o colunista

por Cleber Lourenço

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19 de fevereiro de 2020, 23h17

Cid Gomes, Sobral e militares: esse é o Brasil da milícia

Leia na coluna de Cleber Lourenço: "Não é segredo e tampouco me proponho a reinventar a roda aqui, mas é notório que desde o dia primeiro de janeiro de 2019 as forças de segurança desse país se sentiram mais empoderadas, um precedente perigoso"

Reprodução

Quando o Brasil escolheu como ocupantes do Palácio do Planalto uma família notoriamente conhecida por defender e apoiar todo tipo de barbaridade e que passou os últimos dezesseis anos fazendo todo o tipo de defesa descabida para milícias e milicianos, já era sabido que não haveria como acabar bem.

Hoje o país escreve mais um lamentável capítulo sobre a escalada criminosa da mentalidade miliciana que avança sobre o país, uma mentalidade que trabalha para corroer o tecido da civilidade e promove a barbaridade.

Durante uma greve de policiais militares em Sobral, no estado do Ceará, o senador licenciado Cid Gomes tentou combater criminosos e delinquentes com a única forma cabível: em um enfrentamento direto.

Foi quando o senador foi alvejado com dois tiros no peito (o senador passa bem).

É claro que não demorou muito para Eduardo Bolsonaro (que esteve na Bahia no mesmo final de semana em que Adriano da Nóbrega foi assassinado e que cancelou sua agenda na região) decidisse proferir impropérios sobre o ocorrido e saísse na defesa dos criminosos encapuzados que espalham terror nas ruas da cidade.

Durante todo o dia, Sobral viveu momentos de tensão e terror com homens encapuzados invadindo batalhões, esvaziando pneus de viaturas, impondo toques de recolher e com grupos armados nas ruas. Isso tem nome: MILÍCIA!

São pessoas amotinados e armadas, soltas ao esmo impondo o terror!

Fiz uma série de questionamentos no meu Twitter, deixo um deles aqui:

As pessoas da foto acima são bandidos ou policiais?

Foi essa gente que Cid Gomes resolveu enfrentar. Você acha que tem diálogo? Negociação? Não!

O problema é que o bolsonarismo decidiu convencionar que não se pode importar firmemente o emprego da lei contra esse tipo de delinquente fardado.

Vide como o presidente Jair Bolsonaro decidiu tratar a questão envolvendo o criminoso Adriano da Nóbrega.

Primeiro, note que ele foi chamado pela patente, Capitão, depois se justificou dizendo que o ex-militar miliciano foi um herói.

Isso não se faz! Isso é algo que um presidente jamais deveria ter feito! Pelo visto o presidente ficou com pena! Ora! Por qual motivo ele não levou o criminoso para sua casa?

Não é o que seria dito em outras circunstâncias?

Bolsonaro passou pano para aquele que era chefe de uma das mais perigosas milícias do Rio de Janeiro e quem sabe até do Brasil.

Não é a primeira vez que policiais entram em greve no país.

Mas é a primeira vez que assistimos o comportamento de milícia em ação em uma greve dessa categoria.

O que mostra que a milícia após a eleição de Jair Bolsonaro avançou por todo o país.

Estamos assistindo diariamente um movimento de linchamento dos fundamentos da democracia e da institucionalidade. Movimento este que tem como principais promotores Jair Messias Bolsonaro e Sérgio Moro.

Ninguém neste país atenta tanto contra a institucionalidade e a normalidade democrática quanto esta dupla e agora começamos a ver os reflexos disso.

Não é segredo e tampouco me proponho a reinventar a roda aqui, mas é notório que desde o dia primeiro de janeiro de 2019 as forças de segurança desse país se sentiram mais empoderadas, um precedente perigoso.

Em maio do ano passado eu já tinha alertado: o que Bolsonaro quer é agitar as baixas patentes militares do país, policiais, membros das forças armadas. O que eles chamam de “libertar patriótico”.

E tudo isso terá como único resultado a sublevação das patentes mais baixas contra a cúpula militar. Ou melhor, as milícias.

O que é a milícia se não um grupo de militares que se desligaram da parte de cima dos militares?

Até onde a baderna na caserna irá? Até onde vamos permitir que o avanço das milícias seja chancelado por autoridades do estado?


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