o colunista

por Cleber Lourenço

Fórum Educação
05 de Maio de 2020, 23h29

Bolsonaro cada vez mais errático e com medo de Marielle

Leia na coluna de Cleber Lourenço: "A vereadora assassinada por milicianos voltou para o Palácio do Planalto no dia em que o ex-ministro da justiça Sergio Moro saiu do governo"

Jair Bolsonaro e Marielle Franco (Foto: Montagem)

Nesta terça-feira (5), o presidente Jair Bolsonaro encarnou um dos mais deprimentes e lamentáveis personagens e episódios da política e da história do país como um todo, aos berros, fez como o infame general Newton Cruz em 1983.

Nos últimos dias, o presidente vem demonstrando um comportamento cada vez mais errático e desesperado, assim como no final do ano passado. No último domingo (03), ameaçou as instituições do país, mas não com a postura de quem estivesse em posição de intimidar, mas sim como alguém que está apavorado, não eram rugidos, eram gritos de desespero.

Assim como antes, o “gatilho” tem nome: Marielle Franco. A vereadora assassinada por milicianos voltou para o Palácio do Planalto no dia em que o ex-ministro da Justiça Sergio Moro saiu do governo.

Ao responder o discurso de saída de Moro, Bolsonaro disse: “Será que é interferir na Polícia Federal quase que exigir, implorar a Sergio Moro, que apure quem mandou matar Jair Bolsonaro? A PF de Sergio Moro mais se preocupou com Marielle do que com seu chefe Supremo”.

E continuou: “Cobrei muito deles isso daí. Não interferi. Eu acho que todas as pessoas de bem no Brasil querem saber. Entendo, me desculpe senhor ex-ministro: entre meu caso e o da Marielle, o meu está muito menos difícil de solucionar”.

O que não faz o menor sentido. Se ele queria tanto respostas sobre o caso Adélio Bispo, por qual motivo a defesa do presidente não recorreu contra decisão que absolveu o agressor?

E ainda disse muito mais sobre o caso Marielle, sem que qualquer pessoa tivesse questionado.

Foi exatamente igual em dezembro de 2019: “Vocês sabem o caso do Witzel, foi amplamente divulgado aí, inteligência levantou, já foi gravado conversa entre dois marginais citando meu nome para dizer que eu sou miliciano. Armaram”.

Naquela ocasião, também ninguém havia dito coisa alguma. Declarações precedidas de seguidas ameaças contra a democracia com:

31/10 – Eduardo Bolsonaro fala em novo AI-5 no Brasil

31/10 – General Heleno: “Precisa estudar como fazer (O AI-5)”

25/11 – Jair Bolsonaro volta desesperadamente a pedir excludente de ilicitude a militar que matar em protesto

25/11 – Paulo Guedes diz para não nos assustarmos “se alguém pedir o AI-5”.

Em mais de um momento o presidente deu a entender que estaria espionando opositores,  como Wilson Witzel e Joice Hasselman.

É notório que as investigações no Rio de Janeiro estão apavorando os palacianos e agora o depoimento de Moro, na superintendência da PF de Curitiba, revela o quão obstinado o presidente estava com o estado.

Segundo Moro, Bolsonaro disse: ‘Você tem 27 superintendências, eu quero apenas uma (a do RJ)’.

Mostrando o flagrante desespero do presidente com o estado, nesta terça, quando questionado sobre a insistência, ele afirmou que seu interesse na PF do Rio é porque lá é o “seu estado”. Porém, no auge da crise com o coronavírus, os hospitais federais seguem sem qualquer ação efetiva e ele não enviou ou viabilizou qualquer ajuda ao “seu estado”. Pessoas morrem nos leitos pela falta de remédios e anestesias para intubação de pacientes. É muito grave, mas, em nenhum momento, o presidente manifestou essa intenção.

Uma reportagem recente do portal The Intercept Brasil colocou a família presidencial diretamente no centro do caso novamente e eu liguei os pontos aqui neste mesmo blog.

A matéria mostra informações do Ministério Público de que o filho de Jair Bolsonaro lucrou com a construção ilegal de prédios erguidos pela milícia, usando dinheiro público.

O primeiro ato do novo diretor da PF foi promover o diretor da superintendência da PF no Rio, fazendo com que ele fosse para Brasília e abandonasse o posto carioca.

Saída inteligente, uma demissão ou uma troca deixaria o desespero estridente, então resolveram promover o sujeito.

Não adiantou. As suas respostas e o temperamento intempestivos quando questionado sobre o tema colocam o mandatário máximo do país sob ainda mais suspeita. Afinal, não são dois dias de relações e afagos com as milícias, mas sim mais de uma década e meia!

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum


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