o colunista

por Cleber Lourenço

23 de julho de 2019, 10h49

Bolsonaro não sabe o que fazer com o trabalhador Brasileiro

Não se enganem, tão pouco Bolsonaro não é o paladino das micro e pequenas empresas, na verdade ele é um o protetor do grande capital

Presidente foi acompanhado de Paulo Guedes, ministro da Economia, defender a reforma da Previdência e outras medidas liberalizantes
Bolsonaro (Foto: Alan Santos/PR)

Um pouco mais que 5 meses e o governo Bolsonaro irá completar um ano e enquanto isso o desemprego segue assolando milhões de brasileiros ao redor do país enquanto as contas e as necessidades permanecem nas realidades de milhões de famílias do país.

Infelizmente temos um presidente que deixou claro neste final de semana que governará para alguns poucos grupos e não para a sociedade como um todo. Os brasileiros estão à própria sorte.

Entre indignação com o “fim” dos likes no Instagram e negar as dificuldades que o país vive, Bolsonaro ainda segue com sua política externa de praticamente botar fogo em toneladas de milho brasileiro. O Governo se recusou a vender combustível aos navios que vieram trazer e levar produtos. O motivo? Nenhum, apenas pela subserviência ao governo dos Estados Unidos.

Tudo enquanto trata com desdém milhões de brasileiros no nordeste do país. E sem saber muito bem o que fazer com o trabalhador brasileiro, o presidente decide novamente atacar os direitos de milhões de brasileiros, afirmando que, no futuro, o governo ‘pode pensar’ em diminuir multa de 40% do saldo do FGTS paga a trabalhadores demitidos sem justa causa.

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E não se enganem, tão pouco Bolsonaro não é o paladino das micro e pequenas empresas, na verdade ele é um o protetor do grande capital.

Sobretudo, o amor que Bolsonaro sente pelo grande empresariado é correspondido. Basta ver a sinergia entre eles e os aplausos efusivos que o primeiro recebeu durante a Sabatina dos presidenciáveis organizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), no dia 4 de julho do ano passado. Ou mesmo ainda quando era candidato, ele chegou a contar com 34% das intenções entre a faixa de pessoas que recebe 10 salários mínimos ou mais, e de apenas 13% entre os que ganham até 2 salários mínimos.

O vigor que o presidente possui em debater os likes do Instagram e ataques aos direitos trabalhistas não é o mesmo para discutir geração de renda e emprego ou obras e investimentos em infraestrutura. Isso é notório.

E não faltam coisas para se fazer neste país! Bolsonaro acredita que o seu dinheiro do FGTS é o culpado pela crise econômica e pelo desemprego, no geral ele joga a culpa do desemprego em você quando na verdade a história é outra.

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Em 2016, existiam 71.440 pessoas, 0,05% da População Economicamente Ativa (PEA) que declaravam rendimento igual ao superior a 160 salários mínimos por mês, ou seja, R$ 108.480,00 mensais. Esse grupo possuía conjuntamente uma renda declarada de R$ 298 bilhões e um patrimônio declarado de R$ 1,2 trilhões. Contudo, dois terços desse grupo, cerca de 47.626 pessoas, recebiam sua renda apenas na forma de lucros e dividendos, que são isentos de impostos de renda (IR) desde 1996.

As outras 23.814 pessoas, um terço dessa fatia da PEA, recebia salários, porém a maior parte de sua renda advinha de lucros e dividendos. O resultado disso é que a alíquota média sobre a renda desse grupo era de 2,6%. Para fins de comparação, a carga tributária média da população que recebia até 2 salários mínimos em 2015, sendo o salário mínimo R$ 788,00, era de algo em torno de 51%. Logo, nota-se que na prática, rico paga pouco imposto no Brasil.

Tornando injustificável o pretexto de manter privilégios para os mais abastados e penalizar os mais humildes para aumentar empregos.

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Eu já havia comentado aqui que o resultado da coisa toda já era previsto uma vez que Bolsonaro jamais possuiu um plano de governo estruturado com foco no Brasil e no crescimento e prosperidade dos brasileiros.

A cada dia que passa ele se prova não ser um chefe de estado, tão pouco um estadista, mas sim um chefe de facção que governa para alguns brasileiros que lhe prestam apoio incondicional por dois motivos: ignorância ou falta de caráter.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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