o colunista

por Cleber Lourenço

O que o brasileiro pensa?
09 de junho de 2020, 22h46

Bolsonaro fala de reduzir mordomias para pagar o auxílio mas lutou a vida toda por elas

Leia na coluna de Cleber Lourenço: É interessante ver que Bolsonaro ainda apela para a velha, tacanha e patética manobra de insuflar ódio contra a política em um momento em que é emparedado pelas instituições

Foto: Marcos Correa/PR

Mesmo com as negociações e a aliança com o centrão da Câmara dos Deputados, o presidente Jair Bolsonaro insiste em atacar a política e os políticos.

Logo após tentar fazer uma nova reunião ministerial mais “séria”, Bolsonaro disse: “A ideia da equipe econômica, e minha também, é de duas parcelas de R$ 300. Tem parlamentar que quer R$ 600. Se tirar dos salários dos parlamentares, tudo bem, por mim eu pago até R$ 1.000”.

Segundo um levantamento do site Congresso em Foco, o custo do Legislativo é de R$ 1,1 bilhão por ano, enquanto o custo do auxílio emergencial é de R$ 50 bilhões.

Além disso, Bolsonaro sempre foi um ávido defensor do Estado para os políticos.

No final dos anos 2000, com a fome e a miséria se alastrando pelo país,  foi criado a partir de uma PEC o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza.

O único deputado que votou contra foi Bolsonaro.

No final de 1995 o governo FHC enviou para a Câmara uma proposta de reforma administrativa. A proposta do governo criou um teto salarial para o serviço público, proibiu o acúmulo de cargos e acabou com a isonomia de vencimentos entre os três Poderes. Bolsonaro foi contra.

Em 1996 o deputado Jair Bolsonaro, que na ocasião era do extinto PPB, impôs uma condição para votar pelo fim do IPC (Instituto de Previdência dos Congressistas): “Só voto se me ajudarem a liberar recursos no orçamento ou indicar diretor de estatais”.

Em 2005, quando Bolsonaro ainda era do extinto PFL (hoje conhecido como DEM), discursou contra a medida que visava a proibição da contratação de parentes no setor público.

Ainda atacou colegas do próprio partido. O senador Antonio Carlos Magalhães e o deputado ACM Neto, ambos do PFL na época, eram contra a contratação de parentes porque possuem várias empreiteiras na Bahia, onde poderiam empregar muitas pessoas e não precisam das vagas em serviço público.

O desespero contra a medida tinha motivo. Anos antes, ainda nos anos 90, Bolsonaro usou verbas da Câmara para empregar a sua companheira que na época era Ana Cristina Vale, assim como o pai e a irmã dela.

O pai de Ana Cristina, José Cândido Procópio, e a irmã, Andréa de Assis, foram contratados de forma irregular pelo gabinete do deputado. Os dois moravam em Juiz de Fora (MG), embora o deputado tenha sido eleito pelo Rio.

Ou é hipócrita, ou é cínico. Não importa. É interessante ver que Bolsonaro ainda apela para a velha, tacanha e patética manobra de insuflar ódio contra a política em um momento em que é emparedado pelas instituições (estas seguem firmes).

Principalmente por atacar congressistas enquanto faz acordos de governabilidade com eles.

Se seguir nesse ritmo, acabará ficando sem a proteção que precisa para a gaveta cheia de pedidos de impeachment do Rodrigo Maia.

O centrão já deixou bem claro que não irá peitar o Supremo Tribunal Federal, o MPF ou até mesmo o PGR que hoje se veste de AGU.

Se continuar nesse ritmo irá perder muito mais.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum


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