Bolsonaro não precisou de um AI-5 para começar um estado totalitário no país

Pensando que Bolsonaro vive afirmando que o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel está conspirando contra ele, há de se acreditar que o presidente está direcionando as agências de inteligência brasileira para grampear  e monitorar um governador

E Jair Bolsonaro segue dizendo coisas graves. Depois de dar a entender que teria acesso a informações prévias envolvendo a investigação do filho Flávio, agora ele vai mais além.

Nesta ultima quinta-feira (19) Bolsonaro disse: “Vocês sabem o caso do Witzel, foi amplamente divulgado aí, inteligência levantou, já foi gravado conversa entre dois marginais citando meu nome para dizer que eu sou miliciano. Armaram”.

Quem seria essa “inteligência” que Bolsonaro menciona, a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN)? O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI)?

E de onde vieram essas informações? Pensando que Bolsonaro vive afirmando que o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel está conspirando contra ele, há de se acreditar que o presidente está direcionando as agências de inteligência brasileira para grampear  e monitorar um governador, com objetivos meramente pessoais e isso é muito grave! Gravíssimo!

Se isso for verdade, então Bolsonaro não precisou sequer de um AI-5 para começar um estado totalitário no país.

E mais, que gravação é essa entre os supostos dois milicianos? Bolsonaro estaria preparando o terreno para a verdadeira crise que se aproxima do governo?

Como já falei anteriormente, as noticias conversam entre si, vejam só que curioso.

Horas depois da declaração de Bolsonaro sobre a suposta gravação, o jornalista Luis Nassif, do Jornal GGN, divulgou uma nota em seu site dizendo que a polícia do Rio de Janeiro já tem certeza que Jair Bolsonaro está envolvido no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes.

Os possíveis desdobramentos das investigações dos caso Marielle Franco e Flávio Bolsonaro poderiam acabar encontrando um ponto em comum? E mais! Essa intersecção seria o que a dias está deixando o planalto inquieto e aflito a espera de uma suposta agitação das ruas?

O Bolsonarismo subiu no telhado
Repito, as notícias conversam entre si! No ultimo final de semana eu pontuei que Moro e Bolsonaro já teriam entrado em rota de colisão, estariam mais se aturando do que trabalhando juntos.

Agora, o colunista Tales Faria, firma que o presidente disse para assessores próximos que Sergio Moro, “anda muito esquisito”.

Tales ainda pontua que “Seu Jair” está irritado pois Moro não estaria atuando de forma incisiva para frear e conter as ações do Ministério Público no Rio de Janeiro e na Polícia Federal. Porém Bolsonaro manterá o ex-juíz federal no seu núcleo de governo pois teme uma cisão do bolsonarismo com o seu desembarque.

Bolsonaro inclusive declarou em uma entrevista para a Revista Veja que vê Moro como seu vice em 2022, uma forma de manter as fileiras da extrema-direita ainda agrupadas e demonstrar e forma forçosa a proximidade e alinhamento com o seu ministro da justiça.

Porém a verdade é uma só: Bolsonaro teme e inclusive já sabe que Moro é a quinta-coluna em seu governo.

Desequilibrado
Inclusive o presidente dá claros sinais de desequilíbrio com a série de situações que acontecem ao seu redor.

Na manhã desta sexta-feira (20) ele ficou bastante irritado com as perguntas feitas pela imprensa disse para um jornalista: “Você tem cara de homossexual terrível”.

Bolsonaro ainda insistiu: “Você pretende se casar comigo um dia?”

E prosseguiu em seu discurso: “Você pretende se casar comigo? Responde. Você não gosta de louro de olhos azuis?”

Em tempo

Moro disse para aliados: “Não tivemos nenhum escândalo de corrupção no governo”

Esse artigo não reflete necessariamente a opinião da Revista Fórum

 

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Cleber Lourenço

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