A Lava Jato segue acima da lei e Moro segue em campanha mais do que nunca

Confira a análise de Cleber Lourenço

Na semana passada eu já havia pontuado o legado da lava jato ao país: a delinquência institucional. Acontece que a força-tarefa da operação não só reafirmou tudo o que eu disse como foi mais além!

Irei tentar resumir o imbróglio entre a Lava jato e a PGR de forma simples. Imagina que você tenha um chefe e que você como subordinado diga que ele/a não pode ter acesso aos dados das equipes que ele mesmo chefia.

Entende o absurdo disso? A coordenadora do (autointitulado) grupo de trabalho da lava jato na PGR esteve em Curitiba para reuniões com integrantes da força-tarefa no Paraná e nada além.

Caro leitor, peço que deixe suas paixões de lado, a coordenadora faz parte do grupo do PGR Augusto Aras (travestido de AGU)? Sim! Mas de forma alguma isso justifica o alvoroço causado pelo grupo.

Já faz mais de 5 anos que todos os membros do grupo se julguem acima do bem e do mal. A mensagem que deixam é clara: não devem esclarecimentos sobre os sistemas de grampo e escutas avaliados em 1 milhão de reais desaparecidos, tampouco pelo estridente uso político de recursos públicos.

Outro ponto, é obrigação da PGR saber o que ocorre na lava jato. A Lava jato é do Ministério Público e eles estão sujeitos à PGR. A lava jato até hoje não explicou o motivo de “estocar” mais de mil procedimentos de investigação entre outros descalabros.

A verdade é que a operação virou uma bagunça e não é de hoje, desde o ano passado quando comecei esta coluna eu já pontuava que a lava jato é um partido sem legenda.

A visita que causou a tal discórdia, foi, segundo a PGR, previamente agendada, há cerca de um mês, e segundo uma nota oficial “foi uma visita de trabalho que visava a obtenção de informações globais sobre o atual estágio das investigações”.

Quer mais motivos para investigar e “fiscalizar” a operação? A ‘turma’ já tentou abocanhar bilhões da Petrobras, promoveram panfletagem em pedágios e se tornaram Youtubers, começo a ver que erramos como sociedade quando falamos um retumbante “não” para a PEC 37.

Sobre a ‘panfletagem’ eu ainda disse em agosto do ano passado:

(…) a concessionária Rodonorte, que opera parte do pedágio nas rodovias do Paraná, firmou um acordo de leniência com o Ministério Público Federal. Além do “desconto” de 30% na tarifa, a empresa terá que veicular uma propaganda da Lava Jato. A propaganda que será entregue terá o seguinte texto:

“O valor do pedágio foi reduzido em 30% [ou percentual aplicado no momento] porque recursos provenientes de corrupção foram recuperados pela Operação Lava Jato e aplicados em benefício do usuário”.

Onde isso já ocorreu na história do país? Quando?!

Tem algo mais absurdo que isso? Uma ação velada de panfletagem! Típica de propaganda eleitoral partidária!

O problema no Brasil é que até o combate contra a corrupção é corrupto.

E vejam como não há como errar quando o assunto e lava jato e sua índole! Na semana passada eu comentei sobre como Moro se manteria na mídia depois de sair do governo e não ter como gerar mais fatos de interesse público. Afinal de contas, ele flagrantemente sempre buscou chegar em 2022.

Quem foi “socorrer” a turma de Curitiba? Ele mesmo, Moro e ele não parou por aí! Em seu perfil no Twitter ele declarou:

“Aparentemente, vivemos uma fase anti-lava jato e contra o que ela representa. Não seria melhor o País focar em agendas  anticovid, antidesemprego e anticorrupção, como recomenda o artigo?”.

Depois decidiu provocar o governo com a PEC da prisão em segunda instância, perguntando se o governo Bolsonaro apoia a PEC. Uma clara provocação ao estado em que se encontram apoiadores e até mesmo filhos do presidente.

Nota: uma PEC não pode alterar uma cláusula pétrea e esse ponto em específico já é um debate superado pelo meio jurídico brasileiro.

Moro já dois anos à frente do resto do país e começa um flagrante campanha. E a quem serviu a cizânia de Curitiba com Brasília? Isso mesmo! Para Moro e seu partido se cacifarem, conseguirem alguns minutos de fama.

E por fim! Gostaria de sublinhar a infantilidade do nosso presidenciável que diz que vivemos uma “fase anti-lava jato”. O que ele quer dizer com isso?

É um melindre de um grupo que perder uma relevância política e agora decidiu se colocar no papel de vítima, é mera birra por atenção, por capa de jornal.

Mais uma vez reafirmo aqui:

O maior culpado pela derrocada brasileira é a Lava Jato.

*Este artigo não representa, necessariamente, a opinião da Fórum

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Cleber Lourenço

Não acho que o debate politico e o jornalismo precisem distribuir informação de forma fria e distante dos leitores, notícias são somente úteis no contexto do cotidiano e é nisso que acredito.

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