o colunista

por Cleber Lourenço

Fórum Educação
11 de fevereiro de 2020, 15h00

Caso Adriano: duas armas diferentes e uma mesma cena de crime?

Por qual motivo a pistola austríaca supostamente apreendida com Adriano Magalhães quando foi morto na foto da fazenda é diferente da que está na foto da delegacia?

Armas apreendidas durante assassinato de Adriano da Nobrega (Montagem)

A morte do miliciano líder do Escritório do Crime ainda vai render muitas notícias e desconfianças. E com isso também muitas especulações.

Pode parecer muita teoria da conspiração da minha parte, mas gostaria de jogar um holofote em algo que me incomodou esta manhã:

Por qual motivo a pistola austríaca supostamente apreendida com Adriano Magalhães quando foi morto na foto da fazenda é diferente da que está na foto da delegacia?

Vejam só que curioso, a foto divulgada pelo portal Bahia Notícias e também por outros veículos de comunicação mostra as 4 armas que estariam com o miliciano já na delegacia, neste caso a pistola é totalmente preta.

Já uma outra foto, aparentemente tirada no local onde Adriano Magalhães de Nóbrega foi morto, mostra uma outra pistola diferente com a cor prata no seu cabo. A foto inclusive foi utilizada pelo portal Estadão e também outros portais em diferentes matérias sobre o mesmo assunto:

Iluminação? Ângulo das fotos? O que causou essa diferença na arma fotografada em dois diferentes momentos?

Vale lembrar que o advogado do miliciano afirma que Adriano não estaria armado no momento da operação e que também havia lhe avisado de que a operação não teria como objetivo sua captura mas sim sua execução e queima de arquivo.

Eu realmente quero acreditar em qualquer outra coisa que não seja a hipótese de uma queima de arquivo. Isso faz mal para a institucionalidade do país, faz mal para a sociedade. Mas é evidente que temos duas armas completamente diferentes em fotos distintas.

Poderia ser a arma que chegou na delegacia a que fizeram disparos para passar na perícia a tese de confronto?

Outras coisas também chamam a atenção na foto das armas apreendidas.

Adriano era chefe da milícia, um ex-soldado da tropa de elite, matador de aluguel. Lessa e Élcio, membros da mesma milícia, usaram uma MP5 para executar Marielle e Anderson. Ano passado mais de 100 fuzis M16 foram encontradas em um apartamento ligado a Lessa.

E essas eram as armas que ele estava usando para se proteger?

O local onde o miliciano conhecido é condecorado por Flávio Bolsonaro também chama a atenção.

Não estive presente no local e gostaria de ressaltar que apenas por imagens é difícil chegar a uma conclusão precisa, mas… Onde estão as marcas de tiros?

Enfim, o Estado brasileiro e a Secretaria de Segurança Pública do estado da Bahia precisam e devem esclarecimentos para toda sociedade brasileira sobre o assunto.

Até o momento a morte de Adriano Magalhães de Nóbrega atende apenas aos interesses de criminosos e contraventores e não para a justiça brasileira.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.


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