quinta-feira, 24 set 2020
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A morte virou política de Estado

Se antes o Estado era responsável pela ordem e segurança de uma sociedade, pelo menos no Brasil, agora passará a ser causa de morte.

E é nisso que o movimento conhecido como bolsonarismo transformou o Brasil: em um grande grupo de extermínio.

Você pode escolher: doente, baleado, abandonado, perseguido, envenenado ou atropelado. A lista é extensa e os promotores dessa barbaridade são sádicos.

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Só este ano o estado e seus agentes já defenderam:

– Invasão de casas de cidadãos sem mandado de busca

– Cortaram remédios de distribuição gratuita

– Porte de armas de grosso calibre para cidadãos comuns

– Fim do programa Mais Médicos

– Liberação de mais de 200 agrotóxicos

– Um suposto pacote anticrime que na verdade só iria legalizar a barbaridade no Brasil

Achou pouco? Bem, em qualquer sociedade minimamente civilizada cidadãos e parlamentares estariam perplexos com o pacote de loucuras proposto e feito por membros do Executivo.

Infelizmente, aqui é diferente. Não paramos este país quando uma vereadora foi assassinada por milicianos, não paramos quando membros do Exército brasileiro alvejou e assassinou dois civis. Tudo isso passou…

Sob o pretexto de ser um “ato transitório“, o governo deliberadamente cortou fabricação de remédios gratuitos para câncer, diabetes e transplantes, colocando em risco mais de 30 milhões de brasileiros que dependem dos 19 remédios.

E a troco de quê? De nada! Nenhum motivo minimamente razoável.

Enquanto isso, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, defende que a polícia entre em casas sem mandado. Com a maior desfaçatez justificou que a possibilidade de encontrar armas e drogas em qualquer residência é alta. Basicamente, colocou um alvo nas costas de cada trabalhador humilde que more em alguma comunidade. Desprezível.

O mesmo Witzel, que defende o uso de atiradores de elite em um estado onde a polícia já assassinou cidadãos ao confundirem sacos de pipoca, guarda-chuvas, skates, furadeiras e estudantes uniformizados com armadas e bandidos.

Tudo em um país onde o ministro da Justiça está enrolado até o pescoço em denúncias de corrupção e ataques ao Estado Democrático de Direito, que defende um pacote “anticrime” (que chamo de pró-barbaridade), o qual se propõe mudança na legislação sobre a excludente de ilicitude (perdão de punição) em casos em que o Judiciário entender que houve legítima defesa. Não preciso nem dizer que isso só concorre para o aumento da violência policial. O pacote ainda protege o policial de qualquer processo, caso cometa excessos.

Em um país no qual estamos chegando a um terço dos homicídios sendo praticados pelas próprias forças de segurança, onde já não há investigação, não há prestação de denúncia pelo Ministério Público, que lava as mãos, e cuja atitude é aplaudida pelo Judiciário e agora também pelo presidente do país.

O pacote ainda propõe o chamado “plea bargain”, importada diretamente do judiciário norte-americano, no qual o Ministério Público ganha mais poderes para negociar diretamente com o acusado. O objetivo do mecanismo é pular o curso normal do trâmite judicial, oferecendo ao acusado a opção de, assumindo a culpa, negociar uma pena menor. De quebra, o Ministério Público não precisará produzir mais provas para comprovar a acusação.

Ou seja, forçar o trabalhador e o humilde a confessarem um crime que não cometeram para pegar uma pena menor. Encarceramento em massa!

Além disso, ainda temos quantidades absurdas de agrotóxicos liberados pelo governo. Desde janeiro 2019, o governo Bolsonaro publicou a aprovação de 239 novos produtos agrotóxicos. Existem hoje 2.305 produtos agrotóxicos comercializados em todo o Brasil.

Ainda temos milhões de brasileiros no interior do país sem qualquer tipo de amparo médico, desde que o governo decidiu implodir o programa.

E ainda temos os psicopatas apoiadores do governo, que matam sem nenhum remorso. Nesta quinta-feira (18) um senhor foi atropelado e assassinado por um motorista. Seu crime? Pertencer ao Movimento dos Sem Terra (MST).

Temos um presidente que com o dedo em riste afirmou que se possível irá beneficiar seus filhos, sim!

Será que as hordas da insensatez, quando olham familiares desempregados, isso quando não são eles os desempregados, a filha reprovando no vestibular, o negócio da família falindo, escutam o presidente dizendo “eu vou beneficiar meu filho, sim!”. Será que comemoram? Ou até os vassalos da truculência têm limite?

Não sei vocês, mas estou começando a acreditar que matar pobre de maneira indiscriminada virou política oficial de Estado.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.
Cleber Lourenço
Cleber Lourenço
Não acho que o debate politico e o jornalismo precisem distribuir informação de forma fria e distante dos leitores, notícias são somente úteis no contexto do cotidiano e é nisso que acredito. E-mail: [email protected]