o colunista

por Cleber Lourenço

O que o brasileiro pensa?
14 de julho de 2020, 00h20

A nota do Ministério da Defesa é cínica ou delirante

Leia a análise de Cleber Lourenço

Foto: Divulgação

A nota emitida hoje pelo Ministério da Defesa é risível, nada de braçada no mar da desonestidade ou da canalhagem declarada. Mas antes de começar, serei justo, vamos primeiro para a nota:

“O Ministro da Defesa e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica repudiam veementemente a acusação apresentada pelo senhor Gilmar Mendes, contra o Exército Brasileiro, durante evento realizado no dia 11 de julho, quando afirmou: “É preciso dizer isso de maneira muito clara: o Exército está se associando a esse genocídio, não é razoável”.

Comentários dessa natureza, completamente afastados dos fatos, causam indignação. Trata-se de uma acusação grave, além de infundada, irresponsável e sobretudo leviana. O ataque gratuito a instituições de Estado não fortalece a democracia.

Genocídio é definido por lei como “a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso” (Lei nº 2.889/1956). Trata-se de um crime gravíssimo, tanto no âmbito nacional, como na justiça internacional, o que, naturalmente, é de pleno conhecimento de um jurista.

Na atual pandemia, as Forças Armadas, incluindo a Marinha, o Exército e a Força Aérea, estão completamente empenhadas justamente em preservar vidas.

Informamos que o MD encaminhará representação ao Procurador-Geral da República (PGR) para a adoção das medidas cabíveis.

Fernando Azevedo e Silva

Ministro de Estado da Defesa”

Vale lembrar que a nota também foi assinada pelos comandantes das forças armadas Ilques Barbosa Junior (Almirante de Esquadra e Comandante da Marinha), Gen Ex Edson Leal Pujol (Comandante do Exército) e Ten Brig Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez (Comandante da Aeronáutica).

Grifei o trecho que embala toda a coluna de hoje, chega a ser cômico militares falarem de ataque gratuito, em 2018 o general Villas Bôas ameaçou duas vezes o Supremo Tribunal Federal, em maio desse ano o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno também ameaçou o STF, ao bradar contra a apreensão dos celulares do presidente e de seu filho, disse que o episódio “poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”.

E ainda para fechar com chave de ouro, gostaria de lembrar que ainda no final de maio, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, sobrevoou ao lado do presidente Jair Bolsonaro uma manifestação antidemocrática usando ao melhor estilo Augusto Pinochet.

Vale lembrar que desde que os militares entraram no governo, deram cacetadas na democracia e seguidos momentos.

Ou será que ainda estão embebidos pelo desonesto e mentiroso discurso do poder moderador? Não, não são!

Os militares deste país precisam ver a realidade imposta e não os delírios que enxergam, agora, ao invés de reconhecerem o péssimo serviço que estão fazendo na pasta da saúde, decidem atacar quem questione, tudo isso, é claro, do alto das suas vaidades. Inclusive, sobre o combate contra a covid-19, repetem os mesmos erros do desastroso combate ao surto de meningite que assolou o país nos anos 70.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum


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