o colunista

por Cleber Lourenço

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30 de novembro de 2019, 15h50

Começou o desembarque dos empresários no governo Bolsonaro?

Ontem eu falei sobre o pânico do Planalto que sabe que sua agenda econômica se esgotou e como isso empurrará o governo para o autoritarismo e para unicamente as pautas ideológicas.

Também alertei que o governo talvez não dure mais do que dois anos igual comentaram alguns políticos por aí.

Hoje trago mais um capítulo para vocês. O empresariado brasileiro parece já começar a esboçar sinais de desembarque para fora da intentona bolsonarista e o principal esboço vem com a nota do GIFE.

O GIFE, segundo descrição do próprio site, “é a associação dos investidores sociais do Brasil, sejam eles institutos, fundações ou empresas. Nascido como grupo informal em 1989, o GIFE (Grupo de Institutos Fundações e Empresas) foi instituído como organização sem fins lucrativos, em 1995. Desde então, tornou-se referência no país no tema do investimento social privado.”

O grupo possui 141 associados e consta entre eles empresas como: Itaú, Microsoft, Monsanto, Roche, Santander, Tim e TV Globo.

Nesta última quinta-feira (28) eles publicaram uma nota extremamente dura onde dizem que “o ano de 2019 tem sido marcado pela profunda hostilidade oficial à atuação do terceiro setor e da sociedade civil no Brasil.”

A nota (confira ela na íntegra clicando aqui) é um sinal daquilo que eu venho reforçando há dias e é mais um capítulo do aumento de apostas e rumores sobre o encolhimento do mandato do presidente Jair Bolsonaro agora mostrando que fundações com forte elo empresarial já mostram descontentamento com o governo e provavelmente servem como termômetro para saber os ânimos da categoria em relação ao governo.

Como a agenda econômica já mostra sinais de profundo esgotamento pode ser que muito em breve veremos a implosão do principal pilar de sustentação do governo de extrema-direita e aquilo que ainda mantém os empresários otimistas e esperançosos com o governo.

Reforço, não é que a nota mostre um grande levante dos empresários, mas é um tiro de aviso, um prelúdio e uma mensagem sutil do tipo: “você está começando a nos incomodar, queremos resultados ou então você estará sozinho“.

A nota inclusive foi publicada no mesmo dia em que Bolsonaro excluiu o jornal Folha de S. Paulo de uma licitação do governo federal.

Empresários começam a perceber que não há qualquer ganho a curto prazo com o governo Bolsonaro e que, mesmo se houvesse, não deveria compensar os enormes prejuízos permanentes que esse governo trará. E mostram uma preocupação em se tornarem os próximos alvos da escalada autoritária de Bolsonaro.

Entretanto, é interessante ressaltar que entre os associados da organização estão JP Morgan e Bradesco os mesmos que estiveram presentes e financiaram na reunião secreta na corretora XP investimentos com o procurador Deltan Dallagnol e a ONG Transparência BR.

Por isso peço calma aos empolgados. Pode ser algo passageiro e até mesmo um recado ao governo.

Porém é bom ver que começam a surgir reações neste setor e a situação de Bolsonaro, que é um ignorante convicto, poderá se complicar e se tornar mais difícil.

Vamos acompanhar.


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