o colunista

por Cleber Lourenço

Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
18 de julho de 2019, 06h00

A política da truculência perdeu quatro eleições, mas infelizmente venceu uma

Cleber Lourenço: “Programas neoliberais não são a solução para a corrupção estatal nas grandes companhias que administram riquezas nacionais; não criam mais empregos; mas flexibilizam as relações de trabalho”

Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília.

É engraçado pensar em como o mesmo projeto de agenda neoliberal rejeitado pelo voto popular, nas últimas quatro eleições presidenciais, vem sendo agora colocado em prática com tanto vigor no Brasil.

Todas aquelas questões e termos econômicos que pouco entendemos não vão bem como o esperado. O dólar, apenas citando um exemplo que nos é comum, está com a cotação muito elevada (cerca de R$ 3,77 até o dia dessa publicação) e pouco se fala disso na grande imprensa.

Inscreva-se no nosso Canal do YouTube, ative o sininho e passe a assistir ao nosso conteúdo exclusivo.

Na política, até mesmo a matemática não é exata. Isso porque a relativização de números e dados é usada de tal forma que, mesmo a pior das projeções, pode parecer melhor que uma outra qualquer.

O desemprego se alastrou de forma endêmica. No entanto, o tema era muito mais comentado anteriormente. Dessa forma cria-se a ilusão de uma melhora. Cito aqui as comparações com o governo anterior, não para defendê-lo, mas, sim, para demonstrar o cenário em que se passa o jogo neoliberal.

De fato, em termos de economia, a nós pouco interessa os complexos desenrolares do mercado. Queremos pagar nossas contas e fazer compras tranquilamente – o famoso “comer bem”. Por isso mesmo não entro em tais pormenores, até porque na existem aqueles mais gabaritados para discutir economia. A questão em foco, contudo, é que um Estado voltado ao sistema financeiro é fadado ao subdesenvolvimento social. O crescimento econômico às custas do trabalhador, através do corte de direitos trabalhistas consolidados, exploração indevida dos recursos naturais ou até mesmo imposição imperialista sobre outro povo, é um fim que não se justifica, de maneira alguma, mas que é vendido como panaceia aos trabalhadores deste país, que caem em falácias lindas no discurso e criminosas na intenção.

A produção de riqueza por qualquer comunidade, por definição, deve ser para garantir a subsistência e perpetuação dela. Essa definição básica e primitiva, entretanto, é absolutamente subvertida pelas políticas neoliberais, as quais dão aval para o que há de mais nocivo no sistema capitalista.

Isso porque a riqueza gerada não visa à melhoria das condições de vida daqueles que produzem, seja por meio da ampliação do acesso à saúde e educação de qualidade, qualificação da mão de obra, desenvolvimento de pesquisa e ciência.

Pelo contrário, em agendas neoliberais tais perspectivas sociais são, gradualmente, transformadas em benesses mais exclusivas, de modo que só é possível alcançá-las pelo capital – o qual, obviamente, é um privilégio por si só.

A própria produção científica, por exemplo, é feita de modo a atender as exigências do mercado, seja acelerando a produção ou barateando-a. Ou seja, profissionais formados muitas vezes em universidades públicas – financiados pela população, portanto – se veem obrigados a responder aos anseios financeiros de companhias privadas, em detrimento de realizar pesquisas que procuram melhorar a condição do trabalhador dentro da cadeia produtiva, ou então repensar a produção para que não agrida o meio ambiente.

Programas neoliberais não são a solução para a corrupção estatal nas grandes companhias que administram riquezas nacionais; não criam mais empregos; mas flexibilizam as relações de trabalho. Programas neoliberais apenas ampliam o dito regime de escravidão voluntária por salário.

Não acredita? Basta ver os ataques sistemáticos do governo na saúde, com o fim do Mais Médicos e cortes para a produção de remédios gratuitos para a população. Basta ver o desdém que o presidente possui com o desemprego no país, alegando basicamente não ser problema dele. Basta ver a forma como a educação no país é reconfigurada de forma deliberada para dificultar o ingresso dos humildes nas universidades, e a violência como política de estado nas periferias para combater a violência.

Isso enquanto o ministro da Justiça (leia-se Moro) não promove pacotes de leis que visam, principalmente, potencializar a barbárie nos subúrbios do país.

Se você ainda não entendeu, eu reforço: o trabalhador é o inimigo do Estado.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum