 e 90. O mesmo ministro que há dias atrás apresentou uma desculpa estapafúrdia para não inserir Adriano na lista de criminosos procurados do Brasil.

Mas as divergências entre o que deveria ter sido e o que de fato foi seguiram nos dias posteriores à morte do miliciano.

Afinal de contas o que houve com a tal da pistola austríaca apreendida na cena do crime?

Em uma foto é prata e em outra é preta. Em uma está com o carregador e em outra não.

Incongruências que apontei neste blog assim como todas as outras citadas anteriormente.

Flávio Bolsonaro ainda se prestou ao papel de “denunciar” e “tentar impedir” a cremação do defunto ordenada pela mãe do miliciano, aquela que já foi sua funcionária em seu gabinete.

Sejamos francos, Flávio fez o pífio alarde como quem pede para que não chova no meio de uma chuva, assim como o rei do livro infantil Pequeno Príncipe que poderia dar todas as coisas ao menos que a situação lhe fosse favorável, como por exemplo, um pôr do sol no final da tarde.

As leis são claras, o corpo não seria cremado.

E mesmo assim no auge das desconfianças e do grande cisma que se instalou na nação, o bolsonarismo tentou desviar o foco das atenções com baixarias de cunho sexual e o singular Hans River Rio.

Até o momento a operação que resultou na morte do miliciano foi um sucesso absoluto… Para quem tem proximidade com os milicianos.

Um miliciano do círculo de amigos de Adriano da Nóbrega que estaria articulando uma delação devastadora contra milicianos e políticos cariocas desistiu de seguir em frente após a morte do amigo. O recado foi dado. A queima de arquivo queimou mais arquivos.

E agora a Revista Veja afirma ter conseguido acesso à fotografias da autópsia de Adriano e seguindo especialistas consultados pela revista: foi queima de arquivo. Adriano realmente pode ter sido executado já rendido.

Uma morte conveniente, assim como a morte de PC Farias.

Se a história for seguida poderemos ter quem sabe um impeachment, ou uma renúncia.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum