o colunista

por Cleber Lourenço

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16 de julho de 2019, 06h00

A Lava Jato é um partido sem legenda

Cleber Lourenço: “A justiça e as instituições vão encarar tudo isso de braços cruzados? Vão permitir que combater a corrupção seja um processo corrupto?”

Dallagnol e Sergio Moro (Foto: Divulgação)

Desde que comecei este blog eu já escrevi mais de dez colunas sobre a Lava Jato. Em quase todas destaquei que a operação se tornou um partido político sem legenda.

Pois bem, com as últimas revelações da Vaza Jato, publicadas pelo jornalista Reinaldo Azevedo, não restam mais dúvidas: a Lava Jato não só se tornou um partido como sempre teve como principal objetivo se tornar um partido.

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Em nenhuma democracia séria do mundo, procuradores-celebridade, juízes incompetentes e até mesmo autoritários, e uma justiça aparelhada com membros até mesmo na Polícia Federal sobrevivem e possuem status da forma que possuem aqui no Brasil. Em uma embriaguez de prepotência e um perverso senso de “justiça”, eles se transformaram num partido político – O Partido Lavajatista.

A revelação mais recente mostrou uma conversa entre Deltan e Moro, na qual o primeiro buscava utilizar R$ 38 mil da 13ª Vara de Curitiba para um vídeo de propaganda das dez medidas contra a corrupção. Precisamos saber se tem como saber se este dinheiro saiu de fato das contas da 13ª Vara. Uma vez comprovado, estamos diante de corrupção ativa e passiva cometido respectivamente por Moro e Deltan:

Art. 333 – Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício.

Art. 317 – Solicitar ou receber, para si ou para outrem…

Caso o crime seja confirmado, então as coisas mudam: de partido para quadrilha, sim, quadrilha lavajatista!

Detalhe: Segundo The Intercept, os diálogos aconteceram em janeiro de 2016. O vídeo foi produzido em abril do mesmo ano.

Acontece que não é a primeira vez que Deltan e cia. se envolvem com esse tipo de ação para se promover às custas da máquina pública.

Foi também em abril deste ano que a operação decidiu fazer, via decisão judicial, uma “propaganda”, uma vez que ficaram sem o fundo bilionário da Petrobras.

A concessionária Rodonorte, que opera parte do pedágio nas rodovias do Paraná, firmou um acordo de leniência com o Ministério Público Federal.

Além do “desconto” de 30% na tarifa, a empresa terá que veicular uma propaganda da Lava Jato. A propaganda que será entregue terá o seguinte texto:

“O valor do pedágio foi reduzido em 30% [ou percentual aplicado no momento] porque recursos provenientes de corrupção foram recuperados pela Operação Lava Jato e aplicados em benefício do usuário”.

O ponto interessante é que o acordo é assinado pela equipe de Deltan Dallagnol. O mesmo que está desesperadamente tentando se projetar com vídeos no YouTube, Twitter e o que mais estiver ao seu alcance. Até o mais leigo em leis (me enquadro neste grupo) sabe o que é isso: crime de improbidade administrativa.

Este mesmo pessoal tentou abocanhar bilhões de reais da Petrobras para uma fundação privada. Pergunto: Ficou claro o que eles queriam agora?

Foram diversas tentativas de utilizar a máquina pública e seus valores para promoção e propaganda, isso quando não conseguiram de fato interferir diretamente nas eleições e no processo eleitoral do país. Está claro que essa gente não quer dinheiro e, sim, a República.

Vejam só, o que está colocado aqui são recursos públicos para campanha. Não há precedentes na história do país algo do tipo. A operação contra a corrupção é corrupta. E não são só os R$ 38 mil do vídeo, é também o famigerado pedágio, é a influência nas eleições.

Pela segurança institucional deste país, com as evidências que foram apresentadas, há de se considerar a necessidade de prisão preventiva tanto para Deltan, quanto para Moro, usando, inclusive, os mesmos critérios empregados pelos lavajatistas para prender outros tantos.

A justiça e as instituições vão encarar tudo isso de braços cruzados? Vão permitir que combater a corrupção seja um processo corrupto?

Já avisei em outro texto. Prepare-se: está liberada a delinquência jurídica no Brasil!

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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