As eleições em São Paulo serão umas das mais interessantes do país

Leia na coluna de Cleber Lourenço: "A verdade é que o bom resultado que a chapa Boulos e Eundina já apresenta em pesquisas vem de um eleitorado que não se identifica com Jilmar Tatto, mas se identifica com o PT e com a esquerda"

Foto: Twitter/Luiza Erundina

A eleição municipal em São Paulo terá a chapa Boulos e Erundina concorrendo à prefeitura da cidade pelo PSOL. Além disso, será a primeira eleição sem coligações para os cargos no legislativo.

A candidatura petista à prefeitura adiciona um elemento de dificuldade nas candidaturas de vereadores pelo partido, que já discutem como vão se dissociar do PT uma vez que Boulos tem sua imagem muito ligada ao partido. Notem: não é uma percepção minha, mas sim uma estratégia/preocupação que já circula entre os pré-candidatos para vereador com quem conversei.

A verdade é que o bom resultado que a chapa Boulos e Eundina já apresenta em pesquisas vem de um eleitorado que não se identifica com Jilmar Tatto, mas se identifica com o PT e com a esquerda. Com isso, acaba se identificando com Guilherme Boulos e Erundina, ambos com bom transito no partido e próximos de Fernando Haddad.

A verdade é que a dinastia Tatto não é bem vista nem mesmo dentro do partido, sem falar dos inúmeros episódios controversos e denúncias envolvendo Jilmar e sua gestão como secretário de Transportes do governo Marta Suplicy. Em São Paulo, possuem um feudo na zona sul da cidade conhecido como “Tattolândia”.

Há quem diga que a candidatura de Jilmar seria apenas para marcar posição em debates e no processo eleitoral de uma das principais capitais do país. Bobagem ou erro tático.

Não cabe aos grandes partidos participarem de eleições para cargos no Executivo apenas para “marcar presença e posição nos debates”. Isso é estratégia de partidinho, de partido começando agora. Esse tipo de postura não cabe aos gigantes.

Goste ou não, não temos o PSDB, (P)MDB e outros grandes partidos apenas “marcando posição”. Um erro de estratégia com a primazia de um amadorismo digno de agremiações estudantis. Não acho (e espero) que seja o caso do PT.

Há quem reclame do partido do Lula apenas por prazer. É o caso de alguns quadros dentro do progressismo paulistano. O PSOL certamente irá agradecer e o Partido dos Trabalhadores será o responsável direto por uma eventual ida de Boulos ao segundo turno.

Do outro lado, mais destrambelhos

Além disso, as eleições desse ano poderão ser o primeiro sinal de que a delinquência da “nova política” e dos aventureiros políticos terá fim. O Brasil já passou quase 2 anos sofrendo com essa gente. Não é possível que os eleitores não tenham aprendido a lição.

Infelizmente, essa percepção não chegou ao grupo que cuida da pré-campanha de Bruno Covas para a prefeitura de São Paulo. Coluna do Estadão aponta que já há gente desistindo de ocupar o posto.

A confusão tem motivo: há uma tendência de escolherem alguém da “nova política” ou algum ex-bolsonarista arrependido. Erros táticos.

Com isso poderão dividir votos com Márcio França (PSB).

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum

Este post foi modificado pela última vez em 20 jul 2020 - 21:27 21:27

Cleber Lourenço: Não acho que o debate politico e o jornalismo precisem distribuir informação de forma fria e distante dos leitores, notícias são somente úteis no contexto do cotidiano e é nisso que acredito. E-mail: cleber@ocolunista.com.br